Correio da Bahia

NOVAS EXPRESSÕES DO DICIONÁRIO DE BAIANÊS

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res de Segundo Sol, que começou cerca de dois meses antes das gravações, envolveu uma imersão não só nas expressões e gírias, como na cultura e na história do povo baiano. “Fizemos vários exercícios. Primeiro, de ler poesia para chegarmos a um ritmo. Pegamos expressões mais modernas de influencia­dores digitais e fomos treinando até ficar natural”, conta a preparador­a do elenco na prosódia, Iris Gomes.

Transmitir o orgulho de ser baiano para os atores também foi fundamenta­l na formação dos personagen­s. Logo no primeiro dia, Iris contou para o elenco aquela história de que ‘o baiano não nasce: estreia’. “Na Bahia, foi tudo primeiro. O Brasil foi descoberto aí. A Bahia teve o primeiro hospital, a primeira faculdade de medicina... Isso faz do baiano um ser muito orgulhoso de ser baiano. É preciso passar esse orgulho”, diz.

O Dicionário de Baianês também foi uma referência para a trama de João Emanuel Carneiro: “Temos cuidado de usar gírias que, mesmo que as pessoas nunca tenham ouvido, fique claro no contexto”.

A ideia, desde o princípio, é focar no sotaque da capital. Por isso, os atores não devem usar o ‘t’e o ‘d’ como no interior. “Salvador não tem isso. Quando falam o ‘m’ e o ‘n’, fazem um nasal. O ‘nh’ daí é especial - como em ‘bunitinhu’. Também não precisa abrir muito o ‘e’ e o ‘o’. Tem ‘e’ que vira ‘i’ e ‘o’ que vira ‘u’”, explica Iris. Usando gírias e incorporan­do uma certa malemolênc­ia, o ator carioca Emilio Dantas (Beto Falcão) conseguiu convencer muita gente de que é baiano da boa terra. “Estar na Bahia foi essencial para compor o meu trabalho”, acredita.

Quem também está surpreende­ndo é Chay Suede, que interpreta Ícaro - o filho de Luzia (Giovanna Antonelli), na nova fase do folhetim. Na sua estreia, o ator foi um dos tópicos mais comentados no Twitter. “Já usei ‘de keke’ e uso ‘barril’ e ‘barril dobrado’ direto”, conta.

Para o jornalista Jorge Gauthier, do canal Me Salte que faz parte do portal Correio 24 Horas, é possível andar pelo Pelourinho e se deparar com um tipo desses, igualzinho: “O jeitinho bem baiano que o jovem imprimiu no personagem faz qualquer tacho de dendê fritar sem nem ter acarajé dentro”.

Autor de muitos dos memes que circulam nas redes sociais sobre a novela, Iuri Barreto, criador do Guia do Soteropobr­etano, avalia que Chay e Emilio estão indo bem no baianês. “Além de Ricardo Spencer [baiano, que é um dos diretores da novela], os atores e a diretora Maria de Médicis estão sempre nas redes sociais acompanhan­do a repercussã­o”, comenta. Iuri considera que, no início, algumas expressões estavam sendo usadas fora do tom, mas aos poucos estão se encaixando: “Eles falam ‘massa’ e ‘bala’, que tem gente que ainda usa. Usaram ‘zignal’, que ainda falam”.

Na opinião dele, é importante existir um cuidado para aproximar os personagen­s da cultura local, mas o sotaque não deve prejudicar a atuação: “Se afetar, prefiro que jogue pro alto. Porque o público precisa do drama”.

Letícia Colin, a Rosa , também se destaca. Para criar sua personagem, ela veio para a Bahia e acompanhou a família de uma amiga. Além disso, duas amigas, as atrizes baianas Mariana Serrão e Fernanda Beling, a ajudam. “A gente tem um grupo no WhatsApp e elas me ajudam a passar o texto. Me passam termos que acham que têm a ver com a Rosa. Ela foi criada e circula nas ruas de Salvador. É muito urbana e usa gírias”, diz Letícia.

Essa convivênci­a com locais trouxe uma veracidade para sua personagem: “Baiano junta muito: ‘não aguento’, fala ‘numguento’; ‘você’, fala ‘cê’. Adoro usar ‘bala’. Gosto muito de ‘jogue duro, viu?’. ‘Broque’ também é muito bom”.

Apesar das gírias, os atores têm tentado fazer um sotaque suave a pedido do diretor artístico e geral Dennis Carvalho. “Não queria que fizéssemos uma caricatura da Bahia. Também cuidamos da melodia, para não ficar pernambuca­na”, destaca Iris.

O mergulho na cultura local é tão grande que os atores estão até falando baianês no dia-a-dia. “’Oxe’ já faz parte do corpo todo”, brinca Roberta Rodrigues, a Doralice.

Bala Legal/o máximo

Brocar Mandar bem, fazer algo bem feito, mitar

Dar o zignal se safar de alguém

Jogue duro Mostre que você é capaz

Massa Legal/maneiro

Oxe Usada em várias ocasiões: indignação, dúvida, susto, etc

Se ligue Fique alerta

Tá ligado? Tá ciente?

Tá de keke Completame­nte relaxado, sem ter o que fazer Apertar a mente Estressar alguém; encher o saco

Comediar Perturbar, irritar

Dar a ideia Explicar como é

Dar pra ruim Piorar

Me salte! Me deixe!

Qual é a boa? Como vai?

Quebrar podre Perder tempo

Quem souber morre! Não sei de nada!

Quem vai lá é coelho! Eu não vou lá de jeito nenhum!

Tá de boa Tudo certo

Tá na correria Tá na lida/loucura do dia a dia

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