“BACK TO BLU­ES”

Se­ten­tões e avôs, os Rolling Sto­ne não pa­ram de sur­pre­en­der fãs e crí­ti­cos

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA ESPECIAL ROLLING STONES - 1 - - ÍNDICE -

Se­ten­tões em ple­na for­ma

Con­tra mui­tos prog­nós­ti­cos, os Sto­nes che­ga­ram vi­vos ao sé­cu­lo 21 e sem mais na­da a pro­var, tal­vez, a não ser a eles mes­mos. Pres­tes a se tor­na­rem ses­sen­tões, to­dos mi­li­o­ná­ri­os, na vi­ra­da do sé­cu­lo, ti­nham tu­do pa­ra se apo­sen­tar, ou con­ti­nu­ar lan­çan­do co­le­ções e co­le­ções de ra­ri­da­des e edi­ções co­me­mo­ra­ti­vas de seus inú­me­ros clás­si­cos. Mas eles são os Rolling Sto­nes e não fun­ci­o­nam as­sim.

Em 2002, pa­ra co­me­mo­rar 40 anos de es­tra­da, fi­ze­ram a Licks Tour, que in­cluiu Ín­dia e Sin­ga­pu­ra em um ro­tei­ro de mais de 130 mil quilô­me­tros ro­da­dos e 117 apre­sen­ta­ções. Mas não foi su­fi­ci­en­te, em 2005, lan­ça­ram um no­vo ál­bum, A Big­ger Bang, e anun­ci­a­ram ou­tra tur­nê mun­di­al, que aca­ba­ria se tor­nan­do a se­gun­da mais ren­tá­vel de to­dos os tem­pos, atrás ape­nas da gi­gan­te 360 º dos ir­lan­de­ses do U2. Um fei­to con­si­de­rá­vel pa­ra quem co­me­çou no mi­nús­cu­lo Mar­quee to­can­do pa­ra pou­co mais de uma de­ze­na de pes­so­as.

Cu­ba e re­tor­no às raí­zes

Em 2016, o quar­te­to lon­dri­no vol­ta­ria a fa­zer his­tó­ria, ao se apre­sen­ta­rem di­an­te de um pú­bli­co de mais de meio mi­lhão de pes­so­as – ou 1,2 mi­lhão de acor­do com a pró­pria banda – em Cu­ba, cu­ja po­pu­la­ção é de pou­co mais de dois mi­lhões de ha­bi­tan­tes. Foi o pri­mei­ro show de rock do ti­po na ilha dos ir­mãos Cas­tro.

A apre­sen­ta­ção, que se trans­for­mou em fil­me e já foi lan­ça­da em DVD, mos­tra uma banda em al­ta vol­ta­gem e en­tu­si­as­ma­da. E po­de ter in­flu­en­ci­a­do pa­ra que des­sem um pas­so ou­sa­do: em de­zem­bro de 2016, vol­ta­ram a sur­pre­en­der po­si­ti­va­men­te o mu­do do rock, com Blue & Lo­ne­so­me, um dis­co gra­va­do em três di­as e que des­ti­la blu­es por to­dos os sul­cos, co­mo nos ve­lhos tem­pos. Co­mo no co­me­ço.

Os 55 anos de es­tra­da pa­re­cem não ter pe­sa­do tan­to as­sim. Os “ve­lhi­nhos” man­da­ram bem, co­mo se qui­ses­sem dei­xar um ates­ta­do de­fi­ni­ti­vo de su­as

raí­zes. Com acrés­ci­mos de mú­si­cos do ca­li­bre do bai­xis­ta Dar­ryl Jo­nes e do te­cla­dis­ta Chuck Le­a­vell, o pri­mei­ro com a banda des­de a saí­da de Bill Wy­man, em 1993, e o se­gun­do, des­de a mor­te de Ian Stewart, em 1985.

Blue & Lo­ne­so­me reú­ne pé­ro­las dos he­róis da pri­mei­ra fa­se do gru­po, qu­an­do to­ca­vam ape­nas por amor ao blu­es, com a di­fe­ren­ça de que ago­ra sa­bem co­mo fa­zer mui­to me­lhor do que na­que­la épo­ca de am­pli­fi­ca­do­res ba­ra­tos de qua­se ne­nhu­ma po­tên­cia. En­tre os ho­me­na­ge­a­dos es­tão Jimmy Re­ed, Wil­lie Di­xon, Ed­die Tay­lor, Lit­tle Wal­ter e Ho­wlin’ Wolf. É o Rolling Sto­nes to­can­do pe­lo sim­ples pra­zer de to­car. É co­mo se, en­fim, es­ti­ves­sem fe­chan­do um ci­clo. Os bo­a­tos de que pen­sam em fa­zer uma tur­nê co­me­ça­ram a cir­cu­lar qua­se ime­di­a­ta­men­te. Se, por aca­so, for no Mar­quee, não te­rá si­do me­ra coin­ci­dên­cia.

Se­nho­res de fa­mí­lia

Mick Jag­ger sem­pre foi o sto­ne que mais te­ve su­ces­so no que­si­to mu­lhe­res. Ca­sou-se du­as ve­zes. Não pa­re­ce ter nascido pa­ra ser fi­el. E, até o mo­men­to, é pro­ge­ni­tor de uma pro­le de oi­to fi­lhos, com cin­co mu­lhe­res. O ca­çu­la da tur­ma é De­ve­raux, nascido em 7 de de­zem­bro de 2016. A mãe é a mo­de­lo Me­la­nie Ham­rick, de 29 anos. (O ve­lho “Mi­ke” pa­re­ce não per­der a for­ma nun­ca). Já a mais ve­lha é Ka­ris, fi­lha de Marsha Hunt. Jag­ger tem du­as ne­tas, As­si­si e Am­ba, as du­as de Ja­de, úni­co fru­to de seu ca­sa­men­to com Bi­an­ca. Já da se­gun­da es­po­sa, a mo­de­lo Jer­ry Hall, te­ve Eli­sa­beth, Ja­mes, Ge­or­gia e Ga­bri­el. Tem ain­da um fi­lho bra­si­lei­ro, Lu­cas, nascido de um na­mo­ro pas­sa­gei­ro com Lu­ci­a­na Gi­me­nez.

Keith, por sua vez, ca­sou-se ape­nas com Pat­ti Han­sen, com quem te­ve as fi­lhas The­o­do­ra e Ale­xan­dra. An­tes, te­ve um lon­go e in­for­mal ca­sa­men­to – re­ga­do a drogas – com Ani­ta Pal­len­berg, mãe de três de seus fi­lhos: Mar­lon, An­ge­la e Ta­ra, que vi­veu ape­nas por dez me­ses. O gui­tar­man é avô de El­la e Ol­son, fi­lhos de Mar­lon.

Char­lie é ca­sa­do com a mes­ma mu­lher, Shir­ley, des­de 1964, com quem tem uma fi­lha, Se­raphi­na. O ma­go das ba­que­tas tem ain­da uma ne­ta cha­ma­da Char­lot­te.

Ron Wo­od ca­sou-se du­as ve­zes, e di­vor­ci­ou-se em am­bas. Com a pri­mei­ra es­po­sa, Kris­sy, te­ve o fi­lho Jes­se, e com a se­gun­da, Jo­sephi­ne, Le­ah e Ty­ro­ne. É o mais vovô dos qua­tro, com três ne­tos: Arthur, Lo­la e Mag­gie Dy­lan.

Até o mo­men­to, nin­guém des­sa des­cen­dên­cia des­pon­tou na mú­si­ca com des­ta­que. Tal­vez por­que ser um Rolling Sto­ne não se­ja ape­nas ques­tão de DNA, mas de con­vic­ções de­ri­va­das de um es­ti­lo de vi­da que não exis­te mais. Ou tal­vez por­que não exis­tam ou­tros se­res hu­ma­nos co­mo Keith Ri­chards, ca­pa­zes de so­bre­vi­ver por tan­to tem­po às mais al­tas do­ses das mais po­ten­tes drogas, a pon­to de mui­tos mé­di­cos te­rem in­te­res­se em es­tu­dá-lo cli­ni­ca­men­te, ou Mick Jag­ger que, aos 70 anos, se­gue pu­lan­do co­mo ado­les­cen­te no pal­co e na ca­ma. I know, it’s only rock’n’roll.

No fi­nal das con­tas, es­ses vovôs que­rem ape­nas se di­ver­tir e to­car um blue

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