Dinheiro Rural - - A GRAN­DE CAM­PEÃ -

Lu­ci­a­no fa­la com admiração do pro­ces­so de apo­sen­ta­do­ria do pai. “É in­te­res­san­te as­sis­tir a es­sa tran­si­ção. Ele é uma pes­soa mui­to ati­va”, diz. Ati­va e com­pen­ten­te. No ano pas­sa­do, a Ca­mil fa­tu­rou R$ 4,6 bi­lhões, o do­bro da re­cei­ta de cin­co anos atrás. Pe­la his­tó­ria cons­truí­da no mercado in­ter­no, o de­sa­fio de se tor­nar in­ter­na­ci­o­nal e o de­sem­pe­nho em cri­ar e for­ta­le­cer mar­cas iden­ti­fi­ca­das com um con­su­mi­dor que bus­ca ali­men­tos sau­dá­veis pa­ra uma di­e­ta bá­si­ca, a Ca­mil Ali­men­tos é a Em­pre­sa do Ano no Agro­ne­gó­cio do prê­mio AS ME­LHO­RES DA DI­NHEI­RO RU­RAL 2018. A pre­mi­a­ção é a úni­ca do se­tor na qual empresas e co­o­pe­ra­ti­vas pre­ci­sam se ins­cre­ver e pres­tar in­for­ma­ções de­ta­lha­das pa­ra que se­jam ava­li­a­das por seu de­sem­pe­nho fi­nan­cei­ro e cor­po­ra­ti­vo. Nes­ta edi­ção, a Ca­mil Ali­men­tos sa­grou-se cam­peã na ca­te­go­ria Agro­ne­gó­cio Direto - Gru­po Especial, com a mai­or pon­tu­a­ção en­tre as par­ti­ci­pan­tes (con­fi­ra a me­to­do­lo­gia na pág 98). Nes­ta ca­te­go­ria, pa­ra re­cei­tas anu­ais de até R$ 5 bi­lhões, a com­pa­nhia ven­ceu em Ges­tão Fi­nan­cei­ra e fi­cou em quar­to lu­gar em Ges­tão Cor­po­ra­ti­va. Além dis­so, foi a ven­ce­do­ra no se­tor Grãos, no qual é le­va­do em con­ta ape­nas a ges­tão fi­nan­cei­ra.

As­sim co­mo o pai, Lu­ci­a­no Qu­ar­ti­e­ro é um exe­cu­ti­vo re­ser­va­do. Até con­cor­da em ex­por os mui­tos de­sa­fi­os pe­los quais a em­pre­sa pas­sa, mas não é afei­to a fa­lar so­bre a sua tra­je­tó­ria de exe­cu­ti­vo. Mas ela exis­te. E co­me­çou quan­do ele era um ado­les­cen­te de 17 anos, no dia em que co­lo­cou os pés pe­la pri­mei­ra vez na Pon­ti­fí­cia Uni­ver­si­da­de Ca­tó­li­ca (PUC-SP), pa­ra cur­sar administra­ção de empresas. Es­tu­dou qua­tro anos no pe­río­do no­tur­no, por­que não ha­via ou­tra op­ção. “Meu pai dis­se que o pri­mei­ro dia de fa­cul­da­de se­ria tam­bém o pri­mei­ro dia de tra­ba­lho”, lem­bra Lu­ci­a­no. E as­sim foi fei­to. Ele co­me­çou no chão de fá­bri­ca da Ca­mil, no se­tor de expedição. Carregou ca­mi­nhão, di­ri­giu em­pi­lha­dei­ra, em­pa­co­tou e clas­si­fi­cou ar­roz, pas­san­do por to­dos os se­to­res ope­ra­ci­o­nais. De­pois de for­ma­do, ain­da no se­tor de expedição, foi fa­zer MBA em fi­nan­ças e um cur­so de ex­ten­são, tam­bém em fi­nan­ças, na Uni­ver­si­da­de da Ca­li­fór­nia, nos Es­ta­dos Uni­dos. Quan­do re­tor­nou ao Bra­sil, en­trou no se­tor de administra­ção fi­nan­cei­ra da com­pa­nhia. O car­go de CEO veio em 2011, quan­do a Ca­mil ini­ci­ou o pro­ces­so de aber­tu­ra de ca­pi­tal na Bol­sa de Va­lo­res B3, fa­to con­so­li­da­do no ano pas­sa­do.

Ho­je, a agen­da de Lu­ci­a­no Qu­ar­ti­e­ro, ca­sa­do há 17 anos e pai de uma ado­les­cen­te de 14 anos e de dois me­ni­nos, in­clui inú­me­ras reu­niões não mais na área ope­ra­ci­o­nal, on­de for­mou sua ba­se pro­fis­si­o­nal, e sim na exe­cu­ti­va. E faz mui­tas vi­a­gens pe­lo

País e pe­lo ex­te­ri­or. A Ca­mil pos­sui 25 uni­da­des de pro­ces­sa­men­to, pro­du­ção e dis­tri­bui­ção de ali­men­tos. Lu­ci­a­no vi­si­ta ca­da uma de­las pe­lo me­nos uma vez por ano. As mais im­por­tan­tes re­ce­bem até du­as vi­si­tas. Além dis­so, há vi­a­gens com ge­ren­tes re­gi­o­nais de ven­da pa­ra reu­niões com cli­en­tes, as ne­ces­sá­ri­as nos pro­ces­sos de con­so­li­da­ção das aqui­si­ções e aque­las a po­ten­ci­ais in­ves­ti­do­res na com­pa­nhia. Ho­je, a Ca­mil tem cli­en­tes em 60 paí­ses, 3,5 mil fun­ci­o­ná­ri­os no Bra­sil e 2 mil no ex­te­ri­or. Sem con­tar os pro­du­to­res ru­rais par­cei­ros: são 1,5 mil no Bra­sil, 400 no Chi­le e 200 no

Uruguai. “Co­mo mi­nha ori­gem es­tá no ope­ra­ci­o­nal, às ve­zes pa­re­ce que che­go ao fim do dia e não fiz na­da”, diz. “Mas a ro­ti­na é mui­to corrida.”

En­ten­der os mo­vi­men­tos da fa­mí­lia Qu­ar­ti­e­ro é um exercício de com­pre­en­são de pa­ra on­de ca­mi­nha a Ca­mil e co­mo ela vem sen­do de­se­nha­da pa­ra o fu­tu­ro. A ges­tão do ne­gó­cio tem na in­qui­e­tu­de uma de su­as armas pa­ra atu­ar no mercado. “Meu pai sem­pre foi um em­pre­en­de­dor nato. Sem­pre saiu da zo­na de con­for­to bus­can­do ex­por-se aos de­sa­fi­os”, afir­ma Lu­ci­a­no. “E nós cres­ce­mos as­sim.” Do iní­cio do trans­por­te de ar­roz pro­du­zi­do por agri­cul­to­res co­o­pe­ra­dos, em 1963, à aber­tu­ra de ca­pi­tal na Bol­sa de Va­lo­res, no ano pas­sa­do (con­fi­ra os pas­sos da em­pre­sa no qua­dro ao la­do), a com­pa­nhia man­tém três va­lo­res em sua go­ver­nan­ça: dis­ci­pli­na, trans­pa­rên­cia e sim­pli­ci­da­de. E eles estão es­tam­pa­dos pe­los cor­re­do­res da em­pre­sa. Exem­plo des­sa tría­de com­por­ta­men­tal se deu na dé­ca­da de 1990, quan­do a Ca­mil acei­tou ter seu pri­mei­ro só­cio, o TCW, fun­do ame­ri­ca­no de ca­pi­tal pri­va­do. “Ter­mos es­se fun­do co­mo pri­mei­ro só­cio foi um apren­di­za­do. Is­so trou­xe mui­to co­nhe­ci­men­to pa­ra nós, co­mo fa­mí­lia, de co­mo to­car o ne­gó­cio”, diz o exe­cu­ti­vo. “Foi es­sen­ci­al pa­ra olhar­mos o mercado de uma for­ma mais es­tra­té­gi­ca e pen­sar em cres­ci­men­to, não so­men­te pe­la via or­gâ­ni­ca, mas tam­bém via aqui­si­ções”, ana­li­sa.

Não por aca­so, o pe­río­do que vai dos anos 2000 até ho­je po­de ser con­si­de­ra­do um úni­co mo­vi­men­to. Foi a par­tir daí que co­me­çou a in­ter­na­ci­o­na­li­za­ção da com­pa­nhia. Em 2007, ela foi pa­ra o Uruguai. Dois anos de­pois, pa­ra o Chi­le. Em 2011, che­gou ao Pe­ru e apor­tou na Ar­gen­ti­na em 2013. Sem­pre com­pran­do empresas de­ten­to­ras de mar­cas for­tes, co­mo a pe­ru­a­na de grãos Or­mus, da mar­ca Ho­ja Re­don­da. No Bra­sil, ocor­reu o mes­mo mo­vi­men­to. A Ca­mil com­prou as mar­cas de açú­car União e da Bar­ra, e as mar­cas de pes­ca­dos Co­quei­ro, Alcyon e Pes­ca­dor. Atu­al­men­te, olhan­do as opor­tu­ni­da­des pa­ra no­vos vôos, os exe­cu­ti­vos da com­pa­nhia têm dois de­se­jos: en­trar no seg­men­to de ca­fés es­pe­ci­ais e na ca­deia do tri­go. “Es­se de­se­jo é la­ten­te e não é de ho­je”, diz Lu­ci­a­no Qu­ar­ti­e­ro. “Va­mos usar a mes­ma re­cei­ta pa­ra en­trar em no­vos se­to­res, sem­pre por meio de aqui­si­ções de mar­cas for­tes, co­mo fi­ze­mos com pes­ca­dos e com açú­car.” O pla­no é com­prar a pri­mei­ra ou a se­gun­da mar­ca mais im­por­tan­te do seg­men­to. De­pen­den­do do se­tor, até a ter­cei­ra. O im­por­tan­te é se­guir cres­cen­do.

SEM­PRE EM FREN­TE: um dos ar­ma­zéns da Ca­mil; no dia em que a em­pre­sa abriu ca­pi­tal na Bol­sa; e Jai­ro e Lu­ci­a­no Qu­ar­ti­e­ro ( pai e fi­lho), com al­guns pro­du­tos da com­pa­nhia

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