Carros Clássicos (Brazil)

CONFORTO COM SEGURANÇA

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Asuspensão traseira do Opala sempre foi reconhecid­a por seu rodar macio e pela confiabili­dade. Ela é composta pelas molas helicoidai­s, pelos amortecedo­res telescópic­os, pelos braços tensores longitudin­ais – dois inferiores e dois superiores – e a barra Panhard. Vale destacar que o Opala, desde o seu lançamento, nunca apresentou problemas sérios relativos à segurança, confiabili­dade e durabilida­de dos componente­s da suspensão traseira, mas também é inegável que ele sempre se caracteriz­ou, em conjunto com a suspensão dianteira, pela rolagem excessiva da carroceria, que inclinava bastante nas curvas devido à decisão da GMB de calibrar o sistema para o máximo conforto. Em situações extremas, como todo o carro com projeto seguindo a “escola” americana, quando o peso é drasticame­nte transferid­o para a roda traseira motriz externa à curva, existe a possibilid­ade de o veículo girar sobre seu próprio eixo vertical. Por isso, em 1971, quando foi lançada a versão SS, tal caracterís­tica foi amenizada com a instalação de uma barra estabiliza­dora – em formato de “U” e montada nos tensores longitudin­ais superiores –, a fim de reduzir a rolagem. Na mesma ocasião, o Opala também passou a ter como opcional o diferencia­l com sistema Positracti­on, que já era utilizado na Veraneio, também com a proposta de garantir melhor tração em superfície­s escorregad­ias.

IDENTIFICA­NDO OS PROBLEMAS

A suspensão traseira danificada ou desgastada pode gerar diversos problemas, desde excesso de ruídos até a falta de estabilida­de, além de desnível na carroceria e vibrações em aceleração ou frenagem. O excesso de ruído provenient­e do eixo traseiro normalment­e indica folgas em diversos componente­s, mas em especial nas articulaçõ­es de borracha (buchas), nos braços longitudin­ais e nos isoladores das molas. Normalment­e, isso acontece quando esses componente­s já rodaram mais de 30 mil km. Já a falta de estabilida­de pode indicar que os amortecedo­res não estão cumprindo a sua função. Este componente, que suaviza a maior parte do efeito oscilatóri­o da mola, funciona pelo princípio físico da incompress­ibilidade dos líquidos. Em uma câmara com pistão interno, hermeticam­ente fechada, um fluido líquido (que não pode ser comprimido) e válvulas no pistão atuam em conjunto. Quando a mola recebe o impacto, a haste do pistão faz movimento ascendente forçando o fluido, que não é compressív­el, a passar de um lado do pistão para outro por pequenos orifícios, “dificultan­do” a oscilação da mola e, por conseguint­e, do veículo. Atualmente, são bastante comuns os amortecedo­res pressu

rizados por um gás inerte, geralmente nitrogênio, com a finalidade de retardar ao máximo a ebulição do fluido quando o amortecedo­r é submetido a grande esforço, por exemplo, quando o veículo trafega rapidament­e em piso muito irregular. O gás sob pressão ajuda um pouco também na carga de compressão (fechamento) do amortecedo­r. Nota-se isso com a peça fora do carro; ela tende sempre a se distender pela força de expansão do gás. Para testar a eficiência dos amortecedo­res, basta empurrar a carroceria para baixo, forçandoa com as mãos. Ao soltar, se a carroceria ficar oscilando, os amortecedo­res também devem ser substituíd­os. Normalment­e, isso ocorre devido a vazamentos de óleo, que é facil de observar. Além disso, o embolo do pistão pode estar defeituoso ou enferrujad­o, o que também exige a substituiç­ão da peça. Outro motivo pode ser os amortecedo­res, que têm batentes de borracha e que, com o tempo, também precisam ser trocados. A mola helicoidal do Opala tem passo diferencia­do para absorver os choques progressiv­amente e, da

AS MOLAS HELICOIDAI­S TÊM SUA Ação PROGRESSIV­A REDUZIDA DEVIDO À FADIGA PELO TEMPO DE USO

mesma forma, recuperar rapidament­e sua forma original após o impacto. Por isso, nas extremidad­es, ela é mais macia e na seção central, mais dura, o que provoca sua progressiv­idade. Porém, com a fadiga provocada pelo tempo de uso, ela costuma perder a elasticida­de original, o que pode ser facilmente notado observando o desnivelam­ento da carroceria ou a traseira arriada. Com isso, o amortecime­nto também é comprometi­do, afetando não só o conforto e estabilida­de, mas até a estrutura do carro, e possibilit­ando, inclusive, o aparecimen­to de trincas na parte de trás do monobloco. Já a barra Panhard não costuma sofrer o desgaste com o uso normal, mas também pode entortar acidentalm­ente. Se isso acontecer, ela também deve ser substituíd­a, pois, em tais condições, acabará forçando suas buchas. Já a barra estabiliza­dora, se deformada, poderá fazer o carro puxar para um dos lados ou produzir muito ruído ao trafegar.

OPÇÕES NO MERCADO

A oferta e o preço das peças da suspensão traseira do Opala é bastante variavel, já que elas podem ser usadas (algumas) encontrada­s em desmanches, como também sem uso, mas de estoques antigos e até mesmo de fabricação atual. Além disso, em se tratando de peças de estoque antigos ou compradas em desmanches, os valores podem mudar conforme o humor do vendedor. Assim, aconselham­os evitar visitar esse tipo de comércio vestido com roupas caras, veículos novos ou mesmo um Opala em bom estado. Afinal, qualquer Chevrolet desse tipo mais vistoso é uma “raridade”, para cujas peças os preços são sempre mais “salgados”. Um par de amortecedo­res novos oriundo de estoque antigo, como Monroe ou Cofap, pode ser encontrado por preços que oscilam entre R$ 100,00 e R$ 200,00. Já as molas helicoidai­s, que podem ser usadas, se em bom estado, também são vendidas em pares e custam em torno de R$ 50,00 (usadas) a R$ 250,00 (novas). A barra estabiliza­dora e a Panhard, usadas, custam nos desmanches, de R$ 25,00 a R$ 50,00. O kit completo de borrachas, composto por 22 peças (incluindo buchas diversas e os isoladores das molas), varia conforme a qualidade do material empregado: de R$ 170 a R$ 270,00. Já um conjunto com buchas de poliuretan­o, muito utilizadas em carros restaurado­s ou preparados para arrancadas (o kit vem sem os isoladores das molas), custa cerca de R$ 350,00.

A BARRA ESTABILIZA­DORA DEFORMADA PODE FAZER O CARRO PUXAR PARA OS LADOS

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A SUSPENSÃO TRASEIRA do Opala alia funcioname­nto suave DURABILIDA­DE, com mas, PARA ISSO, REQUER uma ADEQUADA manutenção
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A SUSPENSÃO TRASEIRA DANIFICADA OU DESGASTADA PODE AFETAR ATÉ A ESTABILIDA­DE DO CARRO
O excesso de ruído no eixo traseiro é indício de desgaste nas buchas de borracha A SUSPENSÃO TRASEIRA DANIFICADA OU DESGASTADA PODE AFETAR ATÉ A ESTABILIDA­DE DO CARRO
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 ??  ?? A mola helicoidal e a barra Panhard, dois componente­s importante­s do eixo traseiro
A mola helicoidal e a barra Panhard, dois componente­s importante­s do eixo traseiro
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O desgaste das buchas nas articulaçõ­es dos tensores também afeta a segurança
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 ??  ?? O kit completo de borrachas para a suspensão traseira do Opala é composto por 22 peças e tem preço variável
O kit completo de borrachas para a suspensão traseira do Opala é composto por 22 peças e tem preço variável
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