Folha de S.Paulo

Programa preenche lacunas na formação

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presidente do Crea-SP, o engenheiro Vinicius Marchese, fala sobre a importânci­a do curso de pós-graduação para a atualizaçã­o e o futuro dos profission­ais de engenharia

Como surgiu a ideia desse curso de pós-graduação?

Há um debate sobre a qualidade do ensino e de como o Crea-SP pode auxiliar na formação e atualizaçã­o profission­al. A gente percebeu que a grande lacuna era nas áreas de empreended­orismo e de inovação. Esse segmento da área tecnológic­a em engenharia e agronomia tinha poucos cursos de capacitaçã­o. Já existe um conteúdo muito bom sobre técnicas nesses campos, mas pouca coisa sobre tecnologia­s aplicadas em empresas com grande performanc­e.

O curso busca aproximar os alunos da experiênci­a real do dia a dia?

Sim, porque não basta ter uma ideia brilhante e uma boa apresentaç­ão se na hora em que você coloca a ideia na planilha ela não para em pé. Há módulos de Empreended­orismo, de Inovação, de Gestão de Projetos e de Equipes nos quais os alunos são divididos em grupos com a missão de formatar uma startup. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresenta essa startup para uma equipe que avalia se o projeto tem futuro ou não e se os conceitos do curso foram aplicados. Nessa primeira turma, foram 217 TCCs no formato de empresas de bases tecnológic­as (startups) criadas. A ideia é colocar o conceito de empreended­orismo no dia a dia d0s alunos.

E o que chamou atenção nas propostas das startups?

A criação, o modelo e o objetivo das startups ficam a critério dos grupos. Eles precisam pensar em um problema real e na solução. E 90% dos projetos da primeira turma tiveram ligação com o meio ambiente, com o desenvolvi­mento sustentáve­l. Você alia a possibilid­ade de criar um negócio à capacidade de ficar em pé, de monetizaçã­o e ainda resolve um problema coletivo.

Como o Crea-SP vê a questão da falta de mão de obra especializ­ada no mercado?

Até 2030 há previsão de falta de mão de obra especializ­ada em engenharia e nas áreas tecnológic­as de cerca de 1 milhão de profission­ais. O que fazemos é evidenciar esse quadro e tentar reverter essa previsão. Nosso objetivo é chegar a 2030, olhar para trás e dizer: “Essa previsão não se concretizo­u”. Afirmar que conseguimo­s trazer a capacitaçã­o necessária. Quando há necessidad­e de uma evolução tecnológic­a mais rápida do que está acontecend­o, percebemos o quanto precisamos qualificar a mão de obra que temos hoje. A gente não pode ficar só no debate. Precisamos oferecer soluções.

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Vinicius Marchese, presidente do Crea-SP

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