Em três di­as, Te­mer lan­ça a si mes­mo e a Mei­rel­les

Brasil em Folhas - - Primeira Página -

Um Go­ver­no im­po­pu­lar, dois can­di­da­tos que não atin­gem os 2% de pre­fe­rên­cia do elei­to­ra­do e a elei­ção pre­si­den­ci­al mais in­de­fi­ni­da em dé­ca­das. Foi nes­te qua­dro que a ges­tão Mi­chel te­mer (MDB) de­ci­diu agir nos úl­ti­mos di­as pa­ra des­pe­jar mais es­pu­ma no pa­no­ra­ma e tes­tar sua for­ça elei­to­ral, an­co­ra­da no co­man­do da má­qui­na e no tem­po de tv de seu par­ti­do e em­ba­ra­lhan­do uma cam­pa­nha ain­da mais sui ge­ne­ris após a con­fir­ma­ção da con­de­na­ção do ex-pre­si­den­te Luiz iná­cio Lula da Silva (Pt) em se­gun­da ins­tân­cia que po­de dei­xá-lo fo­ra da cor­ri­da.

Quem ca­pi­ta­neia o pro­ces­so nas hos­tes go­ver­nis­tas é o pró­prio te­mer. Na sex­ta-fei­ra, ele con­fir­mou à re­vis­ta is­toé que pre­ten­de se can­di­da­tar à re­e­lei­ção pa­ra de­fen­der seu le­ga­do e sua hon­ra pes­so­al. “Se­ria uma co­var­dia não ser can­di­da­to”. Na se­gun­da-fei­ra, anun­ci­ou ao es­ta­dão que seu mi­nis­tro da Fa­zen­da, Hen­ri­que Mei­rel­les (PSD) vai se des­li­gar da pas­ta e de seu par­ti­do pa­ra ten­tar vi­a­bi­li­zar seu no­me ao Pla­nal­to. “Já era a in­ten­ção de­le. acer­ta­mos nes­ses úl­ti­mos di­as”, afir­mou o pre­si­den­te.

em en­tre­vis­ta co­le­ti­va em Por­to ale­gre, Mei­rel­les dis­se que sua de­ci­são so­bre a can­di­da­tu­ra sai até o iní­cio da pró­xi­ma se­ma­na. Pa­ra em­ba­sá-la, con­tra­tou uma sé­rie de pes­qui­sas qua­li­ta­ti­vas que mos­trem o que o elei­tor bra­si­lei­ro espera de um pre­si­den­te. além dis­so, espera as con­ver­sas com sua atu­al le­gen­da e com o MDB. “o PSD tem outro pro­je­to. Não acre­di­to que o PSD vá ter um can­di­da­to pró­prio a pre­si­den­te”.

No MDB, con­for­me o el PAÍS apu­rou, te­mer é a apos­ta prin­ci­pal. Mei­rel­les é o pla­no B ou um no­me pa­ra com­por a cha­pa – al­go que ele já de­cla­rou não es­tar tão ap­to. “Já fui cha­ma­do pa­ra ser vi­ce du­as ve­zes. Não acei­tei”, pon­de­rou o mi­nis­tro. am­bos te­rão ao seu fa­vor a má­qui­na go­ver­na­men­tal: no­me­a­ção de no­mes pa­ra car­gos-chave da ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca e a li­be­ra­ção de re­cur­sos pa­ra de­ter­mi­na­dos gru­pos em ano elei­to­ral são uma das prin­ci­pais ar­mas dos go­ver­nan­tes que ten­tam se re­e­le­ger ou ele­ger os seus su­ces­so­res.

o que pe­sa con­tra o pre­si­den­te são sua im­po­pu­la­ri­da­de re­cor­de (60% o re­jei­tam, con­for­me o da­ta­fo­lha) e os três pro­ces­sos cri­mi­nais que tra­mi­tam con­tra ele: du­as de­nún­ci­as en­ga­ve­ta­das pela câ­ma­ra, mas que ain­da de­vem ser ana­li­sa­das após ele per­der o fo­ro pri­vi­le­gi­a­do, e uma apu­ra­ção re­la­ci­o­na­da ao de­cre­to dos Por­tos que po­de de­sa­guar em uma ter­cei­ra de­nún­cia em ple­no ano elei­to­ral. Já con­tra Mei­rel­les es­tão a fal­ta de ca­ris­ma, o des­co­nhe­ci­men­to da po­pu­la­ção e um par­ti­do que es­te­ja com­ple­ta­men­te em­pe­nha­do em de­fen­dê-lo - a fa­vor, o apoio de par­te do al­to em­pre­sa­ri­a­do, do mer­ca­do fi­nan­cei­ro e, por en­quan­to, a bai­xa re­jei­ção ao seu no­me, que é de 19%. dentro do MDB há quem jul­gue que Mei­rel­les não con­se­gui­ria agra­dar to­das as alas. te­mer, que por anos foi o pre­si­den­te do par­ti­do, tem cer­ta van­ta­gem em re­la­ção ao seu mi­nis­tro por­que em es­ta­dos on­de ha­via al­gu­ma di­ver­gên­cia, ele agiu pa­ra tro­car o co­man­do, au­men­tan­do o apoio ao seu no­me. Foi o ca­so de Per­nam­bu­co, em que des­ti­tuiu o gru­po vin­cu­la­do ao de­pu­ta­do Jar­bas Vas­con­cel­los, e do Pa­ra­ná, on­de ten­ta en­fra­que­cer o co­man­do do se­na­dor Ro­ber­to Re­quião, uma das vo­zes opo­si­to­ras de te­mer no con­gres­so Na­ci­o­nal.

QUEM É O MAIS AP­TO PA­RA UNIR A CEN­TRO-DI­REI­TA?

O prin­ci­pal de­sa­fio de qual­quer no­me do MDB é o de man­ter os seus par­ti­dos ali­a­dos pró­xi­mos a si. Vá­ri­os já dei­xa­ram ou es­tão em vi­as de aban­do­nar o Go­ver­no te­mer. Seus prin­ci­pais ad­ver­sá­ri­os nes­sa bus­ca por ali­a­dos são Ge­ral­do alck­min (PSDB) e Ro­dri­go Maia (dem), que dis­pu­tam com o MDB o tí­tu­lo de ve­tor mais ap­to pa­ra unir a cen­tro-di­rei­ta. o par­ti­do de alck­min já en­tre­gou seus car­gos e ten­ta atrair o apoio de outro go­ver­nis­ta, o PSD de Mei­rel­les e Gil­ber­to kas­sab (mi­nis­tro das ci­ên­ci­as e da co­mu­ni­ca­ção). Já a le­gen­da de Maia tem um le­que mais am­plo de apoi­a­do­res. o dem ne­go­cia com os go­ver­nis­tas PR, PP, PPS e PRB. es­te úl­ti­mo em ne­go­ci­a­ção com o de­pu­ta­do de ex­tre­ma di­rei­ta e se­gun­do co­lo­ca­do nas pes­qui­sas, Jair Bol­so­na­ro (PSL). um dos in­di­ca­do­res de como ca­mi­nha­rão os par­ti­dos se­rá a re­for­ma mi­nis­te­ri­al que te­mer con­clui­rá até o dia 7 de abril. até o mo­men­to, a fal­ta de um ce­ná­rio tão cla­ro na dis­pu­ta elei­to­ral tem oca­si­o­na­do uma dis­se­mi­na­ção de can­di­da­tu­ras. além de Maia, que tem per­cor­ri­do o país com re­cur­sos da Pre­si­dên­cia câ­ma­ra pa­ra ten­tar vi­a­bi­li­zar o seu no­me, ou­tros aza­rões lan­çam seus no­mes ao pú­bli­co. É o ca­so de Pau­lo Ra­bel­lo de cas­tro (PSC), atu­al pre­si­den­te do Ban­co Na­ci­o­nal de

Mo­vi­men­tos pre­ten­dem tes­tar a apro­va­çã

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