OBRI­GA­DO

A MAR­CA OBRI­GA­DO IN­VES­TE PA­RA VEN­DER áGUA PU­RA DA FRU­TA E TAM­BéM AS SABORIZADAS. O MER­CA­DO DES­SE TI­PO DE BE­BI­DA ATRAI CA­DA VEZ MAIS CON­SU­MI­DO­RES

Dinheiro Rural - - CONTENTS - BéTH MéLO

Mar­ca bai­a­na es­tá na bri­ga por uma fa­tia mai­or do mer­ca­do de água de co­co

Há seis anos, o baiano Ro­ber­to Lessa Ri­bei­ro Ju­ni­or ar­ru­mou as ma­las e foi vi­ver na praia. Mas não em qual­quer praia. Ele mu­dou-se pa­ra uma vi­la à bei­ra-mar, em Con­de, uma es­pe­ta­cu­lar área cos­tei­ra da cha­ma­da Li­nha Ver­de, a 160 quilô­me­tros ao nor­te de Sal­va­dor, on­de es­tão re­sorts que se as­se­me­lham aos me­lho­res do mun­do, co­mo os do Ca­ri­be.

Na praia, uma com­pa­nhei­ra in­se­pa­rá­vel de Ri­bei­ro Ju­ni­or tem si­do uma boa água de co­co. Mas se en­ga­na quem pen­sa en­con­trá-lo de ber­mu­da e chi­ne­lo, em­pu­nhan­do um ca­nu­di­nho. Ce­nas as­sim es­tão re­ser­va­das aos di­as de la­zer. Ri­bei­ro Ju­ni­or é ho­je o CEO da Au­ran­ti­a­ca, do­na da mar­ca de água de co­co Obri­ga­do. No ano pas­sa­do, a re­cei­ta foi de R$ 70 mi­lhões com a ven­da de

Nes­te ano, a me­ta é ven­der 41 mi­lhões de li­tros de be­bi­das, mas do­bran­do a re­cei­ta

RO­BER­TO LESSA RI­BEI­RO JU­NI­OR, CEO da Au­ran­ti­a­ca

32 mi­lhões de li­tros de be­bi­das em­ba­la­das em cai­xas car­to­na­das do ti­po lon­ga vi­da, co­mo a Te­tra Pak. “Qu­e­re­mos mais pa­ra 2018”, diz ele. “Nes­te ano, a me­ta é ven­der 41 mi­lhões de li­tros, 30% a mais, mas do­bran­do a re­cei­ta.” O pla­no é au­men­tar a ven­da de água de co­co pu­ra, mas a apos­ta mai­or são as saborizadas com fru­tas e er­vas. A Au­ran­ti­a­ca, no Bra­sil des­de 2006, per­te­ce ao gru­po ame­ri­ca­no Ci­len­to, que tem co­mo só­ci­os o ho­lan­dês ra­di­ca­do no Bra­sil, Pi­et Henk Dorr, e o investidor ame­ri­ca­no Wil­lem Ko­oy­ker, 74 anos. Ko­oy­ker co­man­da o Ble­nheim Ca­pi­tal Ma­na­ge­ment, de Ber­ke­ley, fun­do que ge­ren­cia US$ 5 bilhões. “Qu­an­do ini­ci­a­mos o pro­je­to não ha­via no nor­te da Bahia uma in­dús­tria im­por­tan­te do se­tor”, diz Ri­bei­ro Ju­ni­or.

A es­tra­té­gia de ex­pan­são da Au­ran­ti­a­ca co­me­çou a ser im­plan­ta­da em 2014, ano em que ven­deu três mi­lhões de li­tros de água de co­co. Em 2017, a em­pre­sa pro­ces­sou 13 mi­lhões de li­tros. Des­se to­tal, 12 mi­lhões de li­tros fo­ram de água pu­ra da fru­ta, e um mi­lhão de li­tros fo­ram tem­pe­ra­dos com pol­pa de fru­tas e er­vas de sa­bo­res exó­ti­cos, co­mo ja­bu­ti­ca­ba, ca­pim san­to, gen­gi­bre e chá ver­de. “As saborizadas, no port­fó­lio des­de 2016, so­ma­ram 19 mi­lhões de li­tros e atra­em ca­da vez mais con­su­mi­do­res” afir­ma Ri­bei­ro Ju­ni­or. No ano pas­sa­do, a em­pre­sa cri­ou uma li­nha à ba­se de leite de co­co pa­ra be­ber, mis­tu­ra­do com ma­ra­cu­já, man­ga ou ca­cau, di­fe­ren­te do pro­du­to cu­li­ná­rio.

Pa­ra dar con­ta da ex­pan­são, até o fim do ano es­tão sen­do plan­ta­dos mais 524 hec­ta­res de co­quei­rais, que se­rão in­cor­po­ra­dos à atu­al la­vou­ra de 2,1 mil hec­ta­res. A em­pre­sa pos­sui 7,2 mil hec­ta­res no li­to­ral baiano, dos quais 70% são áre­as de ve­ge­ta­ção na­ti­va. O Bra­sil é o mai­or produtor de água de co­co do mun­do. No ano pas­sa­do, o País con­su­miu 157,4 mi­lhões de li­tros da be­bi­da pu­ra, en­va­sa­dos em cai­xi­nhas. Es­sa ca­deia mo­vi­men­tou R$ 2,2 bilhões, se­gun­do a Eu­ro­mo­ni­tor In­ter­na­ci­o­nal, em­pre­sa global de con­sul­to­ria e es­tra­té­gia de mer­ca­do. O cres­ci­men­to foi de 6% em vo­lu­me e de 13,5% em re­cei­ta. Nes­sa con­ta não es­tá o con­su­mo de água da fru­ta in na­tu­ra. “Qu­an­do se tra­ta de ape­lo sau­dá­vel, o co­co é um des­ta­que nas men­tes dos con­su­mi­do­res”, diz An­gé­li­ca Sa­la­do, ana­lis­ta de pes­qui­sa da Eu­ro­mo­ni­tor. “A ca­te­go­ria em­ba­la­da é uma be­bi­da de estilo de vi­da e es­tá emer­gin­do co­mo um pro­du­to de ingredientes na­tu­rais, fa­cil­men­te iden­ti­fi­cá­veis”, afir­ma Howard Tel­ford, tam­bém ana­lis­ta da con­sul­to­ria. Se­gun­do o en­ge­nhei­ro agrô­no­mo e con­sul­tor Luiz An­ge­lo Mi­ri­zo­la Fi­lho, o País es­tá à fren­te no pro­ces­sa­men­to da be­bi­da, por apos­tar em va­ri­e­da­des da fru­ta pa­ra a in­dús­tria. “O Bra­sil é im­ba­tí­vel na pro­du­ção de co­co anão, que é ex­clu­si­vo pa­ra água de co­co”, diz ele.

O Bra­sil é o quar­to mai­or produtor global da fru­ta. São 284 mil hec­ta­res, com co­lhei­ta de dois mi­lhões de to­ne­la­das de co­co. A pro­du­ção mun­di­al da fru­ta é de 60,7 mi­lhões de to­ne­la­das, em 11,2 mi­lhões de hec­ta­res, se­gun­do a Or­ga­ni­za­ção das Na­ções Uni­das pa­ra Agri­cul­tu­ra e Ali­men­ta­ção (FAO). Na Ásia es­tão 71% da área cul­ti­va­da, com as Fi­li­pi­nas e a In­do­né­sia no to­po da lis­ta, mas a pro­du­ção é pa­ra óleo e fru­ta se­ca.

No mer­ca­do in­ter­no, de acor­do com a Eu­ro­mo­ni­tor, a mar­ca Obri­ga­do ocu­pa a quin­ta po­si­ção en­tre as pro­ces­sa­do­ras de água de co­co. Ela es­tá atrás da Ke­ro Co­co, que per­ten­ce à ame­ri­ca­na Pep­siCo, e das bra­si­lei­ras Du­co­co, So­co­co e Co­co do Va­le, to­das com se­de no Nor­des­te. Es­sas em­pre­sas tam­bém es­tão na bri­ga por uma fa­tia do mer­ca­do global de be­bi­das à ba­se de água da fru­ta. Não por acaso, no ano pas­sa­do, os Es­ta­dos Uni­dos ul­tra­pas­sa­ram o Bra­sil no con­su­mo da be­bi­da. Fo­ram 217 mi­lhões de li­tros. A Eu­ro­pa vem em ter­cei­ro lu­gar, com 76 mi­lhões de li­tros.

De olho nes­se po­ten­ci­al, em 2016 a Au­ran­ti­a­ca abriu es­cri­tó­ri­os nos Es­ta­dos Uni­dos e na Ho­lan­da. Em 2017 fo­ram ex­por­ta­dos 2,5 mi­lhões de li­tros de água pu­ra da fru­ta, an­te 300 mil li­tros no ano an­te­ri­or. “Nos­sa me­ta é ex­por­tar 75% da pro­du­ção”, diz Ri­bei­ro Ju­ni­or. “Qu­e­re­mos es­sa mar­ca em cinco anos.” A Au­ran­ti­a­ca, que já in­ves­tiu R$ 570 mi­lhões, des­de que se ins­ta­lou no País, vai apli­car mais R$ 400 mi­lhões nas pró­xi­mas cinco sa­fras. Ela quer au­men­tar os co­quei­rais e desenvolver ou­tras be­bi­das. A me­ta é le­var a re­cei­ta a R$ 1 bi­lhão por ano. No mer­ca­do in­ter­no, a tá­ti­ca tem si­do as par­ce­ri­as. Des­de ja­nei­ro, a re­de ame­ri­ca­na de ca­fe­te­ri­as Star­bucks tem a Obri­ga­do co­mo mar­ca ex­clu­si­va. O mes­mo va­le pa­ra a água Bo­na­font, da Da­no­ne, que pas­sou a dis­tri­buir a be­bi­da à sua re­de de cli­en­tes.

EX­PAN­SãO: pa­ra am­pli­ar a ofer­ta de be­bi­das, mais 524 hec­ta­res de co­quei­rais es­tão sen­do in­cor­po­ra­dos aos 2,1 mil hec­ta­res já cul­ti­va­dos no li­to­ral da Bahia

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