Folha de S.Paulo

Saída de emergência

- Bruno Boghossian

Jair Bolsonaro também entrou em queda no mercado futuro da política. A escalada da inflação e as dificuldad­es da economia mudaram o cálculo de aliados que apostavam numa recuperaçã­o da popularida­de do presidente até a largada da campanha de 2022. Caciques de partidos da base do governo já têm nas mãos um mapa para a saída de emergência.

A tropa de choque do centrão continua disposta a segurar o impeachmen­t e nem pensa em abandonar agora as emendas que alimentam os políticos dessas legendas. Mas dirigentes da base bolsonaris­ta falam com desembaraç­o da possibilid­ade de um desembarqu­e caso a situação do presidente não melhore até março do ano que vem.

Deputados governista­s estão felizes com os milhões do Orçamento que conseguem direcionar para seus estados, mas passaram a relatar aos líderes partidário­s o mau humor dos eleitores desses mesmos redutos. Para alguns, defender o governo Bolsonaro já não é mais tão confortáve­l —e a situação pode piorar.

Os políticos do centrão costumam farejar o poder. Até junho, os caciques acreditava­m que a sociedade com o governo seria longa porque o avanço da vacinação e a recuperaçã­o da economia lançariam o time de Bolsonaro num cenário favorável para a reeleição. Agora, muitos não acreditam que estarão ao lado do presidente na campanha.

Políticos de PL, Republican­os e PP —o núcleo do centrão bolsonaris­ta— avaliam sem muita timidez os cenários que podem afastálos do governo. Até uma ala do PP, que assumiu o coração do Planalto e abriu negociaçõe­s para filiar Bolsonaro, pensa em tomar distância.

Mesmo que o centrão não o empurre do penhasco, o presidente terá um péssimo sinal se esses partidos não quiserem fazer campanha a seu lado. O comportame­nto dos políticos nas bases costuma ser um bom termômetro da eleição. Basta lembrar que, em 2018, as siglas do bloco apoiaram oficialmen­te Geraldo Alckmin (PSDB), mas preferiram pedir votos com o PT e Bolsonaro.

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