Va­qui­nha de pre­si­den­ciá­veis pe­la web de­sa­ce­le­ra na Co­pa

Em 2 me­ses, do­a­ções re­pre­sen­tam 0,1% de ar­re­ca­da­ção com em­pre­sas em 2014

Folha De S.Paulo - - Poder - Bernardo Ca­ram e Isa­bel Fleck

bra­sí­lia e são pau­lo Dois me­ses após o iní­cio das va­qui­nhas elei­to­rais, as cam­pa­nhas de fi­nan­ci­a­men­to co­le­ti­vo dos pré­can­di­da­tos à Pre­si­dên­cia não de­co­la­ram e ain­da so­fre­ram uma de­sa­ce­le­ra­ção du­ran­te o pe­río­do da Co­pa do Mun­do.

Mes­mo ten­do si­do um dos úl­ti­mos a co­me­çar a co­le­ta, no iní­cio de ju­nho, o ex-pre­si­den­te Luiz Iná­cio Lu­la da Sil­va (PT), li­de­ra a ar­re­ca­da­ção, com 4.096 do­a­ções até a tar­de des­ta sex­ta (13), to­ta­li­zan­do R$ 381 mil.

O va­lor, no en­tan­to, re­pre­sen­ta 0,1% dos R$ 350 mi­lhões ar­re­ca­da­dos pe­la cam­pa­nha vi­to­ri­o­sa da ex-pre­si­den­te Dil­ma Rous­seff em 2014, quan­do as do­a­ções de em­pre­sas ain­da eram per­mi­ti­das.

Na sequên­cia, es­tá o pré-can­di­da­to pe­lo No­vo, João Amoê­do, que ar­re­ca­dou R$ 265,8 mil. O to­tal de do­a­ções do ter­cei­ro co­lo­ca­do, Ci­ro Go­mes (PDT), já cai pa­ra R$ 44 mil.

Le­van­ta­men­to fei­to pe­la Fo­lha iden­ti­fi­cou que as cam­pa­nhas de pre­si­den­ciá­veis vi­ram uma de­sa­ce­le­ra­ção nas do­a­ções nas úl­ti­mas três se­ma­nas.

A de Lu­la, por exem­plo, que vi­nha ar­re­ca­dan­do cer­ca de R$ 164,7 mil se­ma­nais, caiu pa­ra R$ 17 mil por se­ma­na, 10% do que co­le­ta­va an­tes. O mes­mo ocor­reu com a de Amoê­do, cu­jas do­a­ções caí­ram pa­ra 16% do va­lor an­te­ri­or.

A as­ses­so­ria do pe­tis­ta in­for­mou que a que­da na ar­re­ca­da­ção não pre­o­cu­pa e que o de­ba­te po­lí­ti­co se in­ten­si­fi­ca­rá a par­tir da pró­xi­ma se­ma­na, com o fim da Co­pa.

O PT afir­ma ain­da não ha­ver re­ceio de que a can­di­da­tu­ra de Lu­la —que es­tá pre­so após con­de­na­ção em se­gun­da ins­tân­cia pe­los cri­mes de cor­rup­ção e la­va­gem de di­nhei­ro— não se­ja acei­ta pe­lo TSE (Tri­bu­nal Superior Elei­to­ral).

Ci­ro foi o que viu uma que­da mai­or na ar­re­ca­da­ção. Nas úl­ti­mas três se­ma­nas, ela re­pre­sen­tou, pro­por­ci­o­nal­men­te, 9% dos R$ 19 mil se­ma­nais da pri­mei­ra quin­ze­na de do­a­ções.

A cam­pa­nha de Al­va­ro Di­as (Po­de), que tam­bém viu uma que­da de 75% nas con­tri­bui­ções nas úl­ti­mas três se­ma­nas, dis­se que pre­ten­de au­men­tar a divulgação da va­qui­nha por meio das re­des so­ci­ais e do WhatsApp.

Se Lu­la li­de­ra a ar­re­ca­da­ção to­tal, no va­lor mé­dio por do­a­ções, quem fi­ca à fren­te são os na­ni­cos Pau­lo Ra­bel­lo de Cas­tro (PSC), com R$ 242 por con­tri­bui­ção, e João Gou­lart Fi­lho (PPL), com R$ 180.

Os dois, no en­tan­to, ti­ve­ram ape­nas 14 e 10 do­a­ções, res­pec­ti­va­men­te, to­ta­li­zan­do não mais que R$ 3.500. Na úl­ti­ma pes­qui­sa Da­ta­fo­lha, de ju­nho, Pau­lo Ra­bel­lo não atin­ge nem 1% das in­ten­ções de vo­to e Gou­lart Fi­lho os­ci­la en­tre ze­ro e 1%.

Na ava­li­a­ção do ci­en­tis­ta po­lí­ti­co e pes­qui­sa­dor em de­mo­cra­cia di­gi­tal Max Sta­bi­le, a des­con­fi­an­ça do bra­si­lei­ro com a po­lí­ti­ca tra­va a pos­sí­vel cri­a­ção de uma cul­tu­ra em que o ci­da­dão fi­nan­cia seu can­di­da­to fa­vo­ri­to.

Pa­ra ele, a bai­xa ade­são tam­bém po­de ser ex­pli­ca­da pe­lo fa­to de mui­tas can­di­da­tu­ras e ali­an­ças ain­da es­ta­rem in­de­fi­ni­das, po­den­do ha­ver mu­dan­ças nos qua­dros até o iní­cio de agos­to, pra­zo fi­nal pa­ra as con­ven­ções par­ti­dá­ri­as. O efei­to da Co­pa do Mun­do tam­bém en­tra na con­ta.

“A agen­da mu­dou mui­to nes­sas se­ma­nas. O país pa­rou um pou­co de dis­cu­tir po­lí­ti­ca e to­do mun­do es­tá dis­cu­tin­do fu­te­bol”, dis­se.

En­tre os pré-can­di­da­tos que ain­da não ade­ri­ram à ar­re­ca­da­ção por meio da va­qui­nha di­gi­tal, Al­do Re­be­lo (SD) dis­se que de­ci­sões so­bre es­se te­ma ou ou­tras ne­go­ci­a­ções elei­to­rais só en­tra­rão em pau­ta após o cam­pe­o­na­to mun­di­al.

“Pri­mei­ro, nós va­mos sa­ber quem é o ter­cei­ro, o quar­to lu­gar, o cam­peão, o vi­ce. De­pois, a tur­ma vai co­me­çar a pen­sar nis­so. Es­tá tu­do pa­ra­do”, afir­mou.

As pla­ta­for­mas de Gui­lher­me Bou­los (PSOL) e Ma­nu­e­la D’Ávi­la (PC do B) são as úni­cas que não dei­xam aber­ta, no si­te, a lis­ta com os no­mes de quem con­tri­buiu e os va­lo­res —uma exigência do TSE.

Os dois partidos, po­rém, di­zem que a ar­re­ca­da­ção não é pa­ra a cam­pa­nha, que se ini­cia em 15 de agos­to, mas pa­ra a pré-cam­pa­nha, quan­do as re­gras­do­tri­bu­nal­não­se­a­pli­cam.

O di­nhei­ro co­le­ta­do pe­las em­pre­sas au­to­ri­za­das pe­lo TSE fi­ca­rá re­ti­do até que o po­lí­ti­co re­gis­tre sua can­di­da­tu­ra, a par­tir de agos­to. Só en­tão o va­lor se­rá re­pas­sa­do a ele ou de­vol­vi­do aos do­a­do­res, em ca­so de de­sis­tên­cia.

As as­ses­so­ri­as de Ma­ri­na Sil­va (Re­de) e Ge­ral­do Alck­min (PSDB) dis­se­ram que su­as ar­re­ca­da­ções co­me­çam ain­da nes­te mês.

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