Lei da Fi­cha Lim­pa: Lu­la e 97 can­di­da­tu­ras fo­ram bar­ra­das

Brasil em Folhas - - Primeira Página -

além da can­di­da­tu­ra do ex-pre­si­den­te luiz iná­cio lu­la da sil­va (Pt), ou­tras 97 fo­ram con­si­de­ra­das ir­re­gu­la­res pe­la Jus­ti­ça elei­to­ral, com ba­se na lei da fi­cha lim­pa, pa­ra to­dos os car­gos. Qua­se dois ter­ços (63) pa­ra de­pu­ta­do es­ta­du­al ou dis­tri­tal. ape­sar de te­rem ti­do as can­di­da­tu­ras in­de­fe­ri­das, 38 ain­da es­tão ap­tos a par­ti­ci­par da vo­ta­ção — te­rão, por­tan­to, os no­mes nas ur­nas ele­trô­ni­cas —, por­que en­tra­ram com recurso con­tra a de­ci­são que ne­gou o re­gis­tro. o se­na­dor acir Gur­gacz (PDT), por exem­plo, con­se­guiu uma li­mi­nar do tri­bu­nal su­pe­ri­or elei­to­ral (tse) que lhe per­mi­te con­cor­rer ao go­ver­no de rondô­nia, ape­sar de ter si­do con­si­de­ra­do ine­le­gí­vel pe­lo tri­bu­nal re­gi­o­nal elei­to­ral do estado ( tre-ro), na úl­ti­ma quin­ta-fei­ra. as­sim, ele po­de con­ti­nu­ar par­ti­ci­pan­do nor­mal­men­te do plei­to, in­clu­si­ve com pro­pa­gan­das no ho­rá­rio elei­to­ral gra­tui­to. Gur­gacz foi con­de­na­do pe­lo su­pre­mo tri­bu­nal fe­de­ral (stf) por crime con­tra o sis­te­ma fi­nan­cei­ro. a de­fe­sa de­le afir­mou que o tre não con­si­de­rou os re­cur­sos apre­sen­ta­dos no pro­ces­so a que responde no su­pre­mo.

o tse precisa de­ci­dir, em ple­ná­rio, se man­tém ou não a can­di­da­tu­ra da­que­les que en­tra­ram com recurso. em se­gui­da, o can­di­da­to ain­da po­de re­cor­rer ao su­pre­mo, de­ta­lhou o es­pe­ci­a­lis­ta em di­rei­to elei­to­ral marcellus fer­rei­ra Pin­to, do es­cri­tó­rio Nel­son Wi­li­ans e ad­vo­ga­dos as­so­ci­a­dos. o mes­mo trâ­mi­te pe­lo qual lu­la pas­sou. a di­fe­ren­ça é que, no ca­so dos 38 que atu­al­men­te se an­co­ram em re­cur­sos pa­ra man­ter as can­di­da­tu­ras, aca­bou on­tem o pra­zo pa­ra que os par­ti­dos lan­ças­sem ou­tros no­mes no lu­gar. eles não po­de­rão ser subs­ti­tuí­dos, ca­so a Jus­ti­ça de­ter­mi­ne, em úl­ti­ma ins­tân­cia, que o atu­al pos­tu­lan­te não po­de par­ti­ci­par do plei­to. o pro­ble­ma po­de ser ain­da mai­or por­que, se a de­ci­são só for to­ma­da de­pois do se­gun­do tur­no, e um can­di­da­to que con­cor­re nes­sas con­di­ções ven­cer, se­rá ne­ces­sá­rio con­vo­car ou­tra elei­ção. “No ca­so do can­di­da­to a go­ver­na­dor, por exem­plo, se ele for elei­to, to­mar pos­se e ti­ver o re­gis­tro ne­ga­do de­pois, ele per­de o di­plo­ma e vai ter ou­tra elei­ção no estado”, ex­pli­cou o ad­vo­ga­do. o que não é im­pos­sí­vel de acon­te­cer em rondô­nia, já que Gur­gacz ocu­pa o se­gun­do lu­gar na pes­qui­sa de in­ten­ção de vo­tos pa­ra go­ver­na­dor di­vul­ga­da on­tem pe­lo ibo­pe.

Pa­ra fer­rei­ra Pin­to, o fil­tro de­ve­ria co­me­çar pe­los par­ti­dos, que in­sis­tem em lan­çar can­di­da­tos fi­cha-su­ja por es­tra­té­gia po­lí­ti­ca. “o nú­me­ro sur­pre­en­de, por­que os re­qui­si­tos de ine­le­gi­bi­li­da­de são ob­je­ti­vos, co­nhe­ci­dos por to­da a so­ci­e­da­de. os par­ti­dos sa­bem dis­so e, mes­mo as­sim, jo­gam com a re­gra elei­to­ral, por­que mui­tos des­ses 98 são pu­xa­do­res de vo­tos”, acre­di­ta.

a não ser por lu­la e Gur­gacz, os no­mes im­pug­na­dos bus­cam uma vaga no le­gis­la­ti­vo — dis­tri­tal, es­ta­du­al ou fe­de­ral. Pe­lo le­van­ta­men­to do tse, os par­ti­dos que mais ti­ve­ram can­di­da­tos bar­ra­dos pe­la lei da fi­cha lim­pa fo­ram o MDB (dois de­pu­ta­dos dis­tri­tais, dois fe­de­rais e qua­tro es­ta­du­ais), o Po­de­mos (seis de­pu­ta­dos es­ta­du­ais e dois fe­de­rais), o PSD (se­te es­ta­du­ais) e o Pa­tri­o­ta (qua­tro fe­de­rais e três es­ta­du­ais).

Ora­ção da pro­pi­na

Do Dis­tri­to fe­de­ral, se­te can­di­da­tu­ras fo­ram ques­ti­o­na­das quan­to à pos­si­bi­li­da­de de con­cor­rer de­vi­do à mes­ma legislação que bar­rou lu­la, to­das pa­ra de­pu­ta­dos dis­tri­tais. Qua­tro já fo­ram re­ti­ra­dos das ur­nas e de­cla­ra­dos inap­tos a con­cor­rer: Dr. Jair (MDB), Gur­gel (PMN), sgt. Jai­dê (Psc) e ta­les re­can­to (Ptc). ou­tros três en­tra­ram com recurso e, por en­quan­to, es­tão ap­tos: Pro­fes­sor adi­má­rio te­o­do­ro (PRB), lan­dim (PRB) e Bru­nel­li (MDB). ru­bens cé­sar Bru­nel­li fi­cou co­nhe­ci­do pe­la ora­ção da pro­pi­na, quan­do, ao la­do do en­tão pre­si­den­te da câmara le­gis­la­ti­va, le­o­nar­do Pru­den­te, re­za pe­la vi­da de Dur­val Bar­bo­sa, que ha­via re­pas­sa­do di­nhei­ro pa­ra eles. “so­mos gra­tos pe­la vi­da do Dur­val, por ter si­do ins­tru­men­to de bên­ção pa­ra nos­sas vi­das, pa­ra nos­sa ci­da­de”, orou Bru­nel­li.

ou­tro can­di­da­to con­si­de­ra­do ine­le­gí­vel, que tam­bém en­trou com recurso, é Ju­ran­dir marinho (Prtb-rn), úni­co pos­tu­lan­te ao se­na­do nes­sas con­di­ções. ele foi en­qua­dra­do de­vi­do a um con­vê­nio fir­ma­do com a fu­na­sa, en­tre 2000 e 2001, quan­do era pre­fei­to de can­gua­re­ta­ma. e re­cor­reu da de­ci­são por en­ten­der que o ci­da­dão só não po­de ser can­di­da­to se ti­ver sentença con­de­na­tó­ria jul­ga­da em se­gun­da ins­tân­cia. os mo­ti­vos pa­ra cas­sa­ção da can­di­da­tu­ra são vá­ri­os. a lei da fi­cha lim­pa é ape­nas um dos ins­tru­men­tos pa­ra bar­rar can­di­da­tu­ras in­de­vi­das den­tro do universo de 28,9 mil re­gis­tros pro­to­co­la­dos no tse. o mais co­mum, se­gun­do a cor­te, é a au­sên­cia de re­qui­si­to de re­gis­tro. fo­ram 1.913 ca­sos co­mo es­se. Hou­ve, ain­da, três im­pug­na­ções por abu­so de po­der, du­as de­las com re­cur­sos em an­da­men­to.

elei­to­res de­nun­ci­am

Não fo­ram ape­nas as de­nún­ci­as con­tra a lei da fi­cha lim­pa que che­ga­ram ao tse. Nas úl­ti­mas três se­ma­nas, fo­ram apre­sen­ta­das 6.037 de­nún­ci­as de in­fra­ções elei­to­rais ao tri­bu­nal. Do to­tal, fo­ram no­ti­ci­a­das 3.978 pos­sí­veis ir­re­gu­la­ri­da­des re­la­ti­vas a pro­pa­gan­das elei­to­rais nas elei­ções 2018. em se­gui­da, apa­re­cem de­nún­ci­as con­tra cri­mes elei­to­rais (735) su­pos­ta­men­te co­me­ti­dos por can­di­da­tos. as in­fra­ções fo­ram de­nun­ci­a­das por elei­to­res por meio do apli­ca­ti­vo Par­dal, de­sen­vol­vi­do pe­la Jus­ti­ça elei­to­ral pa­ra que os elei­to­res atu­em co­mo fis­cais de can­di­da­tos e par­ti­dos. en­tre os es­ta­dos, são Pau­lo é re­cor­dis­ta em de­nún­ci­as no apli­ca­ti­vo, com um to­tal de 789 re­gis­tros. o mai­or co­lé­gio elei­to­ral do país tam­bém li­de­ra as de­nún­ci­as re­la­ti­vas a cri­mes elei­to­rais (103). o se­gun­do estado com o mai­or nú­me­ro de de­nún­ci­as é Per­nam­bu­co: 756 re­gis­tros. Des­ses, 564 são re­fe­ren­tes a pro­pa­gan­das. as in­for­ma­ções têm o ob­je­ti­vo de fa­ci­li­tar o tra­ba­lho de apu­ra­ção dos tres e do mi­nis­té­rio Pú­bli­co elei­to­ral. em 2016, a seis di­as do se­gun­do tur­no das elei­ções mu­ni­ci­pais, o tse re­ce­beu 61.961 re­gis­tros de ir­re­gu­la­ri­da­des pe­lo apli­ca­ti­vo. mais de 29 mil fo­ram de­nún­ci­as so­bre ir­re­gu­la­ri­da­des em pro­pa­gan­das e 10.636 a res­pei­to de cri­mes elei­to­rais.

Carlos mou­ra/as­com/ts

A Jus­ti­ça Elei­to­ral ain­da precisa de­ci­dir so­bre as can­di­da­tu­ras ir­re­gu­la­res que en­tra­ram com recurso

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