De­cre­to da ter­cei­ri­za­ção no ser­vi­ço pú­bli­co

Brasil em Folhas - - Primeira Página -

Ogo­ver­no fe­de­ral edi­tou uma no­va re­gra - o De­cre­to nº 9.507 - pa­ra re­gu­la­men­tar a ter­cei­ri­za­ção no ser­vi­ço pú­bli­co. a nor­ma, pro­mul­ga­da na úl­ti­ma sex­ta-fei­ra (21), abran­ge ór­gãos da ad­mi­nis­tra­ção di­re­ta, au­tar­qui­as, fun­da­ções, em­pre­sas pú­bli­cas e so­ci­e­da­des de eco­no­mia mis­ta con­tro­la­das pe­la União. se­gun­do o tex­to, que subs­ti­tui um de­cre­to que es­ta­va em vi­gor des­de 1997, ca­be­rá ao mi­nis­té­rio do Pla­ne­ja­men­to a de­fi­ni­ção de quais serviços po­de­rão ser pre­fe­ren­ci­al­men­te con­tra­ta­dos de for­ma in­di­re­ta. até en­tão, só po­di­am ser ob­je­to de ter­cei­ri­za­ção, em ór­gãos pú­bli­cos, ati­vi­da­des co­mo lim­pe­za, se­gu­ran­ça, trans­por­tes, in­for­má­ti­ca, re­cep­ção, te­le­co­mu­ni­ca­ções e ma­nu­ten­ção de pré­di­os e equi­pa­men­tos. as no­vas re­gras en­tra­rão em vi­gor em 120 di­as a par­tir da da­ta da pu­bli­ca­ção.

o mi­nis­té­rio do Pla­ne­ja­men­to in­for­mou que o ob­je­ti­vo do de­cre­to “foi ade­quar uma le­gis­la­ção de 1997 à re­a­li­da­de atu­al, con­si­de­ran­do re­gras mais ri­go­ro­sas de fis­ca­li­za­ção de con­tra­tos e da mão de obra alo­ca­da na pres­ta­ção de ser­vi­ço, além da ade­qua­ção às bo­as prá­ti­cas ad­mi­nis­tra­ti­vas”, se­gun­do no­ta en­vi­a­da à agên­cia Bra­sil. ain­da de acor­do com o ór­gão, as no­vas re­gras uni­fi­cam os pro­ce­di­men­tos de contratação in­di­re­ta em to­do o ser­vi­ço pú­bli­co fe­de­ral.

“Nes­se no­vo de­cre­to, não exis­te mais de for­ma ex­pres­sa quais são os serviços que po­de­ri­am ser ter­cei­ri­za­dos. an­tes, is­so es­ta­va es­pe­ci­fi­ca­do e abran­gi­am as cha­ma­das ati­vi­da­des-meio, co­mo lim­pe­za e se­gu­ran­ça. Nes­se sen­ti­do, a no­va re­gra abre bre­cha pa­ra am­pli­a­ção das pos­si­bi­li­da­des de ter­cei­ri­za­ção nos serviços pú­bli­cos”, aponta o ad­vo­ga­do mar­ce­lo scal­zil­li, só­cio e co­or­de­na­dor da área tra­ba­lhis­ta do scal­zil­li althaus ad­vo­ga­dos. em agos­to, o su­pre­mo tribunal fe­de­ral (stf) já ha­via va­li­da­do, por mai­o­ria, a cons­ti­tu­ci­o­na­li­da­de da ter­cei­ri­za­ção da contratação de tra­ba­lha­do­res pa­ra a ati­vi­da­de-fim de em­pre­sas e ou­tras pes­so­as ju­rí­di­cas, co­mo pre­vis­to na lei da ter­cei­ri­za­ção (13.429/2017). Per­gun­ta­do se o De­cre­to 9.507 já se­ria uma pri­mei­ra con­sequên­cia da de­ci­são do stf, o Pla­ne­ja­men­to in­for­mou que não há vín­cu­lo en­tre a nor­ma e a lei 13.429, que tra­ta de tra­ba- lho tem­po­rá­rio nas em­pre­sas ur­ba­nas, sem re­la­ção com a contratação de serviços pe­la ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca.

VEDAÇÕES

o no­vo de­cre­to proí­be a ter­cei­ri­za­ção de serviços que en­vol­vam a to­ma­da de de­ci­são e nas áre­as de pla­ne­ja­men­to, co­or­de­na­ção, su­per­vi­são e con­tro­le dos ór­gãos e aque­les con­si­de­ra­dos es­tra­té­gi­cos e que pos­sam co­lo­car em risco o con­tro­le de pro­ces­sos e de co­nhe­ci­men­tos e tec­no­lo­gia. tam­bém não po­dem ser con­tra­ta­das de for­ma in­di­re­ta as fun­ções que es­te­jam re­la­ci­o­na­das ao po­der de po­lí­cia ou que se­jam ine­ren­tes às ca­te­go­ri­as in­se­ri­das no plano de car­gos do ór­gão. No en­tan­to, a me­di­da per­mi­te a ter­cei­ri­za­ção de serviços au­xi­li­a­res a es­sas fun­ções, com ex­ce­ção dos serviços au­xi­li­a­res de fis­ca­li­za­ção e re­la­ci­o­na­dos ao po­der de po­lí­cia do es­ta­do.

em re­la­ção às em­pre­sas pú­bli­cas e so­ci­e­da­des de eco­no­mia mis­ta con­tro­la­das pe­lo go­ver­no, o de­cre­to proí­be a ter­cei­ri­za­ção de serviços ine­ren­tes aos dos car­gos do plano de carreira da em­pre­sa, mas pos­si­bi­li­ta qua­tro ti­pos de ex­ce­ção, co­mo, por exem­plo, a contratação in­di­re­ta pa­ra de­man­das de ca­rá­ter tem­po­rá­rio ou se hou­ver a im­pos­si­bi­li­da­de de com­pe­tir no mercado em que a em­pre­sa es­tá in­se­ri­da.

Pa­ra sin­di­ca­lis­tas, o de­cre­to vai con­cre­ti­zar a ter­cei­ri­za­ção no ser­vi­ço pú­bli­co. “es­se de­cre­to não veio pa­ra re­du­zir a ter­cei­ri­za­ção, mas jus­ta­men­te na linha de am­pli­ar es­se pro­ces­so”, critica sérgio ro­lan­do da sil­va, se­cre­tá­rio-ge­ral da con­fe­de­ra­ção dos tra­ba­lha­do­res do ser­vi­ço Pú­bli­co fe­de­ral (cond­sef). ele te­me que a me­di­da afe­te a re­a­li­za­ção de con­cur­sos pú­bli­cos, for­ma de contratação pre­vis­ta na cons­ti­tui­ção. “ten­de a re­du­zir, já que al­guns car­gos, que ho­je são pre­en­chi­dos por con­cur­so, po­de­rão ser con­si­de­ra­dos serviços au­xi­li­a­res às fun­ções de de­ci­são e pla­ne­ja­men­to”, ar­gu­men­ta.

PRE­CA­RI­ZA­ÇÃO

se­gun­do o mi­nis­té­rio do Pla­ne­ja­men­to, as no­vas re­gras pre­vis­tas no de­cre­to coí­bem a prá­ti­ca de ne­po­tis­mo nas con­tra­ta­ções pú­bli­cas e es­ta­be­le­ce pa­drões de qua­li­da­de na pres­ta­ção dos serviços. além dis­so, pa­ra evi­tar a pre­ca­ri­za­ção tra­ba­lhis­ta, o pa­ga­men­to da fa­tu­ra men­sal pe­los serviços, por par­te do ór­gão pú­bli­co, só se­rá au­to­ri­za­do após a com­pro­va­ção, pe­la em­pre­sa ter­cei­ri­za­da, do cum­pri­men­to das obri­ga­ções con­tra­tu­ais, in­cluin­do o pa­ga­men­to de fé­ri­as, 13º sa­lá­rio e ver­bas res­ci­só­ri­as de seus fun­ci­o­ná­ri­os.

Na opi­nião do pre­si­den­te da as­so­ci­a­ção Na­ci­o­nal dos ma­gis­tra­dos da Jus­ti­ça do tra­ba­lho (ana­ma­tra), Gui­lher­me fe­li­ci­a­no, o de­cre­to re­for­ça o te­mor da am­pli­a­ção da ter­cei­ri­za­ção no ser­vi­ço pú­bli­co, que ten­de a ser des­fa­vo­rá­vel aos tra­ba­lha­do­res. “o mo­de­lo de ter­cei­ri­za­ção usu­al­men­te ado­ta­do no Bra­sil não é o mo­de­lo que pri­vi­le­gia o co­nhe­ci­men­to téc­ni­co, mas aque­le em que se ga­nha por meio do acha­ta­men­to dos di­rei­tos so­ci­ais do tra­ba­lha­dor ter­cei­ri­za­do. is­so já acon­te­ce em ati­vi­da­des­meio das es­ta­tais, co­mo a Pe­tro­bras, on­de os tra­ba­lha­do­res que mais so­frem aci­den­tes são jus­ta­men­te os ter­cei­ri­za­dos”, ex­pli­ca.

Ar­qui­vo/agên­cia Bras

O no­vo de­cre­to proí­be a ter­cei­ri­za­ção de serviços que en­vol­vam a to­ma­da de de­ci­são e nas áre­as de pla­ne­ja­men­to

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