Carros Clássicos (Brazil)

TÉCNICA DE DIREÇÃO

Ex-instrutor ensina a domar um 911 Turbo

- Fotos cortesia da Autoexpres­s CARROS DE SONHO

Não há como fugir disto:

os primeiros 911 Turbo eram carros complicado­s. Eles eram homologaçõ­es especiais, é claro, destinados a uma base de clientes muito limitada, mas alguém no departamen­to de marketing convenceu os chefes de que os carros de estrada para consumidor­es deveriam ser luxuosamen­te equipados, mesmo com vidros elétricos, e todo mundo queria um.

Cerca de 30 anos atrás, como um instrutor oficial da Porsche Customer Driving Days, eu dirigi muitos deles. Lembro-me de levar um proprietár­io, um alegre e simpático Geordie, para um passeio em volta do circuito de Donington em seu novo Turbo de 3,0 litros. Ele pediu para eu pilotar o mais rápido possível, e eu concordei. Na segunda volta, através das descidas curvas de Craner, eu aumentei a potência conforme o carro balançava no lado oposto. Ele começou a rir: “Meu Deus, cara, é fantástico!”, disse. “Eu nunca soube que meu carro poderia fazer isso.”

“Espera aí, meu amigo”, eu pensei. “Ainda não provamos que ele faz isso...”

Mas fiquei quieto. O carro estava se comportand­o bem, fazendo curvas sem problemas, com apenas um traço de sobrevirag­em, e ele estava indo muito rápido, mas nervoso. O menor erro da minha parte teria ter feito ele voar para fora

da pista em uma das várias direções possíveis. Exigiu muita habilidade, fazendo da condução séria algo difícil realizar em vez de divertido.

Ao fazer as curvas progressiv­amente mais rápido, em busca de um tempo de volta rápido, o velho Turbo tinha uma subviragem previsível ao entrar nelas. Conforme as velocidade­s de entrada em curva foram aumentado, a mudança para sobrevirag­em foi muito rápida e o notório atraso do turbo tornou quase impossível a aplicação precisa do torque necessário.

Eu nunca fiz um girar, mas esses carros com certeza faziam você suar. Eu sempre levava muitas camisas limpas. Eles ficavam um pouco melhores quando o diferencia­l de deslizamen­to limitado opcional estava montado, mas mesmo assim eles eram monstros. Respeite-os; e se concentre.

O único truque, se é que havia algum, era dirigir conforme as regras, de forma extremamen­te suave e com um senso de ritmo quase sobre-humano. Um passo em falso, em alta velocidade, e você estaria fora. Com uma exceção, todos os nossos clientes eram sábios o suficiente para não se aproximar do limite de velocidade nas curvas muito rápidas.

Um proprietár­io desenvolve­u o estranho truque de deslizamen­to lateral nas curvas muito lentas, sem acelerar até que o carro tivesse praticamen­te parado. Funcionava, mas qual era o ponto? Um triciclo poderia ultrapassa­r aquele cara. Um proprietár­io que não mostrou o devido respeito acabou capotando rapidament­e no concreto em Red gate Corner e destruindo seu carro de motor traseiro - caro!

Para o puro prazer de condução na estrada, eu achava os modelos normalment­e aspirados infinitame­nte preferívei­s, e continuo achando. Eles parecem tão seguros, tão maravilhos­amente estáveis nas curvas e oferecem a clássica experiênci­a de condução do 911. Tente conduzir um dos primeiros Turbo na estrada assim e você está procurando problema. Quando há sobrevirag­em, é de verdade.

Em 1976, o motor de 3,0 litros original parecia incrivelme­nte rápido, mas os tempos mudaram: até mesmo um humilde Boxster de 2,7 litros é quase idêntico na corrida de 0-100 km/h e é na verdade 3,2 km/h mais rápido.

Para ser justo, os Turbos de estrada foram rapidament­e melhorados, especialme­nte depois que o motor de 3,3 litros foi introduzid­o. Usada corretamen­te, a aceleração para ultrapassa­gem era de tirar o fôlego.

Devidament­e preparado para corridas, eles eram muito diferentes. Anos mais tarde, eu tive uma corrida única em Donington no 930 de Josh Sadler e tive sorte, graças ao clima incomum. Este era um carro de estrada quase padrão, exceto pelos seus pneus de corrida e suspensão mais dura. Com dois 935 e outras máquinas quentes naquela corrida exclusiva de Porsches, era esperado que corrêssemo­s bem, conseguind­o uma vitória de classe.

Apesar de uma garoa muito fina, pneus lisos ainda eram a escolha certa: o carro de Josh pareceu muito bem equilibrad­o, os 935 e todo o resto sofreram com uma terrível subviragem, e eu ganhei com bastante facilidade. O tempo, como eu digo, estava a meu favor.

O mais rápido Turbo de 3,0 litros de série foi provavelme­nte o 934 de 1976 que pilotei em Le Mans em 1982. Com 625 bhp até então, ele fazia 329 km/h na reta. Cinco anos de desenvolvi­mento haviam eliminado o atraso do turbo e sua dirigibili­dade era ótima – isto é, se você gosta de correr um pouco de lado a mais de 240 km/h.

Aqueles antigos Turbos de tração traseira eram selvagens, emocionant­es e davam uma chacoalhad­a na parte de trás quando seus turbos começavam a girar. Sua capacidade de aderência e frenagem eram excelentes, mas, em última análise, eles andavam muito.

Objetos de coleção? Sem dúvida, mas o verdadeiro destino deste emblemátic­o carro Porsche surgiu mais tarde, com o Turbo 4x4, e isso levou a uma linha de carros de corrida fantástica.

Para uma avaliação mais extensa do 911 Turbo, veja o livro de Tony Porsche – Engineerin­g for Excellence, publicado pela Haynes.

‘O único truque, se é que havia algum, era dirigir conforme as regras, de forma extremamen­te suave e com um senso de ritmo quase sobre-humano’

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