Carros Clássicos (Brazil)

TRANSPARÊN­CIA NA EVOLUÇÃO

OS VIDROS DIVERSOS MODELOS DA utilizados nos LINHA OPALA EVOLUÇÃO demonstram a desse material AUTOMOBILÍ­STICA BRASILEIRA na indústria

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Cromados reluzentes, lanternas novas, pintura impecável e... vidros riscados e lascados. Ou, então, sem o emblema original da GM, algo que não combina com um carro em perfeitas condições, digno de placa preta. Porém, problemas com vidros para veículos da linha Opala, pelo menos por enquanto, ainda são relativame­nte fáceis de ser resolvidos, conforme mostramos nesta reportagem. Vale lembrar que o vidro é constituíd­o por uma mistura de diversas substância­s, especialme­nte silicatos e boratos. Mas os vidros utilizados nos primeiros automóveis estilhaçav­am em pedaços grandes, que causavam graves ferimentos, especialme­nte porque não havia cintos de segurança. Foram desenvolvi­dos, então, os vidros de segurança que se dividiam em dois tipos distintos: estratific­ados e temperados.

AS DIFERENÇAS

O tipo estratific­ado tinha uma lâmina de celuloide entre duas chapas de vidro. Porém, com o tempo, devido à incidência de radiação ultraviole­ta (UV) e a outros fenômenos naturais, o celuloide amarelava e formava bolhas, razão pela qual seu uso foi rapidament­e abandonado e esse tipo de vidro acabou sendo substituíd­o pelo vidro temperado, que já equipava o Opala por ocasião do lançamento, no fim de 1968. De produção mais barata, o vidro temperado é constituíd­o por uma única chapa de vidro com cerca de 5 mm de espessura, que, depois de cortada e de ter suas bordas polidas, é levada ao forno e aquecida a uma

O OPALA FOI LANÇADO 1968 EM Já COM VIDROS TEMPERADOS, PORÉM, SEM A “ILHA DE SEGURANÇA”, ADOTADA APENAS NA SEGUNDA METADE DA DÉCADA 1970 DE

temperatur­a de 500 a 600 graus Celsius. Em seguida, a peça é resfriada rapidament­e com jatos de ar frio. Isso provoca o esfriament­o mais rápido das camadas superficia­is em relação à parte interna da chapa. A superfície do vidro fica em estado de compressão, enquanto a interna fica sob tensão, tornando a parte peça mais forte e rígida. Completand­o as vantagens do processo, quando o vidro se quebra, as tensões internas provocam a ruptura em fragmentos bastante pequenos e menos perigosos. Entretanto, quando esse tipo de vidro “estilhaçav­a”, seus fragmentos, muito pequenos, acabavam impedin

do a visão do motorista, obrigando-o a fazer um buraco para poder ver alguma coisa. Foi por isso que surgiu, na segunda metade da década de 1970, o vidro temperado com ilha de segurança, em que uma têmpera diferencia­da deixava a área de visão do motorista com fragmentos maiores, permitindo relativa visibilida­de. Mas, ainda na década de 1960, foi desenvolvi­do o vidro laminado, evolução do estratific­ado. Basicament­e, o celuloide foi substituíd­o por uma película plástica (butirato de vinila) que não perde a transparên­cia e tem maior elasticida­de. Além disso, essa película provoca menor risco de ferimentos em caso de quebra, pois “segura” as duas chapas de vidro, motivo que levou as autoridade­s dos EUA a exigirem que os veículos automotore­s americanos fabricados a partir de 1967 usassem esse tipo vidro na confecção dos para-brisas. Dois anos depois, o mesmo ocorreu na Itália e, em 1970, na Suécia.

FUMÊ E RAY-BAN

TAMBÉM CONHECIDO RAY-BAN, COMO OS VIDROS VERDES SURGIRAM COMO PEÇAS OPCIONAIS A 1975 PARTIR DE

No começo dos anos 70, quando cresceu a oferta de acessórios no mercado brasileiro, surgiu uma nova opção para os modelos da linha Opala: o vidro fumê. A ideia foi da empresa Para-brisas Panorâmico­s. O produto, na época de seu lançamento, era disponível em três tonalidade­s diferentes: verde-claro, bronze e cinza. Logo, porém, as autoridade­s de trânsito proibiram

a utilização desses kits, pois todas as tonalidade­s eram escuras, o que, segundo os especialis­tas em segurança, diminuíam a visibilida­de e podiam provocar acidentes. Atenta à demanda do mercado, a partir de 1975, a GM passou a oferecer, como itens opcionais, os vidros verdes para a linha Opala, que, na época, logo foram chamados de Ray-ban, em alusão à marca dos óculos de lentes verdes lançados pela Bausch & Lomb em 1937 e que ficaram famosos por terem sido usados pelos aviadores americanos na Segunda Guerra Mundial. A função dos vidros verdes era a mesma dos óculos dos pilotos de avião: proteger os olhos dos

A PARTIR DA DÉCADA 1980, GM DE A PASSOU A OFERECER VIGIA TÉRMICO E BANDA SUPERIOR AZUL NO PARA-BRISA COMO ITENS OPCIONAIS

raios infraverme­lho e ultraviole­ta. Os vidros verdes obtiveram razoável difusão principalm­ente na versão Comodoro e no esportivo SS. Em 1977, a Ford inovou no lançamento do Corcel II, que já vinha equipado com para-brisa de vidro laminado. Assim, no início da década de 1980, a GM também passou a oferecer no Opala o parabrisa laminado Blindex Laminex, que também vinha com banda superior colorizada azul (cor utilizada originalme­nte pela GM), apesar de também serem oferecidos no mercado paralelo para-brisas com faixa verde ou bronze. Além disso, a fábrica passou a oferecer, também opcionalme­nte, vigia térmico. A última grande mudança nos vidros da linha Opala ocorreu em meados de 1991, quando os vidros das por

tas dianteiras (exceto na Caravan) passaram a ser maiores, quando os quebra-ventos foram abolidos.

PEÇAS USADAS

Os vidros originais, com a marca GM, já deixaram de ser fabricados há algum tempo. Esses vidros EM 1991, A ÚLTIMA MUDANÇA: VIDROS LATERAIS DIANTEIROS MAIORES, SEM QUEBRA-VENTO trazem a marca GM impressa em tinta branca e também já desaparece­ram dos estoques das lojas especializ­adas. Para quem necessita repor algum vidro do Opala que tenha quebrado ou sido riscado (ou mesmo trocá-lo por um original), a solução mais indicada é procurar nos desmanches, os

populares ferros-velhos. Porém não é qualquer estabeleci­mento que trabalha com esse tipo de mercadoria; apenas aqueles que vendem peças para carros mais antigos, fabricados nas décadas de 1970 e 1980. Na capital paulista, esse tipo de comércio é bastante comum na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em Pirituba, zona oeste da cidade. Isso acontece porque os desmanches da região costumam se abastecer nos leilões do Detran, adquirindo lotes de veículos apreendido­s, que geralmente costumam ficar guardados no pátio da autarquia por muitos anos. Lá, é possível achar facilmente os vidros originais, translúcid­os ou verdes. No primeiro caso, encontramo­s o para-brisa comum vendido por R$ 150 e o verde, por R$ 180. Já cada vidro de porta da versão de quatro portas custa R$ 80 (comum) e R$ 100 (verde) e o vigia, tal como o da Caravan, fica por R$ 80 (comum) e R$ 130 (verde). Em outro desmanche, na mesma região, encontramo­s os vidros laterais da Caravan por R$ 100 (comuns) e R$ 130 (azuis). Já os vidros de porta do Cupê, encontramo­s por R$ 80 e R$ 120, enquanto os laterais traseiros custam de R$ 50 a R$ 100, e o vigia, de R$ 100 a R$ 150. Vale lembrar, para quem está a procura dos vidros fumê, que, por terem sidos produzidos em quantidade­s reduzidas e curto período de tempo, enquadram-se na categoria “mosca branca de olhos azuis” e são, portanto, raríssimos de se achar. Além disso, é importante destacar que, para adquirir vidros usados, é sempre bom ter muita paciência, pois só assim é possível localizar peças que não estejam lascadas ou riscadas. Não é aconselháv­el, portanto, comprar as primeiras peças que encontrar. Além disso, os preços de peças sempre são passíveis de negociação. Por fim, prefira estabeleci­mentos que emitam nota fiscal. Elas sempre devem ser exigidas, pois só assim é possível ter certeza de sua origem, além de facilitar a troca, caso seja necessário.

EMBORA NÃO MAIS FABRICADOS, OS VIDROS ORIGINAIS AINDA PODEM SER ENCONTRADO­S MAS EM DESMANCHES. é PRECISO PACIÊNCIA PARA ENCONTRAR PEÇAS EM BOM ESTADO

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 ??  ?? À direita, o Opala 1970, com vidros temperados ainda sem a chamada “ilha de segurança”. Abaixo, modelo 1980, dotado de “vidros verdes”
À direita, o Opala 1970, com vidros temperados ainda sem a chamada “ilha de segurança”. Abaixo, modelo 1980, dotado de “vidros verdes”
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 ??  ?? À esquerda, vidro de Comodoro com a marca GM, o que atesta a originalid­ade da peça
À esquerda, vidro de Comodoro com a marca GM, o que atesta a originalid­ade da peça
 ??  ?? Modelo 1990 com vidros originais verdes, banda azul na área superior do para-brisa e vigia térmico
Modelo 1990 com vidros originais verdes, banda azul na área superior do para-brisa e vigia térmico
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 ??  ?? As últimas versões do Diplomata vinham com os vidros laterais dianterios, sem quebra-vento
As últimas versões do Diplomata vinham com os vidros laterais dianterios, sem quebra-vento
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