Contigo Novelas

Mais livre

Nanda Costa, a Érica da novela Amor de Mãe (Globo), conta que se identifica com os valores da atual personagem e, namorando a cantora e percussion­ista Lan Lanh, planeja maternidad­e para breve

- POR ANDRÉ ROMANO

Antes de conversarm­os sobre a Érica, vamos falar da série Segunda Chamada (Globo), que também está no ar e na qual você teve uma participaç­ão densa... Qual foi a importânci­a social daquela personagem?

É sempre muito difícil lidar com personagen­s com questões reais pelas quais muita gente passa. Falar sobre uma mulher com três filhos para criar, tentando a todo custo voltar a estudar, indo à noite para a escola, se desdobrand­o em mil para ter uma oportunida­de melhor de trabalho, com tanto desemprego… A Rita está na fila do SUS há muito tempo para conseguir ligar as trompas e não correr o risco de engravidar novamente, porque um problema de saúde a impede de tomar pílula. Tudo vai dificultan­do. Aí, ela descobre que está grávida outra vez e entra em desespero porque não consegue dar conta nem daqueles três direito. Então, faz um aborto clandestin­o e morre. Acho importante trazer a reflexão para essa questão tão polêmica.

Fez alguma preparação especial para viver a Érica?

Estava gravando a série Segunda Chamada um pouco antes da novela nova; então, não consegui participar de toda a preparação. Mas, acho, a personagem está muito bem desenhada pela Manu [Manuela Dias, autora da trama]. Quando leio, fica muito claro pra mim. E estou inteira em cena, conectada com os meus parceiros e disponível.

“Estou em um momento mais livre, mais madura, mais eu, mais coerente com a pessoa que sou de verdade. Eu e a Lan sempre vivemos todas as fases muito bem, mas demoramos cinco anos para tornar isso público”

Tem algo em comum com a Érica?

Em comum com ela eu tenho o amor pela família, os valores... Somos simples na essência. A Érica se dá superbem com os funcionári­os, para ela não tem diferença se a pessoa está limpando o chão ou usando a joia mais cara do mundo. Para ela, isso é indiferent­e. O valor está em outro lugar. Eu também, cada vez mais volto para as minhas raízes, para o lugar de onde eu vim.

Como definiria essa personagem?

A Érica é uma menina leve, focada, muito determinad­a e boa no que faz. Ela é boa filha, irmã, amiga. Sempre tem um conselho legal para dar. É bem “viver e não ter a vergonha de ser feliz”. A Érica não nasceu para apanhar, não. Ela não faz nada de errado, não fica com o Raul [Murilo Benício] enquanto está casado. E que moral que a amante dele [Letícia Lima] tem pra reclamar dela? Acho que, se a Érica levar, ela devolve. Inclusive, é uma mulher diferente de todas as outras com quem o Raul se relacionou. Érica é solar, autêntica. Ela é um sol para o personagem do Murilo nesse momento da vida dele. Os dois não serão amantes, viverão tudo às claras. Sim, ela se apaixonou por ele quando ainda estava casado, mas aí não tem a ver com o caráter, isso pode acontecer.

“Cada vez mais volto para as minhas raízes, para o lugar de onde eu vim”

E seu amor de mãe, como é?

Minha mãe tinha apenas 16 anos quando eu nasci. Então, ela me criou com a ajuda dos meus avós. Eles foram muito presentes, sempre. E aprendi em casa que a coisa mais importante no mundo é o amor. A religião da nossa família sempre foi o amor. Não adianta você ter uma religião, pregar uma coisa, e fazer outra na vida. Esse é o ensinament­o mais valioso que tenho. Só consigo ser quem sou hoje pela educação e criação que tive. Até por estar vivendo esse amor com uma mulher. Foi assim que me ensinaram o que era de fato importante.

Nas redes sociais, você tem postado bastante sobre a sua relação com Lan Lanh (namorada da atriz). Se sente mais autoconfia­nte agora?

Estou em um momento mais livre, mais madura, mais eu, mais coerente com a pessoa que sou de verdade. Eu e a Lan sempre vivemos todas as fases bem, mas demoramos cinco anos para tornar isso público. Porque não queríamos interferên­cia, por conta do país em que vivíamos, por preconceit­o, medo, vários motivos. Por um tempo, vivemos esse amor só entre a gente, a família, os mais próximos. Quando decidimos casar, morar junto, não fazia mais sentido esconder isso. O que tem na rede social é tudo de verdade, a gente não é um casal fake em nenhuma instância.

“Agora, cantar nunca foi meu foco. Não acho que seja uma atriz-cantora. Eu não participar­ia de um Popstar, sei os meus limites”

Pensa em ser mãe?

Agora estou vivendo um amor de mãe enquanto filha. Mas pretendo, sim, aumentar a família e ser mãe em breve. Viver o outro lado da história.

Como é trabalhar com a Regina Casé (que faz a Lurdes na trama, mãe da personagem de Nanda) e o núcleo familiar da novela?

A Regina Casé é uma atriz divina, genial, que faz uma mãe leoa, que abraça e vai à luta. Isso traz um aconchego, sabe? Essa sensação boa me faz voltar para o colo da minha mãe e da minha avó. E o legal é que nessa novela tenho vários irmãos. Na vida, tenho uma irmã mais nova apenas. Poder dividir as responsabi­lidades é muito bom. Por ser a irmã mais velha na vida real, sempre ajudava minha mãe com tudo. Agora, na ficção, não. Eu tenho o Magno [Juliano Cazarré] e o Ryan [Thiago Martins] para compartilh­ar e espalhar esse amor.

E você reencontra Thiago Martins nessa novela, depois de Pega, Pega (Globo, 2017)…

Atuar de novo com o Thiago é um sonho. Minha vida fica mais feliz quando ele está perto. Ele é daquelas pessoas que transforma­m a energia do ambiente. Às vezes, a gente está num dia difícil ou tem uma cena complicada; se ele está perto, tudo muda.

“Aprendi em casa que a coisa mais importante no mundo é o amor. A religião da nossa família sempre foi o amor. Não adianta você ter uma religião, pregar uma coisa, e fazer outra na vida”

A gente se dá superbem. Com o Cazarré eu também já tinha trabalhado no filme Febre do Rato [2012].

Como é a parceria com Murilo Benício?

Só tenho a agradecer. Um ator superexper­iente, que joga junto. Tudo fica mais fácil quando a gente está cercada de pessoas que admiramos.

Érica é maquiadora. Qual a sua relação com a maquiagem?

Gosto de maquiagem. Antigament­e, usava só um corretivo e um rimelzinho… Agora estou gostando mais de brincar com cores, ousar. E, pela personagem, faço curso de maquiagem. Sempre fui muito curiosa. Libriana, sempre fiquei muito ligada nessa coisa da simetria enquanto me maquiavam. Tenho quase um perfeccion­ismo, uma coisa meio chata. Então, treinei muito meu olhar, aprendi e arrisco. Agora, com a Érica, estou gostando ainda mais de brincar com isso.

O visual também mudou, seu cabelo estava curtinho. Já se adaptou?

Tive vários tipos de cabelo: louro, comprido, curto… Megahair? Já usei muitas vezes e de vários tipos. Como meu corte estava muito curto e a personagem entra no mar e na piscina, a gente optou pelo megahair com cabelo natural. Lavo e seco sem fazer nada de mais.

Ele fica cacheadinh­o e encaixa direitinho com o meu. Não está me dando o trabalho que os outros deram. Das outras vezes, tinha que escovar, fazer babyliss… E o Zé [José Luiz Villamarim, diretor da novela] tem uma estética muito naturalist­a também. Ele não gosta de muita maquiagem nem cabelo elaborado. Isso traz liberdade. Chego, tiro o brilho do rosto e o cabelo seca ao natural. A Érica pedia um cabelão, tem a ver com ela. Foi uma proposta da caracteriz­adora da trama, a Gilvete Santos, em parceria com o Zé.

Como está a veia musical? Ainda tem investido nessa outra faceta artística?

Gosto de experiment­ar. Sempre gostei de música e desde os 14 anos toco um pouquinho de violão. Com a Lan na minha vida, isso ficou mais forte. Às vezes, chego em casa e ela está lá no estúdio compondo, tocando. Eu fico lá com ela. A gente compôs juntas uma música que concorreu ao Grammy Latino de melhor canção. Ela foi gravada por Maria Bethânia e esteve na abertura da série Entre Irmãs [2107]. A gente brinca bastante de fazer música. A Lan me estimula bastante, diz que tenho jeito. Agora, cantar nunca foi meu foco. Não acho que seja uma atriz-cantora. Eu não participar­ia de um Popstar, sei os meus limites.

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| FOTOS VINÍCIUS MOCHIZUKI
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Como Érica, em Amor de Mãe

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