Pax vo­bis­cum

Folha de Londrina - - Opinião -

O De­cre­to Pre­si­den­ci­al 9.246/2017, que tra­ta do in­dul­to de na­tal, é um ato ad­mi­nis­tra­ti­vo de com­pe­tên­cia pri­va­ti­va da Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca (art. 84-XII da CF/1988) que, por oca­sião das fes­ti­vi­da­des co­me­mo­ra­ti­vas do Na­tal, tem por tra­di­ção con­ce­der anu­al­men­te in­dul­to às pes­so­as con­de­na­das ou sub­me­ti­das à me­di­da de se­gu­ran­ça. Por se tra­tar de perdão co­le­ti­vo, to­dos os cus­to­di­a­dos que se en­qua­drem nos inú­me­ros re­qui­si­tos e con­di­ções pre­vis­tas no re­fe­ri­do dis­po­si­ti­vo le­gal têm su­as pe­nas ex­tin­tas e, con­se­quen­te­men­te, re­ce­bem seus res­pec­ti­vos al­va­rás de sol­tu­ra.

Pois bem, o pre­si­den­te Mi­chel Te­mer foi ge­ne­ro­so ao con­ce­der in­dul­to aos cus­to­di­a­dos que, até 25/12/2017, te­nham cum­prin­do 1/5 da pe­na pri­va­ti­va de li­ber­da­de nos cri­mes pra­ti­ca­dos sem gra­ve ame­a­ça ou vi­o­lên­cia a pes­soa. Nes­ta hi­pó­te­se, in­clu­em-se to­dos os con­de­na­dos pe­los cri­mes de cor­rup­ção e de la­va­gem de di­nhei­ro. Va­le lem­brar, a título de exem­plo, que nem o ex-de­pu­ta­do fe­de­ral Edu­ar­do Cu­nha nem o ex-pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca Luiz Iná­cio Lu­la da Silva se en­qua­dram nas con­di­ções ne­ces­sá­ri­as pa­ra ob­ter in­dul­to.

O ple­ná­rio do STF, por sua vez, foi pro­vo­ca­do a se ma­ni­fes­tar so­bre um pedido da PGR que, por en­ten­der que a ge­ne­ro­si­da­de con­ti­da no re­fe­ri­do de­cre­to vi­sa en­fra­que­cer os es­for­ços de com­ba­te a cor­rup­ção sis­tê­mi­ca na­ci­o­nal, pre­ten­de anu­lá-lo. O pla­car es­tá em 6 vo­tos pe­la ma­nu­ten­ção do De­cre­to e 2 vo­tos con­tra, uma vez que os su­pre­mos mi­nis­tros ven­ci­dos en­ten­dem que os cri­mes de cor­rup­ção não são pas­sí­veis de in­dul­to.

De fa­to, a mai­o­ria dos vo­tos ven­ce­do­res es­tá cor­re­ta por­que não ca­be ao Po­der Ju­di­ciá­rio se imis­cuir nas atri­bui­ções pri­va­ti­vas da Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca - che­fe do Po­der Exe­cu­ti­vo que foi, em ou­tu­bro de 2013, le­gi­ti­ma­men­te elei­to pe­lo su­frá­gio uni­ver­sal -, sob pe­na de se vi­o­lar cláu­su­la pé­trea cons­ti­tu­ci­o­nal que prevê a har­mo­nia e a in­de­pen­dên­cia dos po­de­res da Re­pú­bli­ca (art. 2 da CF/1988).

Co­mo a ma­té­ria, no apa­gar das lu­zes do atu­al go­ver­no, é po­lê­mi­ca; acer­ta­da foi a de­ci­são do su­pre­mo mi­nis­tro Luiz Fux que, com o pedido de vis­ta, sus­pen­deu o jul­ga­men­to e os efei­tos do De­cre­to Pre­si­den­ci­al sem da­ta pre­vis­ta pa­ra a sua fi­na­li­za­ção. Pax vo­bis­cum!!!

RICARDO LAFFRANCHI é advogado em Lon­dri­na

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