Carros Clássicos (Brazil)

ENGATE PRECISO

A ALAVANCA NA COLUNA, além de caracteriz­ar os MODELOS MAIS ANTIGOS DA LINHA OPALA, tem fácil manutenção e pode SER FACILMENTE RESTAURADA

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DEFEITOS NO MECANISMO SÃO GERALMENTE PROVOCADOS PELO DESGASTE DAS PEÇAS DE PLÁSTICO

Durante a década de 1940, os automóveis americanos começaram a ser equipados com uma grande novidade: a alavanca de câmbio na coluna de direção. Sim, isso mesmo: pode até parecer estranho, mas essa solução, aparenteme­nte antiquada, foi na época, uma evolução em relação à alavanca no assoalho utilizada desde os primórdios do automóvel. A solução foi tão bem-aceita pelo consumidor americano que, da década seguinte, somente modelos de apelo esportivo, como o Chevrolet Corvette, vinham de fábrica com alavanca no assoalho. Essa preferênci­a perdurou por cerca de 30 anos. Mesmo assim, ainda hoje, são produzidos por lá modelos com alavanca na coluna, em geral, equipados com câmbio automático. Consideran­do que a linha Opala teve sua mecânica derivada de um projeto americano, com câmbio manual de três marchas, foi algo normal ser lançado no Brasil com a alavanca na coluna de direção. O câmbio de quatro marchas, com alavanca no assoalho, só surgiu com o modelo esportivo SS, em 1971. Mas esse “pacote” logo se tornou item opcional nos modelos Gran Luxo, Luxo e Especial devido a vantagens como engates de marchas mais fáceis e precisos, que também proporcion­am maior agilidade nas ultrapassa­gens. Com isso, o câmbio de quatro marchas logo se popularizo­u, enquanto diminuía drasticame­nte a opção pela alavanca na coluna.

PROBLEMAS NA COLUNA

A troca do trambulado­r do câmbio de quatro marchas também era mais fácil para os mecânicos, do que fazer a revisão no sistema de acionament­o na coluna, operação que, muitas vezes, exigia a retirada do tubo interno desta. Assim, muitos foram os “profission­ais” que, na década de 1980, convenciam seus clientes a substituir a caixa de três marchas pela de quatro, descaracte­rizando milhares de carros por todo o Brasil. Por isso mesmo, achar um Opala com alavanca na coluna, atualmente, é uma raridade que vale ser preservada. “Os defeitos no mecanismo de acionament­o da coluna são decorrente­s, em geral, do desgaste de peças móveis de material sintético. Estas devem ser substituíd­as periodicam­ente para evitar que as marchas encavalem”, explica Leandro Bucci, proprietár­io da Reparações ACME, oficina especializ­ada em veículos antigos de São Paulo. Para solucionar esse problema, é preciso retirar o volante de direção. Depois, todo o sistema é sacado e deve ser limpo, antes de ter suas peças avaliadas. Os braços de acionament­o da primeira marcha e da ré

OS PINOS SÃO DE MATERIAL BEM RESISTENTE; Já O RESSALTO-GUIA PODE SER RECUPERADO COM SOLDA

são semelhante­s aos existentes no trambulado­r “de assoalho” e correm pelo tubo de aço interno da coluna de direção. Nesse tubo, existe um ressalto que serve de guia e que costuma desgastar com o tempo, gerando folgas no sistema. Por isso, deve-se recuperar este ressalto com solda ou, em casos mais extremos, retirar o ressalto velho e soldar um novo no lugar.

LEVANDO BUCHA

Ainda entre os dois braços de acionament­o existe um espaçador de náilon que também costuma desgastar e, caso quebre, impedirá o engate das marchas. Esse componente deve ser trocado com certa frequência. Na parte inferior dos braços, nos furos menores, são instaladas buchas de borracha, isolam dos respectivo­s pinos, nos quais vão encaixadas as varetas que acionam as luvas de engate das marchas dentro da caixa. Cada pino conta, ainda, com prendedor, luva, arruelas (normal e de pressão) e porca. Entretanto essas peças dificilmen­te apresentam problemas, pois são confeccion­ados com material bem mais resistente. Os defeitos mais comuns ocorrem mesmo nas buchas, necessaria­mente mais frágeis, incluindo aquelas que vão nas varetas inferiores (de desenho diferente), ficam embaixo do assoalho, do lado esquerdo do canhão do câmbio. Quando em mau estado, as pequenas (mas importantí­ssimas) buchas criam jogo excessivo, o que também pode provocar o encavalame­nto das marchas. Além disso, os retentores (pequenas cupilhas existentes nos braços inferiores) costumam oxidar com o passar do tempo, ficando frágeis e permitindo que os “bracinhos” se soltem, o que também inviabiliz­a o engrenamen­to das marchas.

NOVO DE NOVO

Um item que pode necessitar de substituiç­ão, na parte do tubo interno, do lado que fica dentro do cofre do motor, é o vedador, que tem formato circular e lembra uma esponja de cerdas duras. No outro extremo do sistema, junto ao volante de direção, existem outros dois pontos problemáti­cos: a própria a alavanca de câmbio e a sua carcaça, localizada atrás da chave de seta. A alavanca (que pode já não contar com sua mola interna) costuma apresentar desgaste na ponta e, quando isso acontece, deve ser levada a um torneiro para refazer a área. O desgaste também atinge a carcaça, peça feita de zamac e que serve para dar acabamento na coluna de direção. O problema ocorre com anos de manuseio

constante na área em que é instalado o pino de encaixe da alavanca. Neste caso, basta abrir um pouco mais o furo (se estiver ovalizado) e instalar um pino de maior diâmetro, com o cuidado de não deixar as paredes da carcaça e da própria alavanca finas demais. Outra opção é embuchar ambos os componente­s e colocar um pino de tamanho normal. O importante, obviamente, é que ambas as peças trabalhem sem folgas. Após a troca de todos os itens defeituoso­s ou desgastado­s, é necessário realizar uma lubrificaç­ão geral dos componente­s antes da remontagem. Segundo o especialis­ta, esse serviço não é difícil de ser feito e demora cerca de quatro ou cinco horas para ficar pronto. “A mão de obra fica em torno de R$ 250,00 e nela também estão inclusas as quatro buchas de borracha. Porém, se houver a necessidad­e de trocar itens como o vedador e o espaçador ou refazer o ressalto, retrabalha­r a alavanca e a carcaça da coluna, tanto as peças quanto o serviço são cobrados à parte”, explica. O importante, entretanto, é saber que os sistemas de acionament­o com alavanca de na coluna não só podem ser devidament­e reparados como o serviço, relativame­nte simples, mas também são mais baratos do que a adaptação de um câmbio de quatro marchas com alavanca no assoalho. Daí, conclui-se que não é necessário descaracte­rizar qualquer Opala para ter uma caixa de câmbio confiável.

AS BUCHAS DE BORRACHA, O VEDADOR E O ESPAÇADOR SÃO OS COMPONENTE­S QUE DESGASTAM COM MAIS FACILIDADE

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 ??  ?? Para a manutenção, é necessário retirar e limpar todo o conjunto e verificar a folga nos braços de acionament­o (abaixo)
Para a manutenção, é necessário retirar e limpar todo o conjunto e verificar a folga nos braços de acionament­o (abaixo)
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 ??  ?? Os pinos e seus componente­s (porca e arruelas) dificilmen­te apresentam problemas, pois são fabricados com material bem mais resistente
Os pinos e seus componente­s (porca e arruelas) dificilmen­te apresentam problemas, pois são fabricados com material bem mais resistente
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 ??  ?? As buchas de borracha devem ser trocadas regularmen­te; já o vedador e o espaçador podem ser reaproveit­ados
As buchas de borracha devem ser trocadas regularmen­te; já o vedador e o espaçador podem ser reaproveit­ados
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