Sis­te­ma mo­der­no de saú­de atrai cer­ca de 40 mil tu­ris­tas por ano à ci­da­de de SP

Com sis­te­ma pri­va­do mo­der­no, ca­pi­tal recebe cer­ca de 40 mil tu­ris­tas de sáu­de por ano e am­plia o le­que de aten­di­men­to a pa­ci­en­tes la­ti­nos e afri­ca­nos

Folha de S.Paulo - - Primeira Página - Ia­ra Bi­der­man tex­to Ri­car­do Da­vi­no ilus­tra­ções

Veja bem aque­le es­tran­gei­ro ao lado. Entre os qua­se 3 mi­lhões de vi­si­tan­tes vindos do ex­te­ri­or para São Paulo por ano, há um ti­po pe­cu­li­ar: o tu­ris­ta pa­ci­en­te. A ci­da­de se con­so­li­dou co­mo a ca­pi­tal la­ti­no-ame­ri­ca­na da saú­de, sen­do a que mais recebe fo­ras­tei­ros em bus­ca de tra­ta­men­tos e di­ag­nós­ti­cos mé­di­cos. Es­se po­ten­ci­al do tu­ris­mo de saú­de é cla­ro para hos­pi­tais, que têm in­ves­ti­do tan­to nas cer­ti­fi­ca­ções in­ter­na­ci­o­nais de qua­li­da­de qu­an­to no pre­pa­ro de equi­pes mé­di­cas e de re­cep­ti­vo es­pe­ci­a­li­za­das. A den­tis­ta bo­li­vi­a­na Ma­ria Pau­la, 58, te­ve um pro­ble­ma vas­cu­lar e veio fa­zer exames na ca­pi­tal. “Te­nho se­gu­ro in­ter­na­ci­o­nal. Os ín­di­ces de qua­li­da­de dos hos­pi­tais da­qui são me­lho­res.” De­pois do di­ag­nós­ti­co, fi­cou na ci­da­de para uma ci­rur­gia de va­ri­zes no Oswal­do Cruz. Além de in­di­ca­do­res de qua­li­da­de, para ela faz di­fe­ren­ça o carinho com que os pa­ci­en­tes são tra­ta­dos. “Quem vem se tra­tar sem­pre comenta. A mai­or di­vul­ga­ção dos hos­pi­tais de São Paulo é no bo­ca a bo­ca.”

O res­tan­te da ca­deia tu­rís­ti­ca, do setor hoteleiro ao de en­tre­te­ni­men­to, também vê mui­tas opor­tu­ni­da­des nes­ses vi­si­tan­tes.

Se­gun­do Ju­lia Li­ma, presidente da Abra­tus (As­so­ci­a­ção Brasileira de Tu­ris­mo de Saú­de), é um vi­a­jan­te que fica mais tem­po na ci­da­de (em mé­dia, dois me­ses), cos­tu­ma tra­zer mais acom­pa­nhan­tes e gasta em cul­tu­ra e en­tre­te­ni­men­to tan­to ou mais que um tu­ris­ta con­ven­ci­o­nal.

No en­tan­to, ele per­ma­ne­ce meio ocul­to. En­ten­de-se: a mai­o­ria das pes­so­as não gos­ta de alar­de­ar su­as do­en­ças, e os cen­tros de tra­ta­men­to man­têm o com­pro­mis­so de res­pei­tar a pri­va­ci­da­de de seus cli­en­te se o si­gi­lo mé­di­co. Por is­so, há mui­tos da­dos mas­ca­ra­dos. Mas es­ti­ma-se que, no to­tal, o Bra­sil re­ce­ba mais de 55 mil tu­ris­tas de saú­de por ano; des­tes, qua­se 70% vêm para São Paulo.

A pri­mei­ra ins­ti­tui­ção de saú­de fo­ra dos EUA a re­ce­be­ra acre­di­ta­ção daJCI(Joint Com­mis­si­on In­ter­na­ti­o­nal) foi o hos­pi­tal Al­bert Eins­tein. A co­mis­são norte-ame­ri­ca­na cer­ti­fi­ca ser­vi­ços em mais de cem paí­ses e re­ce­ber seu se­lo, que ates­ta se­gu­ran­ça e qua­li­da­de no aten­di­men­to mé­di­co, te­ve im­pac­to na procura de pa­ci­en­tes in­ter­na­ci­o­nais por hos­pi­tais pau­lis­ta­nos, diz Sid­ney Klaj­ner, presidente da Sociedade Be­ne­fi­cen­te Is­ra­e­li­ta Brasileira Al­bert Eins­tein.

Duas dé­ca­das após ter o pri­mei­ro hos­pi­tal acre­di­ta­do, em 1999, aci­da­de con­cen­tra 28 das 63 uni­da­des de saú­de bra­si­lei­ras cer­ti­fi­ca­das pe­la in­flu­en­te ins­ti­tui­ção. O número inclui, além de hos­pi­tais, ser­vi­ços co­mo aten­di­men­to mó­vel, am­bu­la­tó­rio, pro­gra­mas ci­en­tí­fi­cos e se­gu­ra­do­ras.

Para An­to­nio Bas­tos, su­pe­rin­ten­den­te mé­di­co do hos­pi­tal Oswal­do Cruz, além da chan­ce­la das en­ti­da­des de acre­di­ta­ção, os hos­pi­tais da ca­pi­tal se di­fe­ren­ci­am por in­ves­ti­men­tos pe­sa­dos em pes­qui­sa e em novos equi­pa­men­tos e tec­no­lo­gi­as de saú­de.

Is­so atrai es­pe­ci­al­men­te pa­ci­en­tes das Amé­ri­cas do Su­le Cen­tral. Além da pro­xi­mi­da­de ge­o­grá­fi­ca e de­cer­ta fa­ci­li­da­de com a lín­gua, eles en­con­tram em São Paulo os mesmos tra­ta­men­tos de pon­ta ofe­re­ci­dos pe­los me­lho­res hos­pi­tais norte-ame­ri­ca­nos por, pe­lo me­nos, me­ta­de do custo.

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