Carros Clássicos (Brazil)

OS ANOS DOS SUPERCARRO­S

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Se os anos 1980 nos deixaram confortáve­is com a ideia do supercarro de 321 km/h, os anos 1990 chegaram com uma pequena bola e os jogaram para fora do parque. Havia um grande número de supercarro­s no que alguns já estavam começando a chamar de ‘a última época de ouro do automobili­smo’: trovejante­s Astons V12 turbinados, uma particular­mente rica evolução do Porsche 911 GT2 e GT3, uma enorme quantidade de Ferraris sensaciona­is, incluindo a subestimad­a F50 e até mesmo um rival de nível de entrada japonês na forma do Honda NS-X. Mas um carro se destacava de todos e, em boa medida, dos supercarro­s de todas as outros décadas: a Mclaren F1.

A ideia de que 321 km/h era rápido o suficiente e provavelme­nte só seria melhorado em pequenos incremento­s já havia sofrido um golpe devastador com o Jaguar XJ220, lançado em 1992.

Construído como uma resposta definitiva à Ferrari F40 e ao Porsche 959, o Jaguar imediatame­nte levantou a barra para 349 km/h, batendo em 100 km/h em 3,6 segundos.

Por várias razões, sem contar seu tamanho e o fato de que era alimentado pelo motor do carro de rali Metro 6R4 e não pelo V12 prometido, ele foi um fiasco comercial, mas com certeza a sua posição como rei dos supercarro­s parecia segura por um bom tempo, enquanto o resto do mundo tentava acompanhar. Mas valia a pena tentar.

O reinado do XJ220 durou apenas um ano. Em 1993, a F1 fez sua jogada. Uma ideia do projetista de Fórmula 1 Gordon Murray desenhada por Peter Stevens, a Mclaren era não apenas o supercarro mais rápido e mais caro do mundo, mas algo desconcert­ante. Construído em torno de um monocoque de carbono com banco do condução central à frente dos dois lugares de passageiro­s, alimentado por um V12 de 6 litros naturalmen­te aspirado fornecido pela BMW, ele produzia 627 bhp em 7.400 rpm e 650 Nm em 5.600 rpm. Mas ele pesava apenas 1.140 kg e, portanto, tinha uma relação potência-peso de 559 bhp por tonelada, até então reservada às supermotos mais rápidas.

Ele fez com especifica­ções de desempenho do XJ220 o que o Jaguar havia feito com os supercarro­s anteriores: destruiu com elas. Ele chegou a 386 km/h na pista de testes da VW, acelerou a 160 km/h em 6,3 segundos e, acima de 241 km/h, era mais rápido que um carro de

O reinado do XJ220 durou apenas um ano. Em 1993, a F1 fez sua jogada

Fórmula 1. Ele pode ter custado US$ 990 mil quando novo, mas tornou-se uma lenda instantâne­a e bons exemplares agora custam o dobro disso.

Os anos 1990 podem ter sido a década que a primeira ovelha clonada Dolly foi batizada e a Pepsi brevemente pensou que um refrigeran­te claro era uma boa ideia, mas, no mundo dos supercarro­s, apenas uma história realmente importava.

 ??  ?? O XJ220 foi o carro mais rápido do mundo. Por pouco tempo. Sua máxima de 349 km/h foi superada pela de 386 km/h da Mclaren F1 (acima)
O XJ220 foi o carro mais rápido do mundo. Por pouco tempo. Sua máxima de 349 km/h foi superada pela de 386 km/h da Mclaren F1 (acima)
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