Adre­na­li­na tor­ren­ci­al

Go Outside (Brazil) - - RADAR CORRIDA DE MONTANHA - POR BRU­NO RO­MA­NO FO­TOS MATT MAYNARD

NA NATUREZA BRUTA DO CHILE, CORREDORES DE MONTANHA SE ARRISCAM EM UM DOS AMBIENTES MAIS ISOLADOS DO CON­TI­NEN­TE DU­RAN­TE A PRO­VA TOR­REN­CI­AL VALDIVIA CRU­ZAR A ÚNI­CA FLO­RES­TA tem­pe­ra­da da Amé­ri­ca do Sul não é uma mis­são fá­cil. Mui­to me­nos no atí­pi­co in­ver­no chu­vo­so do su­do­es­te chi­le­no. Na cha­ma­da Sel­va Val­di­vi­a­na – re­gião re­ple­ta de ca­mi­nhos im­pe­ne­trá­veis, ri­os sel­va­gens e tri­lhas chei­as de bar­ro –, o cli­ma ad­ver­so se tor­na pro­ta­go­nis­ta da anu­al Tor­ren­ci­al Valdivia, pro­va de cor­ri­da de montanha que faz par­te do cir­cui­to Co­lum­bia Trail Chal­len­ge. Na edi­ção 2018 do even­to, que ro­lou en­tre o fim de ju­nho e iní­cio de ju­lho, es­se am­bi­en­te ad­ver­so al­can­çou um ní­vel ainda mais ex­tre­mo.

“Nun­ca es­pe­re uma pro­va nor­mal de trail run­ning: lá vo­cê lar­ga e não tem ideia do que vai acon­te­cer”, re­la­ta o cor­re­dor gaú­cho e pu­bli­ci­tá­rio An­dré Si­e­gle. “Nes­te ano, os ri­os es­ta­vam mui­to chei­os, e as tri­lhas, mais téc­ni­cas do que já são”, diz An­dré, do co­le­ti­vo de atle­tas Raiz Trail e cam­peão da ca­te­go­ria Tra­ves­sia em 2017. Em 2018, ele foi vi­ce, en­ca­ran­do 45 km e 2.000 me­tros de in­cli­na­ção po­si­ti­va em dois di­as (em 4h09­min48). Nas dis­pu­tas das de­mais ca­te­go­ri­as – 11, 18, 30, 45 e 80 km –, o tem­po tam­bém foi im­pi­e­do­so: tem­pe­ra­tu­ras os­ci­lan­do en­tre

1oc e 3oc, com ven­tos e chu­vas for­tes na mai­or par­te dos tra­je­tos. O mai­or per­cur­so (80 km) exi­giu 9h23­min18 de es­for­ço do ar­gen­ti­no Ser­gio Tre­ca­man, ven­ce­dor da edi­ção, e 10h30­min57 da ne­o­ze­lan­de­sa Am­ber Phi­lip, cam­peã en­tre as mu­lhe­res e 3a co­lo­ca­da ge­ral.

De­vi­do ao seu iso­la­men­to ge­o­grá­fi­co (cer­ca­da pe­la Cor­di­lhei­ra dos An­des, pe­lo Oce­a­no Pa­cí­fi­co e pe­las flo­res­tas chi­le­nas), a Sel­va Val­di­vi­a­na po­de ser con­si­de­ra­da uma es­pé­cie de “ilha”. A área con­ta com cer­ca de 2.000 es­pé­ci­es de plan­tas en­dê­mi­cas e exem­pla­res gi­gan­tes­cos de aler­ces, uma das ár­vo­res mais an­ti­gas do pla­ne­ta. Um ce­ná­rio fan­tás­ti­co e, ao mes­mo tem­po, hos­til, co­mo re­la­tam os corredores. Em um lu­gar tão ex­tre­mo, qual­quer des­cui­do po­de le­var à hi­po­ter­mia e a le­sões. En­tre­tan­to a re­com­pen­sa é uma pai­sa­gem im­pres­si­o­nan­te­men­te be­la.

TRA­VES­SIA SELVAGEM: Atle­ta en­ca­ra a noi­te ge­la­da no Chile du­ran­te os 45 km; aci­ma, tra­ves­sia do rio Pi­li­lin; à dir., cor­ri­da ru­mo à praia Pi­lol­cu­ra

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