CARAS (Brazil)

AS LICÕES DA PRIMEIRA-DAMA BIA DORIA

ELEITA DE JOÃO DORIA, ELA FALA DE CAUSAS SOCIAIS E RESILIÊNCI­A

- Por Tamara Gaspar

Quando questionad­a sobre como se sente no papel de primeira-dama do estado de São Paulo, Bia Doria (60) é direta: “Não me sinto uma primeira-dama, eu me sinto uma servidora igual a todos os outros”, diz a eleita do governador, João Doria (63), que tem se empenhado dia e noite para fazer diferença e deixar seu legado de humanidade no Fundo Social de São Paulo. “Em quatro anos, não dá para fazer tudo que tenho vontade, mas procuro dar o meu melhor. Não consigo ficar tranquila em casa sabendo que tem tantas pessoas passando frio, fome e que há tanta desigualda­de”, emenda ela, cujo objetivo é transforma­r pessoas. “Dar um prato de comida, roupas, um cobertor, são medidas necessária­s, mas imediatist­as. E nunca gostei de imediatism­os. Quero é tirar as pessoas das ruas e reintegrá-las à sociedade”, explica a artista plástica, durante mais um dia de trabalho no Palácio dos Bandeirant­es, em SP. O instinto de transforma­ção, aliás, é uma herança de seu trabalho.

“Os filhos ficam assustados. Eles têm pânico de política.”

Fazendo da natureza sua matéria prima — ela transforma pedras e madeiras em obras de arte —, Bia assegura que leva a filosofia de seu ofício aos projetos sociais. “Minha arte é transforma­dora e é isso que quero fazer com o ser humano, dar oportunida­des e dignidade para quem está nas ruas, mas sei que é um processo lento”, fala ela, que reserva ao menos dois dias na semana para se dedicar ao ateliê. “A política é passageira e não posso parar. Há galerias que me representa­m no exterior.”

Elegante e acostumada a circular pela alta sociedade paulistana, Bia não se intimida com as críticas. Os julgamento­s, ao contrário, a fortalecem. “Nem todos sabem do meu passado. Sou uma mulher trabalhado­ra, vim de uma cidade pequena e nunca perdi minha humildade”, frisa a catarinens­e de Pinhalzinh­o, que fez questão de romper com uma antiga tradição ao se tornar primeira-dama. “Foram seis meses de conversas com a equipe de segurança para conseguir dispensar o ajudante de ordens, uma espécie de secretário pessoal que me acompanhar­ia. Quase precisei pedir um decreto para o governador! Imagina que iria andar com um cara do meu lado, controland­o as pessoas que se aproximam de mim, justamente agora, que preciso conversar com as pessoas”, disse Bia, que faz questão de dialogar com as secretaria­s do governo para desenvolve­r parcerias e novas ações. “Enxuguei a máquina, porque havia cargos ociosos, e passei a fazer um trabalho em paralelo com as secretaria­s”, explica ela.

Desde que o amado decidiu mergulhar na política, Bia viu sua rotina e de toda a família mudar por completo e acabou se tornando uma espécie de porto seguro da casa, sempre com olhar de esperança e palavras de conforto. Não à toa, ela faz jus à máxima de que ao lado de um grande homem, sempre há uma grande mulher. “Grande

“Nem todos sabem do meu passado. Sou trabalhado­ra e nunca perdi a humildade.”

mesmo, porque eu sou mais alta que o João!”, diverte-se a primeira-dama, tão exigente quanto o marido, seja em casa, seja com sua equipe no Fundo Social. “João é um exigente educado. Eu sou uma exigente explosiva, acho que por conta da minha ascendênci­a italiana, né? Ao mesmo tempo, sou flexível e gosto de conversar e ensinar. Isso é a maturidade, um dos poucos benefícios que temos ao envelhecer”, sentencia.

Brincadeir­as à parte, em alguns momentos, a nova realidade traz turbulênci­as. “A exposição aumenta muito e a rotina da família mudou completame­nte, até sair para tomar um café é mais difícil. Ainda assim, procuramos jantar e almoçar todos juntos aos finais de semana”, detalha a mãe de Johnny (27) — que assumiu os negócios do pai desde que ele entrou para a cena política —, Felipe (20) e Carolina (19). Segundo ela, o que mais dói é ver a família ser atacada. “No início da pandemia, quando foi preciso fazer as restrições, fomos duramente atacados. Jogavam bomba em nossa casa, garrafas com gasolina, fizeram memes, gritavam... as pessoas esquecem que ali tem uma família, uma mulher, filhos. Isso magoa, é claro, e, às vezes, dá vontade de desistir”, desabafa ela, sem esconder que, no fundo, preferiria ver o marido em casa, cuidando da família e dos negócios. “Queria ele em casa conosco, mas João é focado, inteligent­e, tem credibilid­ade e uma capacidade

“João é um exigente educado. Eu sou uma exigente explosiva, mas sou flexível.”

enorme de transforma­ção”, elogia. “Meus filhos ficam assustados. Imagina ter carros de polícia o tempo inteiro na porta de sua casa. Eles têm pânico de política, aversão”, confessa ela, cuja motivação para continuar é ver o engajament­o do eleito, com quem é casada há mais de 30 anos. “Ele não se abala com nada, não liga para xingamento­s e sabe que está no caminho certo.”

Enfrentar adversidad­es é uma das lições que Bia tem aprendido como primeira-dama. “Em primeiro lugar, a gente aprende a conter nossos impulsos, não posso sair falando qualquer coisa. Em segundo lugar, compreende­r e saber perdoar, porque estas pessoas não estão vendo o outro lado e não estão por dentro do problema como nós estamos. Claro que nem sempre acertamos, mas estudo muito antes de tomar decisões. João também ajuda muito, dá opiniões e palpites”, diz.

Independen­temente do que o futuro lhe reservar — dentro ou fora da política —, Bia garante que manterá o olhar humanitári­o. “Meu sonho é diminuir a desigualda­de social. Dar as mesmas oportunida­des de estudo às crianças, para que elas tenham um futuro melhor e tirar as pessoas das ruas, para que tenham uma vida digna”, avisa Bia, sempre incansável. “Há muito para se fazer e tenho muito para viver! Ainda não estou satisfeita com o que fiz até agora, seja no Fundo, como artista, como mãe, como esposa. Quero sempre melhorar”, finaliza ela. O

 ??  ?? Em SP, no Palácio dos Bandeirant­es, Bia narra a rotina dentro e fora da cena pública. Na sede do Fundo Social de SP, local onde abraça projetos.
Em SP, no Palácio dos Bandeirant­es, Bia narra a rotina dentro e fora da cena pública. Na sede do Fundo Social de SP, local onde abraça projetos.
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 ??  ?? Rotina é dividida entre as artes e as ações sociais. Bia angaria cobertores novos para moradores de rua. “Eles merecem peças limpas e novas. É dignidade”, afirma ela.
Rotina é dividida entre as artes e as ações sociais. Bia angaria cobertores novos para moradores de rua. “Eles merecem peças limpas e novas. É dignidade”, afirma ela.
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Com equipe do Palácio. Cursos de capacitaçã­o, Praças da Cidadania e sacos para dormir estão na lista de ações. Forte, ela ignora as críticas.
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