Es­to­que de ações cai na Jus­ti­ça do Tra­ba­lho

Após re­for­ma tra­ba­lhis­ta, li­tí­gi­os pendentes re­cu­am 6,4% em fe­ve­rei­ro, so­fren­do pri­mei­ra que­da em cin­co anos

Folha De S.Paulo - - Mundo - ANAÏS FER­NAN­DES WIL­LI­AM CASTANHO

Mu­dan­ça ocor­re por­que a en­tra­da de pro­ces­sos caiu pe­la me­ta­de; nú­me­ro de sen­ten­ças, po­rém, não au­men­tou

O cha­ma­do es­to­que de pro­ces­sos —vo­lu­me de li­tí­gi­os à es­pe­ra de so­lu­ção— nas Va­ras do Tra­ba­lho de to­do o país re­gis­trou a pri­mei­ra que­da em cin­co anos. A re­tra­ção foi de 6,4% em fe­ve­rei­ro des­te ano.

Po­de pa­re­cer pou­co, mas des­de 2014, ano em que a sé­rie his­tó­ri­ca es­tá dis­po­ní­vel nos re­la­tó­ri­os do TST (Tri­bu­nal Su­pe­ri­or do Tra­ba­lho), o vo­lu­me de pro­ces­sos cres­cia in­ces­san­te­men­te.

En­tre 2014 e 2017, o es­to­que pas­sou de 1,5 mi­lhão pa­ra 1,8 mi­lhão de pro­ces­sos. Ao fi­nal de fe­ve­rei­ro, po­rém, ha­via 1,7 mi­lhão de ações no aguar­do de sen­ten­ça na pri­mei­ra ins­tân­cia. No país, há 1.587 va­ras.

A re­du­ção do es­to­que ocor­re prin­ci­pal­men­te por cau­sa da que­da no in­gres­so de no­vos pro­ces­sos. En­tre de­zem­bro e fe­ve­rei­ro de 2018, as va­ras re­ce­be­ram 48,3% me­nos ações em re­la­ção à pas­sa­gem de 2016 pa­ra 2017 — 295,5 mil an­te 571,5 mil. A re­for­ma tra­ba­lhis­ta en­trou em vi­gor em no­vem­bro.

“Com a re­du­ção na en­tra­da de no­vos pro­ces­sos, foi pos­sí­vel fi­xar uma agen­da de tra­ba­lho mais ra­ci­o­nal, e is­so se re­fle­te no es­to­que”, diz Flá­vio Roberto Ba­tis­ta, pro­fes­sor de di­rei­to do tra­ba­lho da USP.

De acordo com Ba­tis­ta, o mai­or gar­ga­lo na Jus­ti­ça do Tra­ba­lho é a fa­se de cum­pri­men­to da de­ci­são ju­di­ci­al. “Com a que­da de no­vos pro­ces­sos, so­ma­da à ques­tão de a ação tra­ba­lhis­ta, em ge­ral, ser jul­ga­da na au­di­ên­cia, as coi­sas vão fi­can­do em dia”, afir­ma Ba­tis­ta.

De ja­nei­ro a fe­ve­rei­ro, fo­ram ini­ci­a­das qua­se 104 mil exe­cu­ções —que­da de 14,3% an­te 2017— e en­cer­ra­das 90,7 mil, uma re­du­ção de 7% em re­la­ção ao ano an­te­ri­or. Fe­ve­rei­ro fe­chou com 2,6 mi­lhões de exe­cu­ções pendentes, re­cuo de 0,6% so­bre o mes­mo pe­río­do de 2017.

A pro­je­ção en­tre os es­pe­ci­a­lis­tas é que es­se novo rit­mo abre uma pers­pec­ti­va po­si­ti­va pa­ra o tem­po de tra­mi­ta­ção. “Nes­se ca­mi­nho, a Jus­ti­ça do Tra­ba­lho vai de­sa­fo­gar em cur­to es­pa­ço de tem­po”, diz o pro­fes­sor de di­rei­to do

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