Car­ti­nha ca­pri­cha­da

Folha de Londrina - - Folha 2 - [email protected]­com­tel.com.br

- Vô, onde vi­vem as re­nas do Pa­pai No­el? - Lá onde o Pa­pai No­el guar­da os pre­sen­tes, onde mais po­dia ser?

- E lá não pe­ga ce­lu­lar? Eu que­ria man­dar uat­sap em vez de car­ta.

- É uma boa ideia mas ele de­ve gos­tar das car­tas por­que de­pois usa pra acen­der sua la­rei­ra.

- En­tão o Pa­pai No­el vai quei­mar mi­nha car­ta?!

- Se vo­cê es­cre­ver, né, faz tem­po que taí fa­lan­do e não es­cre­ve. É só es­cre­ver com le­tra ca­pri­cha­da: oi, Pa­pai No­el, aqui é a Ali­ce, eu qu­e­ro de pre­sen­te uma bo­ne­ca que cho­ra.

- Mas eu pen­sei me­lhor, vô, ago­ra qu­e­ro uma bo­ne­ca que ri.

- Exis­te bo­ne­ca que ri?

- Não exis­te, vô? Só exis­te bo­ne­ca que cho­ra?

- Boa per­gun­ta. En­tão es­cre­ve que qu­er uma bo­ne­ca que cho­ra e, se pos­sí­vel, até ri. - Co­mo se es­cre­ve pos­sí­vel, vô?

- Com dois es­ses.

- Por­que tem pa­la­vras com dois és­ses, vô, e pa­la­vras com c ce­di­lha?

- Pra con­fun­dir quem es­cre­ve pro Pa­pai No­el, as­sim ele po­de aten­der só quem es­cre­ve cer­ti­nho.

- En­tão o Pa­pai No­el dei­xa de dar pre­sen­te por cau­sa de um c ce­di­lha, vô?!

- Não, foi brin­ca­dei­ra mi­nha. O c ce­di­lha exis­te por­que nos­sa lín­gua foi cri­a­da em Por­tu­gal. Lá per­ti­nho de onde o Pa­pai No­el guar­da o tre­nó.

- Por­que ele usa tre­nó, vô?

- Por­que lá tem ne­ve.

- Mas en­tão por­que ele usa o tre­nó aqui que não tem ne­ve?

- Por­que ele vem pe­lo céu.

- Mas, se ele vem pe­lo céu, vô, não era me­lhor o tre­nó ser pu­xa­do por pas­sa­ri­nhos em vez de re­nas?

- Faz sen­ti­do, vou fa­lar pra ele.

- Aí me acor­da, vô, me acor­da?

- Vo­cê sa­be que não pos­so, sua mãe...

- Ah, vô, mi­nha mãe é mui­to bo­ba, ela acha que o Pa­pai No­el nem exis­te.

- Sua mãe fa­lou is­so?!

- E aqui en­tre nós, vô, meu pai fa­lou que ano que vem não vai ter mais is­so de man­dar car­ti­nha, eu vou ga­nhar o que o Pa­pai No­el qui­ser dar.

- En­tão es­cre­va aí que vo­cê qu­er a bo­ne­ca que cho­ra e ri e, tam­bém, mais juí­zo pa­ra seus pais. -Juí­zoé­com­sou­comz,vô?

- Dei­xa pra lá. Ano que vem, dá a car­ti­nha pra mim que eu mes­mo en­tre­go pro Pa­pai No­el.

- Pois é, vô, quem é que en­tre­ga as car­ti­nhas pra ele?

- Ai, me­ni­na, vo­cê qu­er sa­ber de­mais!

- Pois é, vô, uma coi­sa que eu que­ria sa­ber é por­que é um Pa­pai No­el di­fe­ren­te em ca­da shop­ping...

- É que são mui­tos pa­pais noéis, ou vo­cê acha que um só ia tra­zer pre­sen­tes pra tan­ta gen­te?

- E co­mo vo­cês vão sa­ber qual é o meu Pa­pai No­el, vô? Não po­de dar er­ro de en­de­re­ço que nem nos emails? Que foi, vô?

- Na­da, na­da, um cis­co no olho. Que­ria tan­to que tua vó vis­se a ne­ta que ela nos dei­xou...

- E por­que car­ta pro Pa­pai No­el não pre­ci­sa de se­lo, vô? E se tem tan­to Pa­pai No­el, não ti­nha de ter en­de­re­ço no en­ve­lo­pe?

- Es­pe­ra um pou­co, vou pes­qui­sar na net de­pois de en­xu­gar os olhos...

Shut­ters­tock

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