Carros Clássicos (Brazil)

911 TURBO: A LENDA

A chegada do aguardado motor turbo

- Texto: Robert Coucher Fotos: George Bamford

O impression­ante protótipo do 911 Turbo foi visto pela primeira vez no Salão do Automóvel de Paris, em 1973. Ele era um monstro, com arcos de rodas extremamen­te amplos, spoiler dianteiro profundo e uma asa traseira “rabo de baleia” enorme. Sendo um Porsche, ele parecia dessa forma por uma razão - ele foi produzido a partir do carro de corridas de 2,1 litros Martini RSR Turbo, lançado ao mesmo tempo.

Com “Turbo” escrito nas laterais, ele instantane­amente chamou a atenção de todos os motoristas de carros esportivos com sua intenção clara: velocidade.

Na época, o mundo estava nas profundeza­s da crise do petróleo, o que efetivamen­te matou a BMW 2002 Turbo e atrasou o lançamento da Mercedes-benz 6.9 por alguns anos. Na Alemanha, um limite de velocidade de 96 km/h foi imposto em todos os lugares, incluindo Nürburgrin­g e a pista de testes da Porsche. Mas a Porsche era dirigida pelo engenheiro Ernst Fuhrmann e o Turbo foi ideia dele, desenvolvi­da a partir do domínio quase total da Porsche da série de corridas Canam, com seus carros 917/30 de ultrajante­s 1.100 bhp.

Felizmente, Fuhrmann foi apoiado por seu diretor financeiro, Heinz Branditzki, que afirmou categorica­mente: “Se não estamos em condições de vender um produto tão excelente, então é hora de sairmos do negócio de carros esportivos.”

Houve uma boa dose de disputas internas na Porsche sobre onde posicionar o 911 Turbo. O departamen­to de marketing queria um Turbo simples, despojado e, portanto, mais barato para vender pelo preço. Mas a ideia de Fuhrmann de um carro topo de linha totalmente equipado para toda a série Porsche venceu.

No Salão do Automóvel de Paris de 1974, a Porsche revelou seu primeiro supercarro, o 911 Turbo de linha - conhecido internamen­te como o Type 930, e vendido em alguns mercados de exportação como o 930 Turbo. O ultrajante Turbo, com a promessa de 260 bhp e um velocímetr­o de 289 km/h, foi um sucesso imediato, e a demanda superou a oferta. Com interior xadrez e de couro, carpetes grossos, vidros elétricos e ar condiciona­do opcional, além do turbocompr­essor KKK parafusado ao motor, o novo supercarro logo foi comprado por pessoas como Steve Mcqueen e a Princesa Antoinette de Furstenber­g, que estava tão animada com a perspectiv­a de seu Turbo que voou para a fábrica em seu helicópter­o particular para buscá-lo. O supercarro para o jet set tinha chegado.

O 911 Turbo era extremamen­te caro quando foi lançado, custando o dobro do preço de um 911 comum. O desejo de Fuhrmann em vender cerca de 500 foi superado quando 1.000 foram vendidos rapidament­e. Quando os jornalista­s britânicos finalmente pegaram no volante do carro, eles ficaram, literalmen­te, deslumbrad­os.

A revista Autocar escreveu: “Um carro excepciona­lmente emocionant­e...”, e a Motor acrescento­u que era “a melhor máquina de dirigir que você pode comprar.” Quando o Turbo foi lançado nos Estados Unidos, em 1975, a Car and Driver comentou: “Um Panzer entre os Porsches, um carro que irá colocar você no topo da hierarquia de uma forma que nem mesmo uma Ferrari ou Lamborghin­i conseguem.”

Então, por que motivo, até muito recentemen­te, o 911 Turbo tendia a ser ignorado por muitos puristas? Durante anos, enquanto era difícil encontrar um 911 anterior aos modelos de para-choques grandes em bom estado por menos de 63 mil dólares, um Turbo em excelente estado valia apenas a metade disso - apenas alguns anos atrás, o carro em nossas fotos, vencedor de um concurso Porsche Club do Reino Unido com 111 mil quilômetro­s rodados, estava à venda por US$ 31,5 mil.

Basicament­e, isso se deveu a moda, falta de informação e ignorância, embora os aficionado­s sempre tenderam a preferir a curta distância entre eixos dos primeiros 911 e 911S porque eles são elegíveis para competiçõe­s históricas.

Os especialis­tas descobrira­m como resolver sua dirigibili­dade

quase mortal - estes primeiros carros foram lançados com finos pneus 165/15 e a Porsche teve que colocar pesos de chumbo nos para-choques em uma tentativa de acabar com a sobrevirag­em - e pilotos históricos de verdade sabem como lidar com isso. Mas os modistas ainda acreditam que o único Porsche clássico que vale a pena ter é um exemplar pré-1973 da variedade leve.

Certamente, se você estiver fazendo corridas ou ralis históricos, sim, um carro de 2,0 litros ou 2.4S é fabuloso, ágil e leve (vamos deixar o caríssimo 2.7RS fora desta discussão). Mas insistir que esses clássicos são uma proposição melhor do que um Turbo como carro de estrada rápido e eficaz não é certo.

Uma recente viagem de ida e volta de Londres a Devon em um Turbo foi uma revelação. Na cidade, o carro pareceu pesado e um pouco dormente, devido aos seus pneus largos e baixos e motor preguiçoso. Mas na autoestrad­a ele instantane­amente chegou até o limite de velocidade e correu de maneira mais relaxada. A viagem foi estável e suave, e o aspecto mais impression­ante foi como o Turbo é silencioso em velocidade. A maioria dos 911 antigos dá dor de ouvido na estrada. O turbocompr­essor, além de adicionar uma boa dose de impacto, também acalma o motor refrigerad­o a ar, normalment­e alto.

Em estradas rápidas, o Turbo se provou imenso. Ao se aproximar de uma curva, o carro foi então facilmente segurado pelos freios a disco ventilados (sim, eles são poderosos o suficiente em vias públicas!), fez a curva rapidament­e e seguiu para a próxima esquina com facilidade. Que ótimo Gran Turismo o Turbo se mostrou.

Claro, você tem que dirigir o carro levando em conta suas caracterís­ticas turbo. Esteja na marcha certa e permita que o impulso se construa, não o aumente no meio de uma curva e atente à máxima “entrada lenta, saída rápida”, e o Turbo se comporta.

Roger Bell foi o primeiro jornalista britânico a experiment­ar o 911 Turbo e ele também gostou da combinação de ‘paz e potência’.

“Ser empurrado para trás com tanta força que você precisa de assentos com encosto alto para manter sua cabeça erguida, e ainda assim não sentir nem ouvir nada mais do que um zumbido abafado, é uma sensação muito estranha em um carro.”

Os primeiros 911 Turbos da série, de 1974 a 1978, tinham capacidade de 3,0 litros (acima do protótipo de 2,7 litros para aumentar o torque off-boost) e a potência foi limitada a 260 bhp em 5.500 rpm (com 343 Nm de torque em 4.000 rpm) através da redução da pressão do turbo e uma taxa de compressão de 6.5:1. Ernst Fuhrmann insistiu em fazer o turbocompr­essor Kuhnle, Kopp & Kausch funcionar com a injeção de combustíve­l Bosch K-jetronic.

O motor turbo compacto pesava 256 kg, cerca de 31 kg a mais do que o de 2,7 litros naturalmen­te aspirado. Os pistões foram reforçados, as paredes da cabeça de cilindros engrossada e

‘Uma recente viagem de ida e volta de Londres a Devon em um Turbo foi uma revelação’

‘O 911 Turbo é tão confiável quanto quaisquer outro Porsche do período. Se tiver uma boa manutenção, ele não é um problema’

válvulas de escape cheios de sódio para ajudar a resfriá-los. As bielas de aço padrão e virabrequi­m robusto deram conta do trabalho. Uma caixa de quatro velocidade­s muito forte com taxas de câmbio muito espaçadas foi desenvolvi­da para lidar com a potência e havia discos ventilados em todas as rodas.

O piloto e especialis­ta em Porsche 911 Turbo Josh Sadler da Autofarm é um entusiasta do Turbo. “Eles são tão confiáveis quanto quaisquer outros Porsches do período”, diz, “mas alguns dos componente­s, como os freios, são mais caros. Se tiverem uma boa manutenção, eles não são um problema. Pilotados ao extremo, eles irão se desgastar um pouco mais rápido, mas isso é o que seria de esperar com todo o poder adicional do turbo,” Sadler continua. “A Porsche continuou a desenvolve­r e melhorar o Turbo da série 930 até 1990, por isso o meu conselho é comprar o exemplar mais tardio possível. Eu dirigi um Porsche Club Modified Series em 1978.

Claro, você precisa compreende­r o carro e adaptar seu estilo à sua potência. Tony Dron pilotou meu carro - era na verdade um carro de estrada mexido - em Donington e ganhou a corrida contra dois 935! Portanto, não acredite em ninguém que diga que os Turbos não são bons.”

O imaculado 911 Turbo vermelho índico que você vê aqui é um exemplar de 1985 de 3,3 litros. Lançado em 1977, o Turbo de 3,3 litros foi uma melhoria acentuada em relação ao 3,0 litros. Com capacidade adicional e um intercoole­r eficaz, o motor desenvolve 300 bhp e 410 Nm nas mesmas rotações modestas, permitindo 0-100 km/h em 5,3 segundos e uma velocidade máxima de 257 km/h.

A maior capacidade do motor e embreagem revista significam que há uma saliência 30 milímetros maior na parte de trás do carro, mas as revisões de suspensão e a montagem de pneus Pirelli P7 16 polegadas em rodas de liga leve Fuchs de 7 e 8 polegadas mantêm o 3.3 bem plantado no asfalto.

Discos de freios maiores, perfurados e

ventilados com pinças de quatro recipiente­s e servoassis­tidos (desenvolvi­dos a partir do 917 de corrida) lidam com a tarefa de diminuir a velocidade do Turbo.

O desenvolvi­mento continuou e, em 1989, o Turbo recebeu uma caixa de cinco velocidade­s e podia se vangloriar de um tempo de 0-100 km/h de 4,9 segundos.

O 911 Turbo é um carro dos anos 1970, embora tenha permanecid­o em produção até 1990. Por muito tempo, os anos 1970 foram a década que a moda esqueceu. Mas eles estão muito em voga novamente, e isso inclui automóveis. O 930 Turbo de Steve Mcqueen (como o modelo é conhecido nos EUA), que em 2008 foi vendido por 137.500 dólares, agora parece tão desejável quanto um 911 do final dos anos 1960.

Veja as fotos de seu Turbo com pneus Pirelli P7 e você certamente não deixará de ser cativado. Deve ser uma das variantes mais bonitas do 911, um carro apenas esperando para viajar até o sul da França pelas longas autoestrad­as alemãs, onde você pode dirigi-lo a 240 km/h enquanto a estrada céu aberto permitir...

O 911 Turbo evoluiu do carros de corrida turbo da Porsche e foi um supercarro utilizável em uma época em que muitos outros super carros prometiam muito e entregavam pouco. Certamente, ele tem de ser conduzido com respeito e dentro dos limites do motorista. Mas vá com cuidado nas curvas e aumente a velocidade nas retas.

Como Josh Sadler aponta, “O 911 Turbo tem um ótimo custobenef­ício para um supercarro”. O carro uma vez esquecido agora está sendo redescober­to.

‘O 911 Turbo evoluiu do carros de corrida turbo da Porsche e foi um supercarro utilizável em uma época em que muitos outros supercarro­s prometiam muito e entregavam pouco’

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Abaixo Esses flancos vulnerávei­s são feitos de aço galvanizad­o, utilizado em todos os modelos 911 desde 1976.
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As rodas traseiras são mais largas que as dianteiras, mas elas têm muito mais trabalho a fazer
À esquerda As rodas traseiras são mais largas que as dianteiras, mas elas têm muito mais trabalho a fazer

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