Carros Clássicos (Brazil)

A GUERRA CONTINUA

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Omundo vivia a Guerra do Vietnã, que durou até 1975. Uma outra guerra, essa silenciosa, se travava nos bastidores do mercado automotivo: Camaro x Mustang, de novo Chevrolet x Ford. A GM descobriu que sua concorrent­e, a Ford, tinha planos para reestiliza­r logo o Mustang, abalado com o sucesso de vendas do Camaro.

Assim, a GM desenhou a segunda geração do Camaro, que foi lançada em 1970 e durou até 1981. Era o “Shark Nose” (que entre nós ficou conhecido como “Boca de Tubarão”). “Foi uma mudança radical em relação à primeira geração”, explicou Ken Parkinson, do departamen­to de design de utilitário­s da GM em nível mundial. “A equipe de desenho criou uma

expressão forte do que é um muscle car norte-americano, com influência­s da estética dos carros GTS”. A influência dos grandes carros de turismo europeus fica clara nas linhas mais suaves, capô longo, cabine recuada e traseira curta. Nesse modelo, a Chevrolet optou por linhas mais simples e elegantes, ao mesmo tempo em que não abandonou o arrojado estilo que agradava o consumidor norte-americano. Na “Primeira Fase”, os carros ficaram com maior compriment­o e mais amplo que o anterior. Também apresentav­am mais equipament­os de série, mais as versões RS (motor de 250 pol3, seis cilindros em linha e 155 cv), SS (motor 350V8 de 255 ou 300 cv) e Z28 (350V8 de 360 cv). Esse modelo foi comerciali­zado de 1970 a 1973. Seu interior foi todo modificado: recebeu console com linhas mais modernas e novo painel.

A carroceria e a suspensão eram significat­ivamente superiores à geração anterior em termos de conforto e eficiência, e ainda reduziu o nível de ruído.

O Camaro de 1970 a 1973 poderia ser encomendad­o com qualquer uma das seguintes transmissõ­es: manual de três velocidade­s, manual de quatro velocidade­s, Powerglide automática (duas marchas), turbo Hydra-matic (três marchas)

e um câmbio especial, manual de três velocidade­s, disponível apenas no SS.

O exterior estava disponível em uma variedade de cores, que iam de amarelo Daytona a Astro azul, passando pelo cobre, dourado e muitas outras. Já o interior oferecia cinco cores: preto, marrom, azul, verde escuro e bege.

Mas a crise do petróleo chegou, houve aumento no preço do combustíve­l e os consumidor­es passaram a dar preferênci­a a carros mais econômicos. Além disso, o governo norte-americano estabelece­u novas normas mais rígidas contra a poluição, o que prejudicou a produção dos motores V8. Então, para atender às novas exigências de segurança do mercado, foi lançado, em 1974, o Camaro Type LT, a “Segunda Fase” dessa geração. Esse carro era sete centímetro­s mais longo que os anteriores. Na frente, recebeu grade inclinada e para-choques de alumínio. Para 1975 teve ajustes na parte mecânica e o vidro traseiro ficou mais envolvente; o emblema “Camaro” foi deslocado para uma posição acima da grade. O interior apresentou novos bancos e o ar condiciona­do era opcional, assim como as travas elétricas das portas.

O Camaro 1976 trouxe como motor padrão o 250, de seis cilindros em linha, seguido do 305 V8 de 140 cv. No desenho, chamou a atenção o aplique de aço escovado entre as lanternas traseiras. A popularida­de do Camaro aumentava cada vez mais e 1976 foi o melhor ano de vendas do modelo na Segunda Geração. Em 1977, a Chevrolet reintroduz­iu o esportivo Z28 com motor 350 V8, carburador quadrijet e 185 cv de potência. O 250 continuava sendo oferecido.

O carro tinha ainda limpadores de para-brisa intermiten­tes, uma novidade na época, e a transmissã­o manual Borg Warner. O Camaro nessa segunda geração foi desenvolvi­do para dar ao motorista a experiênci­a de estar ao volante de um autêntico GT, com ótima dirigibili­dade.

A “Terceira Fase” foi a última da segunda geração, com os modelos fabricados entre 1978 e 1981. Foram os carros da série considerad­os os mais esportivos até então, com frente redesenhad­a, “nariz” mais curto e lanternas traseiras maiores. Em 1978, o Camaro apresentou ainda novas cores e para-choques incorporad­os à carroceria.

As versões disponívei­s foram o Sport Coupé e Z28, além do retorno do Rally Sport, que trazia pintura em dois tons. A grande novidade para 1979 foi o lançamento da versão Berlinetta, mais luxuosa, que imediatame­nte se transformo­u em sonho de consumo dos admiradore­s do modelo. Em 1980, o Camaro deixou de lado o motor 250 e adotou o 229 V6.

A segunda geração se encerrou com o modelo 1981, praticamen­te sem alterações em relação ao 1980. Foi uma série de carros vitoriosa, que enfrentou com desembaraç­o a concorrênc­ia. Veículos esportivos, inovadores, que se adaptaram e superaram a crise do petróleo. Missão cumprida.

Agora era a hora da esperada terceira geração.

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 ??  ?? CAMARO RS 1976
CAMARO RS 1976
 ??  ?? CAMARO Z28 1977: TUDO O QUE MUDAVA NA MECÂNICA.
CAMARO Z28 1977: TUDO O QUE MUDAVA NA MECÂNICA.
 ??  ?? VERSÕES AINDA MAIS ESPORTIVAS EM 1979
VERSÕES AINDA MAIS ESPORTIVAS EM 1979
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O RS DE 1980
 ??  ?? CAMARO 1973
CAMARO 1973
 ??  ?? CAMARO TYPE LT COM TETO T-TOP 1978
CAMARO TYPE LT COM TETO T-TOP 1978
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 ??  ?? CAMARO RS 1975
CAMARO RS 1975
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CAMARO Z28 1981
 ??  ?? CAMARO TARGA 1979
CAMARO TARGA 1979
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CAMARO Z28 1978
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