A pro­mes­sa e a lei

Folha de S.Paulo - - Opinião -

A exem­plo de ou­tros vi­to­ri­o­sos no plei­to do ano pas­sa­do, o go­ver­na­dor de São Pau­lo, João Do­ria (PSDB), de­fen­deu na cam­pa­nha tra­ta­men­to ri­go­ro­so a cri­mi­no­sos.

Opor­tu­nis­ta ou não, o dis­cur­so de Do­ria na área de se­gu­ran­ça pú­bli­ca re­fle­te pre­o­cu­pa­ções e an­gús­ti­as le­gí­ti­mas dos pau­lis­tas. Em­bo­ra a ta­xa de ho­mi­cí­di­os do es­ta­do te­nha re­cu­a­do de for­ma con­sis­ten­te nos úl­ti­mos anos, não hou­ve o mes­mo êxi­to no ca­so de rou­bos e ou­tros de­li­tos con­tra o pa­trimô­nio.

Mais gra­ve, o go­ver­no lo­cal mos­trou-se in­ca­paz de con­ter a ex­pan­são do cri­me or­ga­ni­za­do. Des­de sua fun­da­ção, em 1993, num pre­sí­dio de se­gu­ran­ça má­xi­ma de Tau­ba­té, o Pri­mei­ro Co­man­do da Ca­pi­tal (PCC) só cres­ceu e ho­je pos­sui ra­mi­fi­ca­ções em to­do o país.

O en­fren­ta­men­to des­se qua­dro, en­tre­tan­to, é mais com­ple­xo do que faz su­por o dis­cur­so li­nha-du­ra das elei­ções. Di­ver­sas pro­pos­tas do go­ver­na­dor pau­lis­ta, por exem­plo, es­tão além de sua al­ça­da.

To­me-se a pro­mes­sa, fei­ta na se­ma­na re­tra­sa­da por Do­ria, de man­ter em com­ple­to iso­la­men­to, “sem ne­nhum ti­po de con­ta­to”, os che­fes das fac­ções cri­mi­no­sas.

Pa­ra que is­so ocor­ra se­rá ne­ces­sá­rio mo­di­fi­car o cha­ma­do re­gi­me dis­ci­pli­nar di­fe­ren­ci­a­do, o qual é re­gu­la­do por um di­plo­ma fe­de­ral —a Lei de Exe­cu­ção Pe­nal. Ho­je, há pra­zo má­xi­mo de iso­la­men­to de 360 di­as (até o li­mi­te de um sex­to da pe­na to­tal do con­de­na­do).

A trans­fe­rên­cia de um pre­so pa­ra es­se re­gi­me, ade­mais, de­pen­de de au­to­ri­za­ção da Jus­ti­ça e de ma­ni­fes­ta­ção do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co. As­sim, so­men­te no ca­so de o Con­gres­so Na­ci­o­nal al­te­rar a lei em vi­gor Do­ria po­de­ria di­zer que cum­priu sua pro­mes­sa.

O mes­mo se apli­ca a ou­tras ações pro­pos­tas pe­lo go­ver­na­dor, co­mo a obri­ga­to­ri­e­da­de do tra­ba­lho nas pri­sões, o fim das saí­das tem­po­rá­ri­as e a re­du­ção da mai­o­ri­da­de pe­nal. To­das elas de­pen­dem de mo­di­fi­ca­ções da le­gis­la­ção fe­de­ral e até da Cons­ti­tui­ção.

Já quan­do pro­põe ob­je­ti­vos que es­tão ao seu al­can­ce, co­mo o com­ba­te ao PCC, o tu­ca­no é pou­co cla­ro na­qui­lo que pre­ten­de fa­zer.

Do­ria mos­trou, em seu bre­ve pe­río­do co­mo pre­fei­to, o gos­to por ações mi­diá­ti­cas. Se pre­ten­de tor­nar-se uma li­de­ran­ça na­ci­o­nal, pre­ci­sa­rá apre­sen­tar re­sul­ta­dos.

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