PAUL MCCART­NEY AND THE WINGS

Após o fim con­tur­ba­do dos Be­a­tles, tu­do que McCart­ney que­ria era con­tro­le cri­a­ti­vo so­bre sua pró­pria pro­du­ção. Ele lo­go per­ce­beu que is­so não sig­ni­fi­ca­va fi­car li­mi­ta­do a uma car­rei­ra so­lo

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA ESPECIAL PAUL MACCARTNEY - 2 - - ÍNDICE - Tex­to Ra­fa­el Gui­ma­rães/ Co­la­bo­ra­dor De­sign Ana Pau­la Mal­do­na­do

Em meio a acu­sa­ções de ter si­do o cau­sa­dor do fim dos Be­a­tles, o bai­xis­ta encontrou con­for­to ao fun­dar uma no­va ban­da

Ofim dos Be­a­tles não foi fá­cil pa­ra nenhum de seus mem­bros, mas foi um pas­so ne­ces­sá­rio e im­por­tan­te no le­ga­do dos qua­tro mú­si­cos en­vol­vi­dos. Pa­ra Paul, era o fim con­cre­to da par­ce­ria com John Len­non, que já vinha ame­a­ça­da pe­los egos há mui­to tem­po. Em meio ao fim da ban­da, Paul con­ti­nu­ou sua car­rei­ra com um gran­de apoio: a es­po­sa Lin­da McCart­ney. Com o au­xí­lio de­la, o ex-Be­a­tles gra­vou o pri­mei­ro álbum so­lo que re­ce­beu o no­me do músico. A par­ce­ria en­tre os dois deu tão cer­to que o álbum se­guin­te, Ram, foi cre­di­ta­do co­mo uma par­ce­ria do ca­sal.

Paul, en­tre­tan­to, ain­da não se sen­tia à von­ta­de com a car­rei­ra so­lo. Anos mais tar­de, ele de­cla­ra­ria: “Eu não que­ria con­ti­nu­ar co­mo um ar­tis­ta so­lo. En­tão fi­cou ób­vio que eu ti­nha que jun­tar uma ban­da. Lin­da e eu con­ver­sa­mos so­bre is­so e a ideia era ‘va­mos fa­zer is­so, mas não va­mos fa­zer um su­per­gru­po, va­mos co­me­çar do ze­ro de no­vo’”.

Wings

Pa­ra co­me­çar sua no­va ban­da, Paul de­ci­diu con­vi­dar o ba­te­ris­ta Denny Seiwell e o gui­tar­ris­ta Hugh McC­rac­ken, com qu­em ha­via tra­ba­lha­do du­ran­te a gra­va­ção do álbum Ram. McC­rac­ken pre­fe­riu re­cu­sar o con­vi­te, o que fez McCart­ney pro­cu­rar um subs­ti­tu­to. O es­co­lhi­do foi o músico de car­rei­ra Denny Lai­ne, um ar­tis­ta que ha­via par­ti­ci­pa­do de al­gu­mas ban­das sem se prender a ne­nhu­ma e co­nhe­ce­ra o ex-Be­a­tles no meio des­se ca­mi­nho.

À épo­ca, o gui­tar­ris­ta Lai­ne es­ta­va tra­ba­lhan­do em um pro­je­to pa­ra seu pri­mei­ro álbum so­lo. Com o con­vi­te de Paul, ele lar­gou o pro­je­to pe­la me­ta­de pa­ra ime­di­a­ta­men­te se reu­nir ao res­to do grupo.

O pri­mei­ro resultado da ban­da foi o álbum Wild Li­fe. Em meio às gra­va­ções e lan­ça­men­to do disco, Lin­da deu a luz à se­gun­da fi­lha do ca­sal, Stel­la. O par­to foi pe­ri­go­so e tan­to a mãe quan­to a re­cém-nas­ci­da qu­a­se mor­re­ram no pro­ces­so. Foi oran­do pe­la saú­de das du­as que o re­li­gi­o­so McCart­ney vi­su­a­li­zou a ori­gem do no­me da ban­da: as asas de um an­jo.

O disco, en­tre­tan­to, foi mal re­ce­bi­do pe­los críticos, que ti­nha uma in­cli­na­ção a cul­par Paul pe­lo fim dos ama­dos Be­a­tles. En­tre as de­cla­ra­ções fri­as da im­pren­sa so­bre

a obra, McCart­ney en­fren­tou re­pro­va­ções por ter co­lo­ca­do a inex­pe­ri­en­te Lin­da co­mo te­cla­dis­ta da ban­da, o que des­gas­tou ain­da mais a re­la­ção do músico com a crí­ti­ca es­pe­ci­a­li­za­da.

A ten­ta­ti­va se­guin­te, Red Ro­se Spe­edway, mu­dou o no­me da ban­da pa­ra Paul McCart­ney and the Wings, o que aju­dou o disco a ven­der me­lhor que o an­te­ri­or. As crí­ti­cas, en­tre­tan­to, vi­e­ram ago­ra da gra­va­do­ra EMI, que con­si­de­rou o pro­du­to abai­xo da ex­pec­ta­ti­va e pe­diu que o for­ma­to fos­se al­te­ra­do pa­ra um úni­co LP, em vez do álbum du­plo que era pla­ne­ja­do. En­tre­tan­to, foi du­ran­te es­sa épo­ca que a ban­da compôs Li­ve and Let Die, pri­mei­ra tri­lha so­no­ra de rock pa­ra um fil­me de Ja­mes Bond e que se tor­nou um imen­so sucesso.

Ou­tras for­ma­ções

Após o fra­cas­so do se­gun­do disco nas crí­ti­cas, a ban­da de­ci­diu in­te­grar o gui­tar­ris­ta Henry McCol­lough, em par­te pa­ra to­car as fai­xas de se­gun­da gui­tar­ra que Paul ha­via gra­va­do pa­ra o disco mas não po­de­ria con­ci­li­ar com seu pa­pel de bai­xis­ta.

Após o álbum, o ba­tei­ris­ta Seiwell e Henry McCol­lough saí­ram da ban­da por mo­ti­vos pes­so­ais. O grupo se­guiu al­gum tem­po for­ma­do ape­nas pe­lo ca­sal McCart­ney e pe­lo gui­tar­ris­ta Lai­ne,

O ter­cei­ro álbum da ban­da, cha­ma­do Band on the Run, fi­nal­men­te con­se­guiu agra­dar os críticos, em par­te pe­la qua­li­da­de crua e bru­tal das gra­va­ções, fei­tas no es­tú­dio da EMI em La­gos, na Ni­gé­ria, on­de McCart­ney não con­tou com di­ver­sos apa­ra­tos tec­no­ló­gi­cos que os es­tú­di­os eu­ro­peus pos­suíam. A ban­da en­tão in­te­grou o ba­te­ris­ta Ge­off Brit­ton e o gui­tar­ris­ta Jimmy McCul­lo­ch, que ini­ci­al­men­te in­cor­po­ra­ram-se ao grupo pa­ra to­car ao vi­vo o que Paul ha­via gra­va­do pa­ra o disco.

Brit­ton aca­bou sain­do da ban­da an­tes das gra­va­ções do disco se­guin­te, Ve­nus and Mars. Ele foi pron­ta­men­te subs­ti­tuí­do por Joe En­glish, per­cus­si­o­nis­ta sem qual­quer ex­pres­são até en­tão que con­se­guiu a va­ga ao res­pon­der um anún­cio pro­cu­ran­do um ba­te­ris­ta; de­pois de fa­zer uma au­di­ção se­cre­ta pa­ra Paul em um po­rão.

En­glish es­ta­va ain­da com a ban­da quan­do acon­te­ce­ram as gra­va­ções de Wings at the Spe­ed of Sound e tam­bém de Lon­don Town, os quin­to e sex­to dis­cos do grupo, res­pec­ti­va­men­te. En­tre­tan­to, an­tes do lan­ça­men­to des­se úl­ti­mo, a ban­da ha­via vol­ta­do a ser re­du­zi­da a Paul, Lin­da e Denny. O motivo das saí­das, des­sa vez, foi o fato de que o grupo te­ve que fa­zer uma pau­sa de­vi­do a uma no­va gra­vi­dez do ca­sal McCart­ney, o que fez os de­mais mem­bros pro­cu­ra­rem pro­je­tos pa­ra­le­los. Pa­ra En­glish e McCul­lo­ch, as carreiras so­los aca­ba­ram fi­can­do mais atra­en­tes que o pro­je­to da ban­da.

Por fim, o gui­tar­ris­ta Lau­ren­ce Ju­ber e o per­cus­si­o­nis­ta Ste­ve Hol­ley fo­ram con­vo­ca­dos pa­ra gra­var fai­xas adi­ci­o­nais de Lon­don Town, com seus tra­ba­lhos con­si­de­ra­dos bons o su­fi­ci­en­te pa­ra que in­te­gras­sem a ban­da. Eles ex­cur­si­o­na­ram na tur­nê do álbum e par­ti­ci­pa­ram da gra­va­ção da obra se­guin­te, Back to the Egg. Es­se úl­ti­mo álbum da ban­da, lan­ça­do em 1979, qu­a­se uma dé­ca­da de­pois de Wild Li­fe, con­tou com a fai­xa Roc­kes­tra The­me, que ga­nhou no ano se­guin­te o Grammy de Me­lhor Per­for­man­ce de Rock.

A tur­nê do disco du­rou até 1981, quan­do o re­cém fa­le­ci­men­to de John Len­non fez McCart­ney se re­cu­sar a re­a­li­zar uma tur­nê, o que le­vou o gui­tar­ris­ta Denny Lai­ne a lar­gar a ban­da, en­cer­ran­do fi­nal­men­te o se­gun­do pro­je­to do ex-Be­a­tles.

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