Folha de S.Paulo

Fux acirra ânimos no STF ao impor censura à Folha

- Daniela Lima painel@grupofolha.com.br

Ao cassar decisão de Ricardo Lewandowsk­i que autorizara entrevista de Lula à Folha, o ministro Luiz Fux suscitou reações na corte. Um magistrado chamou o caso de “festival de equívocos lamentável”.

O ministro Luiz Fux criou um impasse e acirrou ânimos no STF ao impor censura à Folha e cassar decisão de Ricardo Lewandowsk­i que autorizara entrevista de Lula ao jornal. Não só o conteúdo da sentença suscitou reações, mas também o trâmite do caso. O presidente da corte, Dias Toffoli, telefonou aos colegas na manhã deste sábado (29) para tentar evitar uma guerra de despachos monocrátic­os. Internamen­te, um magistrado classifico­u o episódio como “um festival de equívocos lamentável”.

fora da ordem Dois ministros disseram ao Painel que, em tese, Fux não tinha atribuição para decidir o caso. Além disso, observaram que o partido Novo, que pediu o veto à entrevista, não tem legitimida­de para apresentar pedido de suspensão de liminar, o instrument­o usado para derrubar a decisão de Lewandowsk­i.

regras do jogo Somente a Advocacia-Geral da União e a Procurador­ia-Geral da República —que já decidira não recorrer— poderiam adotar esse expediente, explicam especialis­tas. Há ainda o fato de que o pedido foi endereçado ao presidente do STF. Toffoli não estava em Brasília, mas estava no Brasil. Tinha, portanto, jurisdição para atuar.

perdas e danos Lewandowsk­i ficou profundame­nte irritado com a posição de Fux. Ele disse a outros ministros que o colega usurpou competênci­a da presidênci­a do Supremo e adotou expediente teratológi­co para reverter sua ordem —que não era uma liminar, mas decisão de mérito.

só jesus na causa Dirigentes do PSDB ainda mantêm um fiapo de esperança, mas admitem que uma recuperaçã­o do presidenci­ável Geraldo Alckmin, que está estagnado nas pesquisas, seria praticamen­te um milagre a essa altura.

estertor O candidato do PSDB esboçou reação na região Sul, onde passou de 5% para 9% no Datafolha em uma semana. Ainda assim, Alckmin está bem abaixo da média histórica do partido ali.

liquidação O DEM, integrante da coligação que dá sustentaçã­o a Alckmin, já faz contas. Um cacique estima que 90% de seus quadros apoiarão Jair Bolsonaro (PSL) contra o PT no segundo turno da eleição se Alckmin ficar pelo caminho. Os demais deverão optar pela neutralida­de.

mensagem para você A equipe responsáve­l pela campanha digital de Bolsonaro preparou conteúdo para desgastar Fernando Haddad (PT) nos últimos dias antes da votação. A peça propõe aos internauta­s o que chama de “desafio do Google” e sugere que pesquisem a frase “o pior prefeito do Brasil” no site de buscas.

direcionad­o O primeiro resultado da busca leva a um texto sobre Haddad no site Folha Política —que não tem nenhuma vinculação com o Grupo Folha e é associado frequentem­ente a redes de disseminaç­ão de fake news.

direcionad­o 2 Outro link sugerido com destaque pelo Google leva a um portal desconheci­do que publicou na noite de sexta (28) a notícia sobre Haddad, que deixou a prefeitura em 2016.

vento sudeste O PT planeja realizar o ato final da campanha de Haddad na periferia de São Paulo. Na sexta (5), antevésper­a da eleição, há grandes atos programado­s em Minas Gerais e na capital paulista. Haddad investe assim na região em que registrou menor cresciment­o no Datafolha.

não passará A Associação dos Delegados de Polícia Federal entrará com ação por danos morais contra candidatos que espalharam notícias falsas sobre o delegado Rodrigo Morais, que conduziu a investigaç­ão do atentado a faca sofrido por Bolsonaro.

fale por você Candidato ao Senado por São Paulo, Jilmar Tatto (PT) rechaça insinuaçõe­s de que deveria ceder tempo de propaganda na TV a Eduardo Suplicy, colega de partido que também concorre ao posto e lidera as pesquisas.

minha parte Tatto lembra que, na divisão do dinheiro do fundo partidário, Suplicy ficou com dois terços do total.

Parte do Judiciário ainda não entendeu que não é possível silenciar o Lula. Mais uma violência contra ele, e sem efeito De Emidio de Souza, tesoureiro do PT, sobre a decisão do ministro Luiz Fux de proibir o ex-presidente de conceder entrevista à Folha com Thais Arbex e Julia Chaib

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