Entre os ex­tre­mos

Folha de S.Paulo - - Opinião - Bru­no Boghos­si­an

brasília Aos pou­cos, o elei­tor se acos­tu­ma à ba­ru­lhei­ra que che­ga dos ex­tre­mos. O cres­ci­men­to con­tí­nuo de Jair Bol­so­na­ro (PSL) e a de­co­la­gem ace­le­ra­da de Fer­nan­do Had­dad (PT) em­pur­ram a cor­ri­da pre­si­den­ci­al cada vez mais para os po­los da disputa. Os ape­los do tal “cen­tro” po­lí­ti­co não se pro­pa­gam no vá­cuo.

A po­pu­la­ção que vai às ur­nas em três se­ma­nas co­me­ça a tra­tar com nor­ma­li­da­de a batalha entre uma di­rei­ta no­ta­da­men­te ra­di­cal e uma esquerda fe­ri­da pe­lo im­pe­a­ch­ment e pe­la pri­são de Lu­la. Had­dad es­tá lon­ge de ser um ex­tre­mis­ta, mas até ago­ra sua mo­de­ra­ção foi aba­fa­da pe­la ani­mo­si­da­de do par­ti­do.

A evo­lu­ção dos nú­me­ros do Da­ta­fo­lha in­di­ca que os elei­to­res to­pa­ram se ar­mar para es­sa guerra. Em ju­nho, di­an­te de um se­gun­do tur­no entre Bol­so­na­ro e Had­dad, 34% dos en­tre­vis­ta­dos di­zi­am vo­tar em bran­co ou nu­lo. Ago­ra, o ín­di­ce é de 17% —ou se­ja, me­ta­de da­que­le gru­po re­sol­veu es­co­lher um lado, ali­men­tan­do um em­pa­te téc­ni­co (41% a 40%).

O prin­ci­pal mo­ti­vo da va­ri­a­ção é o fa­to de que Had­dad era pou­co co­nhe­ci­do an­tes de seu lan­ça­men­to ofi­ci­al, mas o resultado re­for­ça a impressão de um rá­pi­do ali­nha­men­to do elei­to­ra­do nas bor­das da disputa.

Os che­fes do es­ta­blish­ment po­lí­ti­co sa­bi­am que os centristas te­ri­am di­fi­cul­da­de em em­pla­car um discurso de con­ci­li­a­ção. Ten­ta­ram, de to­do jei­to, dar uma ca­ra no­va a um ve­lho con­sór­cio de par­ti­dos, son­dan­do no­mes co­mo João Do­ria e Luciano Huck, e até fler­tan­do com o tom mais rai­vo­so de Ci­ro Gomes (PDT).

Ain­da há 21 dias de cam­pa­nha pe­la fren­te, mas o es­pa­ço entre os ex­tre­mos vai fi­can­do aper­ta­do. Bol­so­na­ro tem uma ta­xa al­tís­si­ma de apoi­a­do­res con­vic­tos (75% dizem que não mu­dam de voto), e Had­dad tem um la­go enor­me para pes­car (40% dos elei­to­res de bai­xa ren­da ain­da não sa­bem que ele é o can­di­da­to de Lu­la).

Ci­ro e Ge­ral­do Alck­min (PSDB) só con­se­gui­rão avan­çar na ter­cei­ra via se pe­ga­rem ca­ro­na no voto útil. Para is­so, pre­ci­sa­rão con­ven­cer o elei­tor a vol­tar no tem­po, qu­an­do PT e PSL pa­re­ci­am op­ções me­nos acei­tá­veis.

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