DAS CAPELAS, RADIOS E RU­AS

Os no­mes, lu­ga­res e es­ti­los que com­pu­se­ram a ba­ga­gem cul­tu­ral com a qual El­vis che­gou ao tro­no

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA - ELVIS PRESLEY - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - INFLUÊNCIAS MUSICAIS - TEX­TO João Pau­lo Fer­nan­des/Co­la­bo­ra­dor DE­SIGN Mary El­len Ma­cha­do FOTOS Shutterstock Ima­ges e Ins­ta­gram @el­vis

Ape­sar de ser co­nhe­ci­do co­mo o rei do rock, uma das prin­ci­pais in­fluên­ci­as mu­si­cais de El­vis Presley, além do coun­try e do blu­es, rit­mos des­de sem­pre per­ten­cen­tes à re­a­li­da­de do can­tor e os quais ele apre­ci­a­va mui­to, foi a mú­si­ca gos­pel. Gra­ças à mãe, que era mui­to de­vo­ta, o can­tor des­de pe­que­no fre­quen­tou cul­tos re­li­gi­o­sos em Tupelo e, mais tar­de, em Memphis, pa­ra on­de se mu­dou com a fa­mí­lia em 1948. E foi ob­ser­van­do os co­rais que con­du­zi­am as ce­le­bra­ções que te­ve o seu des­per­tar pa­ra a mú­si­ca. Se­gun­do o re­la­to de sua pró­pria mãe Gladys, pre­sen­te no li­vro Last Train to Memphis: The Ri­se of El­vis Presley do au­tor Pe­ter Gu­ral­nick, ape­sar de ain­da ser mui­to no­vo pa­ra sa­ber a le­tra, El­vis ten­ta­va imi­tar os can­to­res bal­bu­ci­an­do qual­quer coi­sa na me­lo­dia da mú­si­ca.

Mais que de­vo­ção: uma pai­xão

Ao lon­go da car­rei­ra, prin­ci­pal­men­te na se­gun­da fa­se, o gos­pel se mos­trou pre­sen­te na vi­da de El­vis por meio das di­ver­sas mú­si­cas do seg­men­to que ele in­ter­pre- tou e re­gra­vou. As par­ce­ri­as que fez com can­to­res do gê­ne­ro pa­ra par­ti­ci­pa­ção em seus shows, tur­nês e a gra­va­ção de al­guns ál­buns per­ten­cen­tes ao es­ti­lo são ou­tros si­nais da apre­ci­a­ção do gos­pel pe­lo rei do rock. Ja­ke Hess e J.D. Su­mer, dois íco­nes des­te es­ti­lo mu­si­cal nos Es­ta­dos Uni­dos, eram vo­zes pe­las quais Presley nu­tria pro­fun­do res­pei­to e ad­mi­ra­ção, e com as quais te­ve a chan­ce de can­tar la­do a la­do em al­guns de seus shows. Hess foi o fun­da­dor do The Im­pe­ri­als, gru­po de can­to que El­vis cha­mou pa­ra dar o apoio vo­cal nas mú­si­cas de How Gre­at Thou Art, um de seus mais im­por­tan­tes ál­buns, e que de­pois o acom­pa­nhou em di­ver­sos shows até 1972, qu­an­do pre­ci­sou dis­pen­sar o gru­po por ques­tões fi­nan­cei­ras.

En­tre­tan­to, lo­go após per­der o apoio do The Im­pe­ri­als, El­vis te­ve a opor­tu­ni­da­de de can­tar ao la­do de um de seus mai­o­res ído­los. J.D. Su­mer, um ver­da­dei­ro su­pers­tar da mú­si­ca gos­pel na dé­ca­da de 1970, par­ti­ci­pou de di­ver­sos shows do rei do rock co­mo apoio vo­cal mas­cu­li­no ao la­do de seu quar­te­to, o The Stamps. O du­e­to El­vis e J.D. Su­mer foi res­pon­sá-

vel por uma das in­ter­pre­ta­ções mais acla­ma­das da mú­si­ca Why Me Lord, do can­tor e com­po­si­tor Kris Kris­tof­fer­son. O mo­men­to do show em que a can­ção era to­ca­da foi por mui­to tem­po con­si­de­ra­do um dos pon­tos mais al­tos dos con­cer­tos de Presley. O gos­to pe­la mú­si­ca gos­pel tam­bém le­vou El­vis a gra­var al­guns ál­buns ape­nas com mú­si­cas re­li­gi­o­sas. E to­dos fi­ze­ram tre­men­do su­ces­so. Re­la­tos de fãs e pes­so­as pró­xi­mas ao can­tor atri­bu­em tal re­per­cus­são à en­tre­ga e de­di­ca­ção es­pe­ci­ais que o rei do rock da­va a tais tra­ba­lhos. Su­as in­ter­pre­ta­ções, em pal­co, de mú­si­cas co­mo His Hand In Mi­ne e Ama­zing Gra­ce são sem­pre apon­ta­das co­mo mo­men­tos au­ge dos shows. Até mes­mo no es­tú­dio, tal en­tre­ga era per­cep­tí­vel. Há quem di­ga que as gra­va­ções dos ál­buns gos­pel de El­vis – His Hand In Mi­ne (1960), How Gre­at Thou Art (1967) e He Tou­ched Me (1972) – são as que pos­su­em as mú­si­cas mais en­vol­ven­tes e é pos­sí­vel se co­mo­ver com a emo­ção na in­ter­pre­ta­ção do can­tor.

A raíz “cai­pi­ra”

Além dos cul­tos ba­tis­tas, re­li­gião da qual El­vis e a mãe eram adep­tos, o pró­prio am­bi­en­te ur­ba­no das ci­da­des em que o can­tor mo­rou con­tri­buiu pa­ra o seu cres­ci­men­to mu­si­cal. Per­ten­cen­tes aos es­ta­dos de Mis­sis­sip­pi e Ten­nes­see, res­pec­ti­va­men­te, Tupelo e Memphis se lo­ca­li­zam ao sul dos Es­ta­dos Uni­dos, re­gião on­de sur­gi­ram o coun­try e o folk, es­ti­los mui­to pre­sen­tes nas mú­si­cas do rei do rock. Tan­to que uma de su­as pri­mei­ras e prin­ci­pais in­fluên­ci­as foi Car­vel Lee Aus­born, apre­sen­ta­dor de um pro­gra­ma de rá­dio em Tupelo e can­tor de coun­try, co­nhe­ci­do pe­lo no­me ar­tís­ti­co de Mis­sis­sip­pi Slim. El­vis che­gou a se apre­sen­tar du­as ve­zes no pro­gra­ma de Aus­born, que fa­zia acom­pa­nha­men­to na gui­tar­ra en­quan­to o jo­vem can­ta­va.

To­car na rá­dio em um pro­gra­ma ao vi­vo foi o pri­mei­ro con­ta­to de Presley com o show­bu­si­ness, e tam­bém uma das ex­pe­ri­ên­ci­as mais mar­can­tes na vi­da do can­tor. Até por­que es­se meio de co­mu­ni­ca­ção era com o qual o rei mais ti­nha afi­ni­da­de. O jo­vem pas­sa­va ho­ras ao la­do do apa­re­lho ou­vin­do gran­des no­mes do coun­try co­mo Hank Snow, Fer­lin Husky, Fa­ron Young, Eddy Ar­nold, The Lou­vin Brothers, The Car­ter Fa­mily e Bill Mon­roe, cu­jas mú­si­cas eram

trans­mi­ti­das em pro­gra­mas co­mo o Sin­gin’

El­vis nas ru­as de Memphis em 1956

El­vis Presley can­tan­do jun­to com seus pais, Ver­non e Gladys, a ba­se pa­ra al­can­çar o tí­tu­lo de rei do rock

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