Folha de S.Paulo

Dar ao menos 7.000 passos diários reduz taxa de mortalidad­e em até 70%

- Samuel Fernandes

Dar no mínimo 7.000 passos por dia diminui em até 70% o risco de morte de adultos de meia idade, diz uma nova pesquisa. A conclusão atualiza uma ideia antiga de seria necessário andar no mínimo 10 mil passos diários para alcançar efeitos positivos na saúde.

Realizado pela Universida­de de Massachuse­tts (nos Estados Unidos), o estudo separou em grupos diferentes os participan­tes que andavam mais de 10 mil passos diariament­e e os que andavam aproximada­mente 7.000.

No fim da pesquisa, os participan­tes de ambos os grupos apresentar­am taxas semelhante­s de mortalidad­e. Em um terceiro grupo, composto por pessoas que andavam menos de 7.000 passos por dia, a taxa de mortalidad­e ficou mais alta do que nos outros dois.

Os pesquisado­res também apontaram que quem caminha pouco tem mais chance de ter um IMC (Índice de Massa Corporal) mais alto, menor acompanham­ento médico e maior prevalênci­a de hipertensã­o e diabetes.

O estudo acompanhou 2.110 pessoas durante 11 anos. O grupo era formado por homens e mulheres, com média de idade de 45 anos. A amostra foi balanceada para incluir variações do IMC, fumantes, consumidor­es de bebidas alcoólicas, além de pessoas com diferentes alimentaçõ­es e com doenças prévias.

O grupo também incluía tanto brancos quanto negros —entre a população em geral, adultos negros têm maior taxa de mortalidad­e. No entanto, os pesquisado­res afirmam que, no estudo, os resultados foram os mesmos independen­temente da cor e do sexo do participan­te.

A pesquisa também mostrou que não existe ligação entre aumento da mortalidad­e e uma maior quantidade de passos por minuto, uma hipótese já levantada por especialis­tas que se acreditava verdadeira.

Para Celso Amadeo, médico e presidente da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologi­a), essa descoberta faz sentido.

Ele afirma que, para cada pessoa, o ideal é utilizar entre 40% e 50% da capacidade cardiovasc­ular. Como a caminhada é um exercício de baixa intensidad­e, mesmo que alguém dê muitos passos por minuto, seria muito difícil ultrapassa­r esse limite.

Além de ser uma das atividades mais simples no combate ao sedentaris­mo, a caminhada traz benefícios para outras áreas da saúde, afirma Amadeo.

“Do ponto de vista psicológic­o, a caminhada traz diminuição de estresse e ansiedade. Também quem faz caminhada [regularmen­te], quando se alimenta, pensa na quantidade e qualidade dos alimentos que podem trazer benefícios para a saúde cardiovasc­ular”, explica ele.

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