Contigo Novelas

Laços de família

- POR ANDRÉ ROMANO

Longe dos folhetins há cinco anos, Murilo Benício volta à cena na novela Amor de Mãe (Globo), trama escrita pela namorada, Manuela Dias, para viver Raul. Na história, ele é um empresário cinquentão que repensa a vida, além de ser pai de Vinícius, interpreta­do pelo filho Antonio Benício

Quem é o Raul, de Amor de Mãe?

Um empresário superbem-sucedido e que, agora, está repensando a vida e as decisões que ele já tomou. Ele está em um momento de viver diferente. Por ser muito poderoso, começou a procurar a simplicida­de, e isso envolve a vida pessoal. Raul conhece a Érica, personagem da Nanda Costa, e eles se envolvem.

Você esteve um tempo longe das novelas, cerca de cinco anos. Nesse período, na TV, participou apenas de séries. Foi uma opção?

Não sei se foi natural ou planejado, mas foi acontecend­o. Novela toma muito nosso tempo, muito mais do que uma série. Nesse período, tive a oportunida­de de dirigir dois filmes, e foi um tempo abençoado pra mim. Estar fora de novela é que me deu vontade de fazer folhetim de novo. Novela dá tanto trabalho que você fica até com medo de entrar em uma. É um ano que você não tem vida. Mas acho que eu estou mais fresco para fazer novela.

A trama do Raul terá uma parte cômica?

Parece que é cômico, mas não sei, não... Claro, terá a parte cômica também, afinal, por mais desesperad­a que seja a cena ou a situação, às vezes, ela é engraçada. E a Letícia Lima, que faz a Estela, é uma atriz superengra­çada, nós fazemos umas cenas hilárias.

“Estar fora de novela é que me deu vontade de fazer folhetim de novo. Novela dá tanto trabalho que você fica até com medo de entrar em uma. É um ano que você não tem vida”

Mas acho que a história toma a parte mais profunda do ser humano, não fica só no superficia­l da graça. A trama vai para um caminho que acho muito interessan­te para a Letícia, porque ela só fez humor até hoje.

O público pode estranhar o fato de não existir uma vilã clássica em Amor de Mãe?

Acho que o público está muito moderno, mais à frente do que a gente imagina. Precisamos nos modernizar para acompanhá-lo. Essa história de núcleo de humor tem que acabar. Não tem humor nessa novela como também não tem o vilão. A gente gira em torno de muita coisa, não somos só bons a vida inteira. Todo mundo é um pouco de tudo. Essa é a proposta. E não é que não exista vilão, mas, às vezes, é a vida, uma situação, a pessoa… É uma forma de se atualizar com o público.

Qual a expectativ­a de estar na mesma produção com seu filho e interpreta­r o pai dele na trama (Antonio Benício, filho do ator com Alessandra Negrini, será Vinícius na novela)?

Fiquei com bastante expectativ­a quando soube, até porque foi uma grande surpresa para mim. O Antonio é um cara que está vindo com muita estrutura. Ele levou muito tempo para admitir que era isso que ele queria da vida. Tenho total certeza da sua vontade de ser ator. Ajudo só a pagar as contas dele.

“Nunca deixei de ser o Tufão (de

Avenida Brasil).

E já fiz vários personagen­s de sucesso, que as pessoas chegavam a imitar nas ruas, como o Arthur Fortuna, de Pé na Jaca [2005], e o Juca Cipó, de

Irmãos Coragem [1995], mas não tem jeito [risos]”

Ele estuda pra caramba, faz teatro, ensaia, isso dá uma segurança maior para nós. Meu filho e da Alessandra em uma profissão que não necessaria­mente é uma garantia de sucesso e dinheiro. Eu, pelo menos, fiquei com muito medo de ele achar que isso era o natural dele. Mas a gente sempre o deixou sozinho, à vontade. Falo o tempo inteiro para eles: ninguém trabalha cinco dias esperando dois para se divertir. A única coisa que aconselho é: tente fazer o que ama para acordar segunda-feira feliz. Assim não vai ter aquele negócio de “graças a Deus, hoje é sexta-feira”. Quando ouço isso, acho meio absurdo. É bom acordar na segunda-feira sabendo que vai produzir, se você for abençoado no que gosta. Eu só quero que eles sejam felizes. [Murilo também é pai de Pietro, de 14 anos, com a atriz Giovanna Antonelli.]

Acha que o Antonio precisará do seu auxílio?

Creio que não, porque a última coisa que ele fez em São Paulo no teatro, não me deixou ver. Ele disse: “Não, pai, não quero que você veja”. Respeitei e não fui. Temos um acordo muito bom. A gente fala da profissão em outros pontos de vista. A gente não fala nem de mim nem dele. A gente vai junto ao cinema e comentamos porque o filme está bom ou não, porque o ator está bom ou não. Vemos um filme juntos e discutimos. A gente vai usando outros exemplos.

“Foi uma surpresa [ fazer o pai de Antonio na novela]. Ele estuda, faz teatro, ensaia, isso dá mais segurança para nós. Meu filho e da Alessandra [Negrini] em uma profissão que não é uma garantia de sucesso e dinheiro... Tive medo de ele achar que isso era o natural dele”

Tem curiosidad­e em saber o destino do Raul?

Nem ligo para o que vai acontecer. Não pergunto nada na verdade, não me envolvo em nada. Não tenho essa curiosidad­e. Basta saber que é um bom trabalho. Os capítulos que li são muito bons, sei que está todo mundo feliz e empolgado em fazer.

Você conversa sobre trabalho com a Manuela?

A gente não comenta sobre trabalho. Não temos esse papo. A gente separa naturalmen­te. Também não temos essa coisa de não poder falar.

O que foi primordial para topar fazer Amor de Mãe?

Eu já queria fazer novela de novo. Novela é algo importante para a Globo. Os atores não podem se distanciar tanto de novela e a Globo precisa principalm­ente dos bons atores. É o nosso carro-chefe ainda, apesar das mudanças do mundo e as séries estarem atacando. Ainda temos esse carro-chefe e devemos fazer o melhor desse produto com as melhores pessoas possíveis.

Com a reprise de Avenida Brasil no Vale a Pena Ver de Novo, as pessoas voltaram a chamá-lo de Tufão?

Nunca deixei de ser o Tufão. E já fiz vários personagen­s de sucesso, que as pessoas imitavam nas ruas, como o Arthur Fortuna [Pé na Jaca, 2005] e o Juca Cipó [Irmãos Coragem, 1995], mas não tem jeito [risos].

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