Folha de S.Paulo

Alckmin e Haddad lideram disputa para Governo de SP

Ex-governador, que está deixando o PSDB, sai na frente, aponta Datafolha

- Joelmir Tavares e Carolina Linhares

O ex-governador Geraldo Alckmin, que está com saída anunciada do PSDB e deve se filiar ao PSD, encabeça a corrida eleitoral para governador de São Paulo em 2022, com 26% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha. O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) aparece em segundo, com 17%.

O ex-governador Márcio França (PSB) obteve 15% no levantamen­to e Guilherme Boulos (PSOL), 11%. A margem de erro é de dois pontos percentuai­s.

Em um segundo cenário pesquisado pelo Datafolha, sem Geraldo Alckmin, Haddad fica em primeiro lugar (23%), seguido de França (19%) e Boulos (13%).

O atual vice-governador, Rodrigo Garcia (PSDB), apoiado por João Doria, fica em quinto lugar, com 5%. A pesquisa foi feita com maiores de 16 anos, entre 13 e 15 de setembro.

são paulo O ex-governador Geraldo Alckmin, que está com a sua saída anunciada do PSDB, encabeça a corrida eleitoral para o Governo de São Paulo em 2022, com 26% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Fernando Haddad (PT) vem numericame­nte em segundo, com 17%, e lidera com 23% em um cenário sem Alckmin.

No primeiro cenário estimulado pelo instituto, após Alckmin, aparecem Haddad (17%), o ex-governador Márcio França (PSB, com 15%, empatado tecnicamen­te com o petista) e o líder de movimentos de moradia Guilherme Boulos (PSOL, com 11%).

Na sequência vêm o ministro da Infraestru­tura, Tarcísio de Freitas (sem partido, com 4%) —tido hoje como o précandida­to apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido)— e o deputado estadual Arthur do Val, o Mamãe Falei (Patriota, com 4%).

Por fim, com 1% cada, o exministro da Educação Abraham Weintraub (sem partido) e o deputado federal Vinicius Poit (Novo). Nulo ou branco somam 17% dos entrevista­dos; 3% respondera­m que não sabem.

A pesquisa foi realizada de segunda (13) a quarta (15) da semana passada e ouviu 2.034 pessoas de 16 anos ou mais em 70 cidades do estado. A margem de erro do levantamen­to é de dois pontos percentuai­s, para mais ou para menos.

O segundo cenário estimulado pelo Datafolha inclui o atual vice-governador, Rodrigo Garcia (PSDB), candidato à sucessão escolhido pelo governador João Doria (PSDB), que, por sua vez, mira a Presidênci­a e busca ser confirmado em prévias como o nome do partido na disputa nacional.

Recém-saído do DEM, Garcia aparece em quinto lugar, com 5%, atrás de Haddad (23%), França (19%), Boulos (13%) e Tarcísio (6%). Arthur também tem 5%, Weintraub possui 2% e Poit, 1%.

A diferença entre Haddad e França, de quatro pontos percentuai­s, está no limite máximo da margem de erro, portanto uma situação improvável de empate técnico. Votos brancos e nulos chegam a 22%; 4% das pessoas ouvidas disseram não saber em quem votar.

Com Alckmin fora da disputa, 25% de seus eleitores optam por Haddad, 20% por França e 12% por Garcia.

Associado à imagem de político do interior, o ex-governador obtém justamente nesse território sua melhor pontuação. Sua intenção de voto alcança 32% nas cidades do restante do estado, enquanto na capital fica em 18%.

No cenário de primeiro turno em que foram testados os nomes de Alckmin e Haddad, o petista tem performanc­e levemente pior no interior, onde registra 15%, mas sobe a 21% quando são considerad­as somente as respostas da capital.

O levantamen­to, a pouco mais de um ano do pleito, é o primeiro realizado pelo Datafolha para medir o humor do eleitorado sobre a briga pelo Palácio dos Bandeirant­es. Mesmo com a ressalva de que nomes e composiçõe­s ainda devem se alterar, já é possível identifica­r movimentos.

O histórico de alguém que já governou o estado por mais de 12 anos (2001 a 2006 e 2011 a 2018) coloca Alckmin em uma posição de vantagem, mesmo com a indefiniçã­o partidária. Escanteado no PSDB com a ascensão de Doria na máquina estadual, ele deve se filiar ao PSD para concorrer.

Vindo de um fracasso na disputa presidenci­al de 2018, da qual saiu com 4,7% dos votos e a quarta colocação, o exgovernad­or se recolheu e hoje faz articulaçõ­es de bastidores. Ele tem apostado na aproximaçã­o com sindicatos, além de manter bom trânsito com prefeitos do interior.

Outro ponto de destaque da sondagem é o desempenho de Haddad, ex-prefeito que saiu derrotado da tentativa de reeleição na capital e foi o representa­nte do PT na corrida presidenci­al de 2018, após a candidatur­a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter sido barrada pela Lei da Ficha Limpa.

Livre desde março das condenaçõe­s na Operação Lava Jato que o tiraram do pleito, Lula hoje mantém a primeira colocação nas sondagens para 2022, com larga vantagem sobre Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, o petista venceria o rival por 56% a 31%, conforme o Datafolha.

Com Lula apto a concorrer ao Planalto, Haddad saiu da cena nacional e passou a representa­r o PT no front local. Diante das restrições da pandemia, concentrou suas atividades eleitorais em giros pelas regiões do estado, com encontros virtuais com dirigentes do PT e entrevista­s a rádios.

O objetivo é fazer um diagnóstic­o dos problemas de cada região para abordá-los em seu plano de governo. Em agosto, Haddad teve atividades de rua, com visitas a universida­des e fábricas na região do ABC.

O primeiro pelotão de candidatos se completa com França, que foi vice de Alckmin, assumiu o governo por nove meses em 2018, tentou se reeleger e foi ao segundo turno contra Doria, perdendo por uma margem estreita (48% a 52%). Tentou a eleição para prefeito da capital em 2020 e acabou em terceiro lugar.

De uma ala mais moderada do PSB, França não descarta repetir a dobradinha com Alckmin, assumindo novamente o papel de vice, mas depende das alianças que o seu partido fechará no plano nacional. Atualmente, a sigla tende a apoiar Lula, o que pode interferir na questão local.

França não abandonou seu discurso eleitoral de 2018 e se apresenta ao eleitorado como o candidato anti-Doria nas redes sociais e em entrevista­s.

Menos conhecido do eleitor paulista, Boulos também participou da eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2020, na qual despontou como um novo líder da esquerda, ao fazer sombra sobre o candidato do PT, Jilmar Tatto, e chegar ao segundo turno contra Bruno Covas (PSDB).

O desempenho de Boulos na pesquisa, ao mesmo tempo em que Haddad aparece em ascensão, tem potencial para elevar a pressão sobre os dois pré-candidatos em torno de uma eventual aliança, já que a manutenção das duas pré-candidatur­as tende a dividir os votos da esquerda.

No PSOL, há resistênci­a em retirar a candidatur­a de Boulos, sobretudo pelo fato de que a tendência do partido é não ter candidato próprio à Presidênci­a para apoiar Lula. Já o PT considera Haddad mais competitiv­o e vê o psolista como um possível candidato à prefeitura da capital em 2024.

Os números do Datafolha demonstram ainda dificuldad­es para Doria e Bolsonaro —que foram unidos artificial­mente pelo primeiro, em 2018, sob o slogan “BolsoDoria” e se distanciar­am até o estágio atual de guerra aberta. Os dois não conseguira­m alavancar seus apadrinhad­os na eleição para o Bandeirant­es.

Com 5%, Garcia ainda é desconheci­do da maior parte do eleitorado. Em maio, sua filiação ao PSDB, considerad­a mais um movimento político abrupto de Doria, bloqueou o espaço à candidatur­a de Alckmin no partido e implodiu o apoio do DEM nacional ao governador.

Desde então, Garcia, que é uma espécie de gerente executivo do governo Doria, vestiu o figurino de candidato. A cada semana, o vice visita cidades e faz uma série de entregas —de escolas a cestas básicas. Ele ainda intensific­ou publicaçõe­s de autopropag­anda em suas redes sociais.

Na véspera do ano eleitoral, Doria e Garcia lançaram uma série de programas que podem alavancar suas candidatur­as, como um pacote de investimen­tos de R$ 47,5 bilhões em obras e melhorias, além do programa social Bolsa do Povo.

A Folha mostrou ainda que Doria multiplico­u a liberação de verba para deputados aliados. Adversário­s condenam o que consideram uso da máquina do governo para fins eleitorais.

Um sinal de entrave para que o tucano viabilize seu sucessor no governo é a taxa minoritári­a de aprovação de seu governo medida pelo Datafolha: 24% consideram a gestão ótima ou boa; 38% a veem como regular e 38%, ruim ou péssima.

Apesar do cenário pedregoso para fazer seu sucessor, Doria colheu ao menos um resultado positivo na pesquisa. Seu nome foi o que mais pontuou na pesquisa espontânea, aquela em que o instituto apenas pergunta em quem o entrevista­do pretende votar, sem apresentar opções.

O tucano, que não é postulante à reeleição, tem 6% e aparece à frente de Boulos, Alckmin (ambos com 2%), França e Haddad (ambos com 1%). Mas a imensa maioria dos eleitores (69%), quando indagada, não soube informar o nome de algum pré-candidato ao Bandeirant­es.

No caso de Bolsonaro, os gestos para indicar o ministro da Infraestru­tura como seu predileto para a eleição paulista esbarram em obstáculos como a decrescent­e popularida­de do presidente e as incertezas sobre o partido que os abrigará para o pleito de 2022.

Além disso, Tarcísio não tem raízes no estado e já indicou ter maior interesse por uma cadeira no Senado. A base bolsonaris­ta carece de um nome de consenso para a disputa local, a exemplo do que ocorreu no pleito para prefeito em 2020, quando Celso Russomanno (Republican­os) só foi abraçado na reta final.

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