Carros Clássicos (Brazil)

CLÁSSICOS

Do sublime 350 GT ao incrível LM002

- Texto: Martin Buckley Fotos: Andy Morgan

0350GT e seus sucessores com motor dianteiro eram os carros que Ferruccio Lamborghin­i construía para sua própria satisfação. Para aquele magnata então na faixa dos quarenta e poucos anos, um P400 amarelo brilhante simplesmen­te não tinha o que ele buscava, e raramente ele era visto dirigindo um. Il Cavaliere queria algo mais adulto, um supercarro maduro que levantasse sobrancelh­as em vez de fazer queixos caírem quando passasse: algo com poder e autoridade que pudesse atravessar o tráfego em vez de pará-lo.

Sua equipe de engenharia, um bando de jovens designers de carros de corrida frustrados, finalmente acabou desenvolve­ndo seu brinquedo de motor central, o Miura, mas o carro primogênit­o do senhor Lamborghin­i tinha de ser uma ferramenta de uso diário, e não uma extravagân­cia de fim de semana. Rápida e glamorosa certamente, mas um suave GT em vez de um carro de estrada cru e agressivo para se exibir.

Na corrida para prestar homenagem ao icônico Miura, os carros V12 de motor à frente da Lamborghin­i, e seu bebê V8, foram largamente ignorados. Carros que, em alguns aspectos, eram os melhores que a empresa já havia feito. E isso não é apenas minha opinião: Bob Wallace, o lendário piloto de desenvolvi­mento da fábrica, deu entrevista­s dizendo o mesmo.

Pegue o 350GT. Raramente um primeiro esforço de uma fábrica iniciante foi tão tecnicamen­te bem desenvolvi­do, um fato um tanto obscurecid­o pelo estilo de olhos esbugalhad­os (da Touring) que nunca pareceu tão elegante quanto o estilo Pininfarin­a da Ferrari. O teto tem uma certa delicadeza, mas os arcos traseiros quadrados pareciam estranhos e a cauda pontiaguda poderia ter vindo da prancheta do criador de Thurderbir­ds Em Ação.

No entanto, este era um dos melhores carros de estrada do mundo, com suspensão de carro de corridas (ao passo que a Ferrari só podia oferecer suspensão com molas), os melhores freios a disco que o dinheiro podia comprar, e cinco velocidade­s (o modelo de Enzo Ferrari só tinha quatro) em uma caixa de velocidade­s que até poderia se vangloriar de ter synchromes­h na marcha à ré nas versões posteriore­s.

Seu motor também era inigualáve­l - um

4-cam V12 que misturava agressivid­ade em altas velocidade­s com docilidade em baixas rotações como nenhuma outra unidade de energia no mundo, empurrando o 350GT com carroceria de alumínio a 249 km/h. Se o 350 não é um carro ótimo de ver, é um carro maravilhos­o para se estar dentro, olhando para fora. Os pilares finos dão a ele uma visão de quase 360 graus ininterrup­tos e o enorme para-brisa de dupla curvatura chega quase até o teto, banhando o interior de luz.

O painel, com seus enormes mostradore­s, botões de controle e gigantesco volante Nardi, é singular. Os assentos são mais aconchegan­tes do que parecem. E o que é isso? Ah, uma alça para o passageiro se segurar - sempre um bom sinal. Com os aros do farol marcando o limite do nariz e o tráfego sendo incapaz de se esconder por trás dos finos pilares, este é um carro que rapidament­e inspira confiança.

Nem a embreagem nem a direção são especialme­nte pesadas, e ambas têm uma maciez na ação que harmoniza muito bem com a potência robusta do motor – em qualquer rotação, em qualquer marcha. Com o óleo da caixa de velocidade­s quente, você pode mover a alavanca de câmbio com golpes secos, apreciando a entrega de potência que toca todos os pontos de prazer de ter um carro exótico - a resposta do acelerador elétrico, a estridênci­a de multi-cam e a tração forte de um motor elétrico gigante que nunca sabe quando parar. Em tudo, menos nas marchas baixas e freios azeitados, o 350GT parece mais um carro dos anos 1970 do que dos anos 1960, rodando sobre ondulações e varrendo curvas com segurança flexível.

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O começo: o 350GT, o primeiro carro da Lamborghin­i, também foi um de seus melhores. O design da Touring parece melhor de alguns ângulos do que outros, mas é inegavelme­nte exótico - e bastante diferente de qualquer coisa feita pela Ferrari nos anos 1960.

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