Área de com­pras fi­ca­rá de­pois dos check-ins

Correio da Bahia - - Mais - VIAJOU A POR­TU­GAL A CON­VI­TE DA VIN­CI

Mas os de­sa­fi­os pa­ra au­men­tar o flu­xo de tu­ris­tas pa­ra Salvador pas­sam por ou­tros de­sa­fi­os que não ape­nas o de me­lho­rar a qua­li­da­de do ter­mi­nal ae­ro­por­tuá­rio. In­clui a pro­mo­ção do des­ti­no, a atra­ção de even­tos cor­po­ra­ti­vos de grande por­te, a qua­li­fi­ca­ção de em­pre­sas e tra­ba­lha­do­res do se­tor e de po­lí­ti­cas pú­bli­cas.

A Vin­ci apre­sen­tou o que po­de fa­zer den­tro de seus li­mi­tes de atu­a­ção a um gru­po de jor­na­lis­tas con­vi­da­dos pa­ra co­nhe­cer as ope­ra­ções da em­pre­sa em Por­tu­gal. A es­co­lha do país tem a ver com os re­sul­ta­dos ob­ti­dos ali pe­la con­ces­si­o­ná­ria. A Vin­ci con­ta­bi­li­za um cres­ci­men­to de 30 mi­lhões pa­ra 50 mi­lhões de pas­sa­gei­ros en­tre 2013 e 2017 nos 10 ae­ro­por­tos que ad­mi­nis­tra na­que­le país. O tu­ris­mo, in­clu­si­ve, é um dos se­to­res cu­jo de­sen­vol­vi­men­to aju­dou Por­tu­gal a sair da cri­se econô­mi­ca.

Se­gun­do da­dos apre­sen­ta­dos pe­la di­re­to­ra de co­mu­ni­ca­ção da Ana Ae­ro­por­tos (ope­ra­do­ra dos ter­mi­nais ), Ca­ta­ri­na Za­ga­lo, a ope­ra­ção pri­va­da dos ter­mi­nais ae­ro­por­tuá­ri­os por­tu­gue­ses res­pon­deu, ano pas­sa­do, a 1,22% do PIB do país, ge­rou 30 mil em­pre­gos di­re­tos, 84 mil in­di­re­tos e 204 mil em to­da a ca­deia do tu­ris­mo e dos trans­por­tes (os dois se­to­res jun­tos re­pre­sen­ta­ri­am, de acor­do com ela, 4,5% do PIB da na­ção ibé­ri­ca).

Nos cin­co anos de ope­ra­ção pri­va­da - a Vin­ci ad­qui­riu a Ana em 2013 -, o ae­ro­por­to de Lis­boa pas­sou a con­tar com li­ga­ção pa­ra 9 no­vos des­ti­nos e ope­ra­ções de 14 no­vas com­pa­nhia aé­re­as. Já o ae­ro­por­to de Fa­ro, na re­gião do Al­gar­ve, ga­nhou 17 no­vos des­ti­nos. Pa­ra con­quis­tar es­tas no­vas par­ce­ri­as, a Vin­ci ofe­re­ce in­cen­ti­vos às com­pa­nhi­as aé­re­as, o prin­ci­pal de­les é a re­du­ção de ta­xas ae­ro­por­tuá­ri­as. Es­tes in­cen­ti­vos po­dem se tor­nar ain­da mais in­te­res­san­tes ca­so o des­ti­no tam­bém ofe­re­ça al­guns be­ne­fí­ci­os, co­mo re­du­ção de ta­xas e im­pos­tos.

Os ter­mi­nais de Lis­boa e Fa­ro fo­ram apre­sen­ta­dos co­mo exem­plo; o pri­mei­ro por ser um o mai­or do país e um im­por­tan­te hub glo­bal, com li­nhas li­gan­do ci­da­des da Amé­ri­ca do Sul, Áfri­ca e Eu­ro­pa. Já o ae­ro­por­to de Fa­ro re­gis­tra um mo­vi­men­to de pas­sa­gei­ros si­mi­lar ao do ter­mi­nal so­te­ro­po­li­ta­no, de apro­xi­ma­da­men­te 7 mi­lhões de pas­sa­gei­ros por ano.

Es­te se­gun­do ter­mi­nal ser­ve à re­gião do Al­gar­ve, no Sul do país, um des­ti­no de sol e praia e gol­fe (são mais de 40 cam­pos na re­gião). O ter­mi­nal, se­gun­do a pró­pria Vin­ci, so­fre com um pro­ble­ma de sa­zo­na­li­da­de, re­gis­tran­do um grande flu­xo nos me­ses do ve­rão e um bai­xo nú­me­ro de pas­sa­gei­ros du­ran­te o in­ver­no. Os ae­ro­por­tos ge­ri­dos pe­la Vin­ci se­guem a ten­dên­cia de abri­gar áre­as de com­pras e ali­men­ta­ção den­tro do se­tor de em­bar­que. O ob­je­ti­vo é o de po­ten­ci­a­li­zar as cha­ma­das re­cei­tas não aé­re­as, uma das me­tas já de­fi­ni­das pa­ra o ae­ro­por­to de Salvador.

A jus­ti­fi­ca­ti­va é a de que após o stress da che­ga­da ao ter­mi­nal, do check-in e das fi­las pa­ra o em­bar­que (se­gu­ran­ça e con­tro­le de pas­sa­por­tes), o pas­sa­gei­ro fi­que mais re­la­xa­do e mais tem­po ex­pos­to a vi­tri­nes, con­su­min­do mais. De acor­do com Da­ni­e­la Fran­co, ge­ren­te de Co­mu­ni­ca­ção do Ae­ro­por­to de Salvador, a Vin­ci já está em con­ta­to com grandes mar­cas lo­cais e glo­bais e re­des de res­tau­ran­te e lan­cho­ne­tes pa­ra ocu­par o shop­ping do ter­mi­nal.

A Vin­ci tem em men­te que a re­cei­ta aé­rea é de di­fí­cil cres­ci­men­to, pois as ta­ri­fas são re­gu­la­das por go­ver­nos. “De 2007 a 2011 a re­cei­ta aé­rea cres­ceu 1%, en­quan­to a re­cei­ta não aé­rea su­biu 5%”, res­sal­tou An­ne Le Bour, di­re­to­ra de co­mu­ni­ca­ção da em­pre­sa. A Vin­ci de­sen­vol­veu ex­per­ti­se na ad­mi­nis­tra­ção das áre­as de shoppings dos ter­mi­nais. A ar­qui­te­tu­ra dos es­pa­ços faz com que os pas­sa­gei­ros pas­sem pe­lo in­te­ri­or de di­ver­sas lo­jas no ca­mi­nho até o por­tão de em­bar­que. A pra­ça de ali­men­ta­ção fi­ca es­tra­te­gi­ca­men­te lo­ca­li­za­da no meio do per­cur­so.

Ou­tro in­gre­di­en­te pa­ra au­men­tar a ren­ta­bi­li­da­de do ae­ro­por­to de Salvador é a ad­mi­nis­tra­ção da in­fra­es­tru­tu­ra pa­ra a ope­ra­ção. A di­re­to­ra ex­pli­cou que co­mo a Vin­ci - além de ad­mi­nis­tra­do­ra de con­ces­sões - tam­bém é cons­tru­to­ra de in­fra­es­tru­tu­ra, as obras e re­for­mas são fei­tas de mo­do a re­sul­tar em um me­nor cus­to ope­ra­ci­o­nal fu­tu­ro.

Por fim, a quar­ta li­nha a ser uti­li­za­da pa­ra po­ten­ci­a­li­zar os lu­cros da ope­ra­ção do ae­ro­por­to bai­a­no é o de me­lho­ria da ope­ra­ção. A ideia é a de aper­fei­ço­ar pro­ces­sos, re­du­zin­do os cus­tos da ope­ra­ção e au­men­tar os ín­di­ces de sa­tis­fa­ção dos cli­en­tes. “O ae­ro­por­to de Lis­boa ex­plo­diu em 5 anos. Que­re­mos fa­zer o mes­mo em Salvador”, afir­mou a mes­ma An­ne Le Bour.

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