De­ba­te sem em­ba­te

Folha de Londrina - - Opinião -

Quem es­pe­ra­va uma au­tên­ti­ca lu­ta de bo­xe no de­ba­te elei­to­ral da Band, na úl­ti­ma quin­ta-fei­ra (9), te­ve que se con­for­mar com uma es­pé­cie de Ba­nhei­ra do Gu­gu. Com can­di­da­tos bem mais com­por­ta­dos do que se apre­sen­ta­ram no iní­cio da cor­ri­da elei­to­ral, o de­ba­te pa­ra es­quen­tar os tam­bo­res, ten­do em vis­ta as elei­ções, foi uma du­cha fria nos te­les­pec­ta­do­res, que não per­do­a­ram: ali pe­lo se­gun­do blo­co, mui­ta gen­te já cri­ti­ca­va a per­for­man­ce dos can­di­da­tos nas re­des so­ci­ais, sem ex­ce­ção.

Al­va­ro Di­as (Po­de­mos) apro­vei­tou a pri­mei­ra per­gun­ta pa­ra se apre­sen­tar e foi to­lhi­do pe­lo me­di­a­dor por­que ex­tra­po­lou o tempo. A ten­ta­ti­va de apre­sen­ta­ção con­ti­nu­ou em ou­tros mo­men­tos, mas ele apro­vei­tou pa­ra cri­ti­car a po­lí­ti­ca econô­mi­ca de Hen­ri­que Mei­rel­les (MDB), que tam­bém es­tá de­bu­tan­do na con­di­ção de pre­si­den­ciá­vel.

Ma­ri­na Sil­va (Re­de) e Ge­ral­do Alck­min (PSDB) pas­sa­ram a ima­gem de “ve­te­ra­nos das elei­ções”, mas se al­fi­ne­ta­ram quan­do o as­sun­to era, por exem­plo, saú­de pú­bli­ca e sa­ne­a­men­to bá­si­co, te­mas que no vai­vém de man­da­tos de vá­ri­os pre­si­den­tes con­ti­nu­am co­mo fe­ri­das que ex­põem a con­di­ção pre­cá­ria do País.

Gui­lher­me Bou­los (PSOL) foi Bou­los o tempo in­tei­ro. O pso­lis­ta fi­cou no pa­pel cô­mo­do de can­di­da­to que tem ba­si­ca­men­te tra­ços nas pes­qui­sas elei­to­rais e, sem ten­tar ca­ti­var mais elei­to­res – pre­o­cu­pa­ção da mai­o­ria co­me­di­da ali pre­sen­te -, ati­rou-se na di­re­ção dos ou­tros mu­ni­do de te­mas com­ple­xos, co­mo abor­to e mi­so­gi­nia.

Ci­ro Go­mes (PDT) tam­bém pa­re­cia ter per­di­do a ver­ve com­ba­ti­va e co­lo­cou-se me­nos agres­si­vo do que cos­tu­ma pa­ra atacar ad­ver­sá­ri­os es­tra­té­gi­cos co­mo Alck­min. Até Jair Bol­so­na­ro (PSL), que che­gou aos cer­ca de 17% de pre­fe­rên­cia nas pes­qui­sas com performances qui­xo­tes­cas, no de­ba­te pa­re­cia um neó­fi­to bem com­por­ta­do, evi­tan­do, mais do que com­pran­do, as bri­gas que lhe va­le­ram a ima­gem de ca­pi­tão das que­das de bra­ço. O vá­cuo de sua pre­sen­ça no pa­pel de pro­vo­ca­dor so­brou en­tão pa­ra o Ca­bo Da­ci­o­lo (Pa­tri­o­ta), o de­pu­ta­do bom­bei­ro que, na Band, pa­re­cia que­rer in­cen­di­ar a bancada, em vez de apa­gar o fo­go.

Pa­ra a mai­o­ria dos te­les­pec­ta­do­res, o de­ba­te trans­cor­reu em cli­ma morno. Ain­da as­sim, na sex­ta-fei­ra (10), fo­ram com­pu­ta­das mais de 600 mil vi­su­a­li­za­ções do pro­gra­ma no YouTu­be. Mui­tas per­gun­tas fi­ca­ram sem res­pos­tas. A dois pas­sos das ur­nas, to­dos pa­re­cem pi­sar em ovos.

Mui­tas per­gun­tas fi­ca­ram sem res­pos­tas. A dois pas­sos das ur­nas, to­dos pa­re­cem pi­sar em ovos

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