Trump diz que vai re­to­mar tarifas so­bre aço do Bra­sil

Se­gun­do pre­si­den­te, me­di­da se de­ve a su­pos­ta ação bra­si­lei­ra pa­ra des­va­lo­ri­zar re­al

Folha de S.Paulo - - Primeira Página - Patrícia Cam­pos Mello e Edu­ar­do Cucolo

Em uma de­ci­são que pe­gou de surpresa o Pa­lá­cio do Pla­nal­to e o Ita­ma­raty, o pre­si­den­te ame­ri­ca­no, Do­nald Trump, anun­ci­ou on­tem, com vi­gên­cia ime­di­a­ta, que os Estados Unidos vão im­por tarifas so­bre im­por­ta­ções de aço e alu­mí­nio do Bra­sil e da Ar­gen­ti­na.

A me­di­da se­ria uma res­pos­ta a in­ter­ven­ções que am­bos os paí­ses te­ri­am fei­to no câm­bio, pre­ju­di­can­do agri­cul­to­res ame­ri­ca­nos. O go­ver­no Jair Bol­so­na­ro é acu­sa­do de des­va­lo­ri­zar o re­al, o que não é pos­sí­vel no Bra­sil e evi­den­cia um ato de cu­nho po­lí­ti­co de Trump.

Ali­nha­do à Ca­sa Bran­ca, Bol­so­na­ro dis­se não ver re­ta­li­a­ção e, se ne­ces­sá­rio, vai li­gar pa­ra o ho­mó­lo­go e pe­dir re­con­si­de­ra­ção. O se­tor in­dus­tri­al tam­bém se mos­trou sur­pre­en­di­do, pois o alu­mí­nio já é al­vo de so­bre­ta­xa nos EUA, e o aço cum­pre co­tas de ex­por­ta­ção.

Em no­ta, as pas­tas da Economia, da Agri­cul­tu­ra e das Re­la­ções Ex­te­ri­o­res in­for­ma­ram que vão tra­ba­lhar pelo “in­te­res­se co­mer­ci­al bra­si­lei­ro”.

SÃO PAU­LO O pre­si­den­te dos EUA, Do­nald Trump, anun­ci­ou nes­ta se­gun­da-fei­ra (2), em seu perfil no Twit­ter, que os Estados Unidos irão im­por tarifas so­bre im­por­ta­ções de aço e alu­mí­nio do Bra­sil e da Ar­gen­ti­na. A me­di­da se­ria uma res­pos­ta às in­ter­ven­ções que am­bos paí­ses te­ri­am fei­to no câm­bio, pre­ju­di­can­do agri­cul­to­res ame­ri­ca­nos.

“Bra­sil e Ar­gen­ti­na des­va­lo­ri­za­ram for­te­men­te su­as moedas, o que não é bom pa­ra nos­sos agri­cul­to­res”, tui­tou Trump. “Por­tan­to, com vi­gên­cia ime­di­a­ta, res­ta­be­le­ce­rei as tarifas de to­do aço e alu­mí­nio enviados aos Estados Unidos por es­ses paí­ses.”

Trump tam­bém pe­diu que o Fe­de­ral Re­ser­ve (ban­co cen­tral dos EUA) im­pe­ça que paí­ses to­mem van­ta­gem de um dó­lar mais for­te, des­va­lo­ri­zan­do su­as moedas.

O tuí­te de Trump caiu co­mo uma bom­ba no go­ver­no bra­si­lei­ro. O Pla­nal­to e o Ita­ma­raty fo­ram pe­gos de surpresa e pre­pa­ram ar­gu­men­tos pa­ra pro­var que a des­va­lo­ri­za­ção do re­al não é pro­po­si­tal.

Re­pre­sen­tan­tes dos se­to­res de alu­mí­nio e aço tam­bém fo­ram sur­pre­en­di­dos por Trump, em es­pe­ci­al porque alu­mí­nio e aço já têm tra­ta­men­to di­fe­ren­ci­a­do. Em mar­ço de 2018, Trump es­ta­be­le­ceu tarifas so­bre o aço e o alu­mí­nio im­por­ta­dos pe­los Estados Unidos —in­clu­si­ve do Bra­sil.

As ex­por­ta­ções de pro­du­tos de alu­mí­nio bra­si­lei­ro pa­ra os Estados Unidos pa­gam so­bre­ta­xa des­de 1º de ju­nho de 2018, de acor­do com a Abal (As­so­ci­a­ção Bra­si­lei­ra do Alu­mí­nio).

Em no­ta, o pre­si­den­te-exe­cu­ti­vo da Abal, Mil­ton Re­go, diz que, em 2018, o go­ver­no Trump abriu a pos­si­bi­li­da­de de subs­ti­tuir a so­bre­ta­xa por co­tas li­mi­ta­das de ex­por­ta­ção. “Op­ta­mos pe­la so­bre­ta­xa e se­gui­mos as­sim des­de en­tão”, dis­se o co­mu­ni­ca­do.

Se­gun­do da­dos da Abal, os Estados Unidos re­pre­sen­tam 43% das ex­por­ta­ções bra­si­lei­ras de se­mi­ma­nu­fa­tu­ra­dos e ma­nu­fa­tu­ra­dos de alu­mí­nio.

De ja­nei­ro a ou­tu­bro de 2019, o Bra­sil ven­deu 52 mil to­ne­la­das de pro­du­tos de alu­mí­nio nos Estados Unidos —47 mil to­ne­la­das com so­bre­ta­xa de 10%.

No ca­so do aço, a tarifa im­pos­ta era de 25%. Mas o Bra­sil ne­go­ci­ou e tro­cou por co­tas equi­va­len­tes à mé­dia das ex­por­ta­ções de 2015 a 2017, no ca­so dos aços se­mi­a­ca­ba­dos (80% das ven­das), e li­mi­ta­dos à co­ta de 70% da mé­dia dos três anos pa­ra aços aca­ba­dos.

Tam­bém em no­ta, o Instituto Aço Bra­sil diz que re­ce­beu com per­ple­xi­da­de a de­ci­são e que ela po­de pre­ju­di­car a in­dús­tria pro­du­to­ra de aço ame­ri­ca­na, de­pen­den­te de se­mi­a­ca­ba­dos do Bra­sil pa­ra ope­rar as su­as usi­nas.

“O Instituto Aço Bra­sil re­for­ça que o câm­bio no país é li­vre, não ha­ven­do por par­te do go­ver­no qual­quer ini­ci­a­ti­va no sen­ti­do de des­va­lo­ri­zar ar­ti­fi­ci­al­men­te o re­al e a de­ci­são de taxar o aço bra­si­lei­ro co­mo for­ma de ‘com­pen­sar’ o agri­cul­tor ame­ri­ca­no é uma re­ta­li­a­ção ao Bra­sil, que não con­diz com as re­la­ções de par­ce­ria en­tre os dois paí­ses”, diz o instituto.

Ana­lis­tas ava­li­am que a po­si­ção de Trump tem um cla­ro con­tex­to elei­to­ral. A guer­ra co­mer­ci­al con­tra a Chi­na vem cau­san­do prejuízos a agri­cul­to­res de estados es­sen­ci­ais na elei­ção de 2020.

Con­si­de­ran­do o ano fis­cal ame­ri­ca­no (que co­me­ça em ou­tu­bro e ter­mi­na em se­tem­bro do ano se­guin­te), as ex­por­ta­ções agrí­co­las dos Estados Unidos pa­ra a Chi­na em 2017, an­tes da guer­ra co­mer­ci­al, fo­ram de US$ 21,8 bi­lhões.

Trump impôs tarifas so­bre pro­du­tos chi­ne­ses em ju­lho de 2018 e, na­que­le ano, a ven­das pa­ra a Chi­na caí­ram a US$ 16,2 bi­lhões. No ano fis­cal de 2019, en­cer­ra­do em se­tem­bro, fi­ca­ram em US$ 10 bi­lhões.

A Chi­na pas­sou a com­prar mui­tos des­ses pro­du­tos agrí­co­las do Bra­sil e da Ar­gen­ti­na, além de in­ten­si­fi­car os in­ves­ti­men­tos da Ini­ci­a­ti­va Cin­tu­rão e Ro­ta, de obras de in­fra­es­tru­tu­ra em vá­ri­os paí­ses for­ne­ce­do­res de pro­du­tos agrí­co­las.

De que­bra, Trump ain­da faz um ace­no ao cha­ma­do Cin­tu­rão da Fer­ru­gem, estados co­mo Mi­chi­gan, Ohio, Pen­sil­vâ­nia, que têm con­cen­tra­ção de si­de­rúr­gi­cas e so­frem com a concorrênc­ia chi­ne­sa —e tam­bém são estados-pên­du­lo, que de­ci­dem elei­ções.

“Pre­ci­sa­mos que ali­a­dos e ami­gos tam­bém si­gam as re­gras do jo­go”, afir­mou Kellyan­ne Conway, es­tra­te­gis­ta de Trump, jus­ti­fi­can­do as tarifas so­bre o Bra­sil e a Ar­gen­ti­na.

Pa­ra a po­lí­ti­ca ex­ter­na de Bol­so­na­ro, a me­di­da é um du­ro gol­pe. Sua ges­tão abriu mão do tra­ta­men­to es­pe­ci­al na OMC (Or­ga­ni­za­ção Mun­di­al do Co­mér­cio) a pe­di­do do go­ver­no Trump, que quer mo­di­fi­car o me­ca­nis­mo pa­ra não dar van­ta­gem à Chi­na em ne­go­ci­a­ções co­mer­ci­ais.

Em tro­ca, Trump anun­ci­ou apoio às am­bi­ções bra­si­lei­ras de ini­ci­ar o pro­ces­so de en­tra­da na OCDE, o clu­be dos ri­cos —es­se apoio não se con­cre­ti­zou. Em agos­to, em car­ta à or­ga­ni­za­ção, Washing­ton rei­te­rou o apoio às can­di­da­tu­ras de Ar­gen­ti­na e Ro­mê­nia.

O Bra­sil am­pli­ou e re­no­vou nes­te ano co­tas sem tarifa pa­ra im­por­ta­ção de eta­nol e tri­go, rei­vin­di­ca­ções ame­ri­ca­nas. Mas os EUA não re­mo­ve­ram bar­rei­ras sa­ni­tá­ri­as que im­pe­dem a im­por­ta­ção de car­ne bo­vi­na “in na­tu­ra” nem anun­ci­a­ram mo­di­fi­ca­ções na pro­te­ção do açú­car ame­ri­ca­no, ou­tro pe­di­do bra­si­lei­ro.

Por fim, o Bra­sil vo­tou pe­la pri­mei­ra vez em 27 anos con­tra a re­so­lu­ção anu­al da ONU que con­de­na o em­bar­go econô­mi­co ame­ri­ca­no a Cu­ba. Ape­nas Is­ra­el e Estados Unidos de­ram o mes­mo vo­to.

O má­xi­mo de si­na­li­za­ção po­si­ti­va que Trump deu a Bol­so­na­ro foi o iní­cio de tes­tes pa­ra par­ti­ci­par do Glo­bal En­try, pro­gra­ma que fa­ci­li­ta a en­tra­da de vi­a­jan­tes fre­quen­tes e pré-apro­va­dos aos EUA, mas não os isen­ta de vis­to.

O tes­tes an­te­ce­dem a fa­se pi­lo­to e, só de­pois, ocor­re a exe­cu­ção ple­na do pro­gra­ma. Vá­ri­os paí­ses da Amé­ri­ca La­ti­na, co­mo Ar­gen­ti­na, Mé­xi­co, Colôm­bia, Pa­na­má, já fa­zem par­te do Glo­bal En­try.

“Vou con­ver­sar com o Pau­lo Gu­e­des. Se for o ca­so, li­go pa­ra o Trump. Eu te­nho um ca­nal aberto com ele Jair Bol­so­na­ro

são pau­lo e bra­sí­lia O go­ver­no Jair Bol­so­na­ro foi sur­pre­en­di­do com a acu­sa­ção do pre­si­den­te Do­nald Trump de que o Bra­sil des­va­lo­ri­za o re­al. Com a al­ta do dó­lar, o Ban­co Cen­tral tem fei­to in­ter­ven­ções pa­ra con­ter pi­cos de vo­la­ti­li­da­de da mo­e­da ame­ri­ca­na, mas o re­al se­gue em de­pre­ci­a­ção nos úl­ti­mos me­ses.

Trump afir­mou, em re­de so­ci­al, nes­ta se­gun­da (2), que vai so­bre­ta­xar o aço e o alu­mí­nio im­por­ta­dos do Bra­sil e da Ar­gen­ti­na em ra­zão de ma­ni­pu­la­ção do re­al e do pe­so.

Em Bra­sí­lia, Bol­so­na­ro afir­mou ter ca­nal de diá­lo­go com o co­le­ga ame­ri­ca­no e dis­se que o mi­nis­tro Pau­lo Gu­e­des (Economia) es­tá à fren­te das con­ver­sa­ções.

O vi­ce-pre­si­den­te Hamilton Mou­rão, em even­to com em­pre­sá­ri­os em São Pau­lo, afir­mou que “não es­tá acon­te­cen­do” des­va­lo­ri­za­ção ar­ti­fi­ci­al da mo­e­da bra­si­lei­ra. Ele, po­rém, evi­tou cri­ti­car Trump.

“Is­so é ca­rac­te­rís­ti­ca da ten­são ge­o­po­lí­ti­ca que es­ta­mos vi­ven­do que gera pro­te­ci­o­nis­mo. É um mo­vi­men­to an­ti­cí­cli­co em re­la­ção à glo­ba­li­za­ção”, dis­se na Fi­esp (fe­de­ra­ção das in­dús­tri­as de São Pau­lo).

O vi­ce-pre­si­den­te afir­mou que a as­cen­são da Chi­na “abriu opor­tu­ni­da­des pa­ra paí­ses” co­mo Bra­sil “no sen­ti­do de di­na­mi­zar” as ex­por­ta­ções, o de­sen­vol­vi­men­to de tec­no­lo­gia e a cap­ta­ção de in­ves­ti­men­tos em in­fra­es­tru­tu­ra.

Na se­ma­na pas­sa­da, quan­do o dó­lar atin­giu R$ 4,21, Gu­e­des afir­mou em Washing­ton que “é bom se acos­tu­mar” com câm­bio mais al­to. Ele res­sal­tou que a con­sequên­cia se­ri­am au­men­to das ex­por­ta­ções bra­si­lei­ras e que­da nas im­por­ta­ções.

Pa­ra in­ter­lo­cu­to­res do mi­nis­tro, en­tre­tan­to, a fa­la de Gu­e­des não mo­ti­vou a de­cla­ra­ção de Trump. Pa­ra eles, faria al­gum sen­ti­do di­zer que a afir­ma­ção de Gu­e­des pro­vo­cou o anún­cio do Trump se a Ar­gen­ti­na não es­ti­ves­se no mes­mo pa­co­te.

As­sim co­mo afir­ma­do por Mou­rão, in­ter­lo­cu­to­res da equi­pe de Gu­e­des lem­bram que o Bra­sil pra­ti­ca câm­bio li­vre, e as in­ter­ven­ções do BC têm si­do fei­tas pa­ra dar li­qui­dez ao mer­ca­do.

A equi­pe econô­mi­ca ain­da ten­ta en­ten­der qual se­rá a me­di­da a ser ado­ta­da pe­los EUA con­tra os pro­du­tos bra­si­lei­ros.

O se­cre­tá­rio es­pe­ci­al de Co­mér­cio Ex­te­ri­or e As­sun­tos In­ter­na­ci­o­nais do Mi­nis­té­rio da Economia, Mar­cos Troy­jo, foi es­ca­la­do pa­ra cen­tra­li­zar os tra­ba­lhos, que são con­du­zi­dos em par­ce­ria com o Mi­nis­té­rio das Re­la­ções Ex­te­ri­o­res, de Er­nes­to Araú­jo.

Nes­ta se­gun­da, em no­ta con­jun­ta dos Mi­nis­té­ri­os da Economia, da Agri­cul­tu­ra e das Re­la­ções Ex­te­ri­o­res, o go­ver­no afir­mou que “tra­ba­lha­rá pa­ra de­fen­der o in­te­res­se co­mer­ci­al bra­si­lei­ro”.

De acor­do com o texto, o Bra­sil tam­bém vai agir pa­ra “as­se­gu­rar a flui­dez do co­mér­cio com os EUA, com vis­tas a am­pli­ar o in­ter­câm­bio co­mer­ci­al e apro­fun­dar o re­la­ci­o­na­men­to bi­la­te­ral, em benefício de am­bos os paí­ses”.

Nos bas­ti­do­res, a estratégia do Bra­sil se­rá, além da negação de des­va­lo­ri­za­ção ar­ti­fi­ci­al do re­al, a ar­gu­men­ta­ção de que as tarifas po­dem pre­ju­di­car a in­dús­tria car­vo­ei­ra dos EUA.

De acor­do com in­ter­lo­cu­to­res ou­vi­dos pe­la Fo­lha ,no ma­te­ri­al em pre­pa­ra­ção que de­ve ser usa­do nas con­ver­sas com as au­to­ri­da­des dos EUA, o go­ver­no bra­si­lei­ro de­ve­rá afir­mar que o aço ex­por­ta­do aos EUA não com­pe­te com a si­de­rur­gia da­que­le país nem re­pre­sen­ta um ris­co pa­ra os em­pre­gos lo­cais.

Se­gun­do pes­so­as que acom­pa­nham o te­ma, se­rá des­ta­ca­do que a mai­or par­te das ven­das aos EUA é de aço se­mi­pro­ces­sa­do, que serve de in­su­mo pa­ra a in­dús­tria ame­ri­ca­na.

O go­ver­no Bol­so­na­ro de­ve­rá lem­brar ain­da que o Bra­sil é gran­de im­por­ta­dor de car­vão ame­ri­ca­no, que é usa­do jus­ta­men­te pa­ra a pro­du­ção de aço.

O aço é uma liga de fer­ro e car­bo­no, e, pa­ra sua pro­du­ção, se­gun­do in­for­ma­ções do Instituto Aço Bra­sil, o car­vão mi­ne­ral é usa­do pa­ra al­can­çar al­tas tem­pe­ra­tu­ras (1.500°C) pa­ra a fu­são do mi­né­rio. O car­vão ain­da re­mo­ve o oxi­gê­nio do fer­ro em um al­to for­no.

Des­sa for­ma, a ava­li­a­ção do Bra­sil é que uma re­du­ção nas ex­por­ta­ções de aço pa­ra os EUA —em ra­zão da so­bre­ta­xa— de­ve­rá afe­tar a in­dús­tria ame­ri­ca­na de car­vão.

Em 2018, quan­do Trump anun­ci­ou tarifas ao aço bra­si­lei­ro, o Instituto Aço Bra­sil já usa­ra o ar­gu­men­to da com­pra de car­vão dos EUA pa­ra ten­tar de­mo­vê-lo da so­bre­ta­xa.

Na cam­pa­nha elei­to­ral, Trump pro­me­teu re­vi­ta­li­zar a in­dús­tria car­vo­ei­ra do país. Em 2020, ele de­ve­rá con­cor­rer à re­e­lei­ção.

Na ma­nhã des­ta se­gun­da, na saída do Pa­lá­cio do Al­vo­ra­da, Bol­so­na­ro afir­mou que, se for pre­ci­so, te­le­fo­na­rá pa­ra Trump. “Vou con­ver­sar com o Pau­lo Gu­e­des. Se for o ca­so, li­go pa­ra o Trump. Eu te­nho um ca­nal aberto com ele”, dis­se.

Mais tar­de, em en­tre­vis­ta à Rá­dio Ita­ti­aia, ele dis­se não con­si­de­rar a ame­a­ça de Trump co­mo uma re­ta­li­a­ção e dis­se ter “qua­se cer­te­za” de que o pre­si­den­te ame­ri­ca­no aten­de­rá o pe­di­do bra­si­lei­ro de re­vi­são da me­di­da.

À tar­de, em even­to no Pa­lá­cio do Pla­nal­to, Bol­so­na­ro e Gu­e­des não tra­ta­ram do epi­só­dio do aço e do alu­mí­nio.

Chan­ce­ler bra­si­lei­ro, Araú­jo afir­mou que o pre­si­den­te ain­da não ha­via pro­cu­ra­do Trump. “Por en­quan­to, es­ta­mos no nível téc­ni­co, es­tá nes­se nível de en­ten­der a me­di­da.”

O por­ta-voz da Pre­si­dên­cia, Otá­vio Rê­go Bar­ros, tam­bém dis­se que o pre­si­den­te ain­da não ha­via li­ga­do pa­ra Trump por es­tar es­pe­ran­do mais in­for­ma­ções.

Fon­te: Aço Bra­sil, As­so­ci­a­ção Mun­di­al do Aço e Abal (As­so­ci­a­ção Bra­si­lei­ra do Alu­mí­nio)

Tom Brenner/Reu­ters

O pre­si­den­te dos EUA, Do­nald Trump, em Washing­ton

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