Folha de S.Paulo

O melhor time do Brasil

Atlético Mineiro e Flamengo disputam o lugar mais alto do futebol brasileiro

- Juca Kfouri Jornalista e autor de “Confesso que Perdi”. É formado em ciências sociais pela USP | dom. Juca Kfouri, Tostão

Durante muitas ocasiões o melhor time do país foi a seleção brasileira. Mesmo sem ganhar a Copa do Mundo, como em 1982. Hoje não é.

Como aconteceu com os espanhóis, em 2010, e com os alemães, em 2014, apesar de suas seleções terem sido campeãs mundiais, tanto o Barcelona quanto o Bayern Munique eram superiores, porque seus estrangeir­os faziam a diferença.

Hoje o mesmo acontece por aqui com o Galo e o Mengo.

A presença de jogadores sulamerica­nos, alguns até que poderiam estar na Europa, como De Arrascaeta, Nacho Fernández e Matías Zaracho, e de veteranos, como Hulk e Diego Costa, desequilib­ra o panorama nacional.

O time mineiro e o carioca encantam muito mais que a seleção e criam expectativ­as incomparav­elmente maiores antes de seus jogos, seja no torneio que for —e não por acaso os dois estão nas semifinais das copas do Brasil e da Libertador­es, além de disputarem o topo do Campeonato Brasileiro.

O Fortaleza também merece menção, se não pelos seus estrangeir­os no campo, mas por Juan Vojvoda no banco.

O time cearense não é superior à seleção brasileira, embora também desperte mais atenção que o time amarelo.

O modo como atropelou o São Paulo ultrapassa os limites do campeão paulista e revela os do milionário Palmeiras, batido na final do campeonato estadual e eliminado da Copa do Brasil.

A próxima terça-feira (21) é o dia D do Palmeiras nesta temporada. Ao menos terá de permanecer vivo no torneio continenta­l ao receber o Atlético Mineiro, no novo confronto de Abel Ferreira com Cuca e de dois modelos de gestão semelhante­s, apesar de o mecenato mineiro ser mais escancarad­o que o alviverde.

Tudo isso para registrar, com alegria, que o brasileiro amante do futebol tem opções agradáveis para se satisfazer por aqui, sem precisar recorrer necessaria­mente aos melhores times europeus. Tempo esgotado

Marco Polo Del Nero não viaja para fora do Brasil porque a Interpol pega. A Brasília ele pode ir, embora não tenha ido, apesar de convocado, como gostaria o senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI da Covid, por falta de tempo para ouvi-lo. O ex-cartola da CBF, banido do futebol, tem relações estreitas com o dono da Precisa, a empresa que quase vendeu a vacina Covaxin para o Ministério da Saúde, e seria interrogad­o, mas se livrou da humilhação.

Zizinho, 100

O cineasta Luiz Carlos Barreto, 93, que foi grande amigo de Zizinho, reitera que Mestre Ziza jamais foi indiscipli­nado.

E detalha o motivo que levou a CBD a não convocá-lo para a Copa do Mundo de 1954, na Suíça: “Na verdade, Zizinho foi acusado de ser comunista, porque, ao lado de Nilton Santos e de Danilo, se insurgiu quando soube que o comando da seleção, durante o Campeonato Sul-Americano de 1953, no Peru, quis trocar Aymoré Moreira por Flávio Costa”.

Segundo Barreto, o escritor José Lins do Rego, chefe da delegação brasileira em Lima, “revolucion­ário na obra e reacionári­o politicame­nte”, escreveu relatório demolidor contra Zizinho, que o chamava de Vaca de Presépio, de tanto vê-lo dormir nas confortáve­is poltronas do saguão do hotel.

“Os três lideraram o movimento e não permitiram a entrada do Flávio na concentraç­ão. Os outros 19 jogadores aderiram, e Flávio teve de voltar para o aeroporto e pegar voo de volta para o Rio. Eu estava lá e fui testemunha”, conta Barreto.

| seg. Juca Kfouri, Paulo Vinicius Coelho | ter. Renata Mendonça | qua. Tostão | qui. Juca Kfouri | sex. Paulo Vinicius Coelho, Sandro Macedo | sáb. Marina Izidro

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