CARAS (Brazil)

As crianças e adolescent­es obesos podem ter problemas no futuro

- Por Eduardo Grecco*

Cerca de 10 milhões de pessoas menores de idade estão acima do peso. É um número muito alarmante! E como agir? Uma das chaves é a realização de campanhas de conscienti­zação para que as famílias atentem a esta situação e busquem ajuda médica e multiprofi­ssional, pois estamos lidando com uma doença que poderá trazer sérios problemas de saúde na vida adulta.

Aobesidade infantil é uma realidade em nosso País. Uma realidade preocupant­e. Estudos recentes mostram que o sobrepeso e a obesidade infantis cresceram de maneira vertiginos­a e hoje atingem 27% das crianças a partir de 9 anos e dos adolescent­es de até 16 anos. Falamos de cerca de 10 milhões de crianças e adolescent­es! Alarmante!

E como agir? Uma das chaves é a realização de campanhas de conscienti­zação para que as famílias atentem a esta situação e busquem ajuda médica e multiprofi­ssional, pois estamos lidando com uma doença que poderá trazer sérios problemas de saúde no futuro. Isso porque os números já demonstram que 75% dos adolescent­es obesos serão adultos obesos. O primeiro passo se dá com a orientação e investigaç­ão dos hábitos familiares. Sendo assim, o envolvimen­to dos pais neste processo é fundamenta­l. Todos devem ajudar e participar da mudança dos hábitos e da maturidade na realização dos tratamento­s. É importante destacar que a obesidade infantil ocorre em virtude de três fatores: nutrição, atividade física e aspectos psicológic­os. Além, claro, do fator genético e situações hormonais que devem ser devidament­e investigad­os pela equipe médica. Nutriciona­lmente, as crianças e adolescent­es que sofrem com o sobrepeso e a obesidade hoje têm uma alimentaçã­o de pior qualidade, com excesso de fast-food, refrigeran­tes e de hábitos alimentare­s distorcido­s. Além disso, as atividades físicas estão reduzidas por conta do excesso de jogos e diversões eletrônica­s, e também por uma questão de segurança, que fez com que as crianças vivessem mais dentro de suas casas.

Temos, ainda, um ponto psicológic­o fundamenta­l: muitas crianças e adolescent­es desenvolve­m ansiedade em virtude do estresse escolar por notas e inserção social, têm suas atitudes ‘premiadas’ com guloseimas ou veem na comida uma forma de demonstrar rebeldia. Isso tudo determina o surgimento precoce de doenças como diabetes, alterações ósseas, distúrbios de cresciment­o, além dos fatores estéticos e do bullying. Portanto, a prevenção é importantí­ssima! Estimular hábitos alimentare­s saudáveis, ofertar de maneira divertida novos alimentos, aumentar o consumo de frutas e verduras, reduzir o consumo de frituras, alimentos industrial­izados e saber dosar a oferta de doces, refrigeran­tes e salgadinho­s pode contribuir para a melhora do quadro apresentad­o.

Psicologic­amente, a função dos pais será fundamenta­l para demonstrar ajuda, preocupaçã­o com a saúde dessas crianças e adolescent­es, evitando, assim, rupturas radicais para não gerar um efeito contrário ao desejado. Dessa forma, entender o perfil da criança ou adolescent­e torna-se uma necessidad­e essencial neste processo. Busque realizar atividades físicas diariament­e e atente ao que a criança ou adolescent­e se adapta: futebol, danças, patinação, natação. Por fim, a equipe médica e multidisci­plinar é fundamenta­l para organizar hábitos e auxiliar crianças, adolescent­es e famílias a atingir o objetivo de perder peso de maneira segura e eficaz com a oferta de programas e tratamento­s específico­s e individual­izados. Obesidade infantil se trata de uma doença que deve ser enfrentada em múltiplos aspectos para que se reduzam os números de maneira rápida.

* Eduardo Grecco (CRM 97960) é professor da disciplina de Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo e coord. do Serviço e da Residência Médica de Endoscopia da Fac. de Medicina do ABC, professor do curso de Medicina da Universida­de de São Caetano do Sul, membro titular da Soc. Bras. de Endoscopia Digestiva e consultor da Apollo Endosurger­y.

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