GE­NI­A­LI­DA­DE À MOS­TRA

Lan­ça­men­tos e mo­men­tos me­mo­rá­veis da banda in­gle­sa que em­ba­lou – e ain­da emo­ci­o­na – mul­ti­dões pe­lo mun­do

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA - Queen - - PLAYLIST - TEX­TO Ana Be­a­triz Gar­cia/Co­la­bo­ra­do­ra DE­SIGN Gui­lher­me Lau­ren­te/Co­la­bo­ra­dor FOTOS Shutterstock Ima­ges/Reprodução

En­tre dis­cos, ví­de­os e apre­sen­ta­ções, se­le­ci­o­na­mos dez mo­men­tos mar­can­tes da banda

Re­cor­dis­tas de ven­das de dis­cos a ní­vel mun­di­al, ex­po­en­tes do rock’n’roll e um dos mais eclé­ti­cos do se­gui­men­to, en­tre ou­tros atri­bu­tos. Com um cur­rí­cu­lo des­ses, fi­ca di­fí­cil fa­lar do Que­en em sua es­tron­do­sa to­ta­li­da­de. Pa­ra is­so, des­ta­ca­mos dez pas­sos no­tá­veis e ines­que­cí­veis pa­ra vo­cê re­lem­brar do quar­te­to re­al.

1973 – O lan­ça­men­to

Gra­va­do pe­la EMI no Tri­dent Stu­di­os e no De Lane Lea Mu­sic Cen­tre, em Lon­dres, com pro­du­ção de Roy Ba­ker, John Anthony e os mú­si­cos da banda, o ál­bum de es­treia au­toin­ti­tu­la­do Que­en foi lan­ça­do em ju­lho de 1973 con­ten­do os pri­mei­ros sin­gles da banda, Ke­ep Your­self Ali­ve e Li­ar.

Cin­co das dez fai­xas do dis­co são do vo­ca­lis­ta Fred­die Mer­cury, já o gui­tar­ris­ta Bri­an May compôs qua­tro can­ções, in­cluin­do Doing All Right, que foi es­cri­ta com Tim Staf­fell, mem­bro do ex­tin­to trio Smi­le. O ba­te­ris­ta Ro­ger Tay­lor não fi­cou de fo­ra, compôs e can­tou Mo­dern Ti­mes Rock'n'Roll. Na úl­ti­ma fai­xa do ál­bum, a banda apre­sen­ta­va uma ver­são ins­tru­men­tal e me­nos ela­bo­ra­da de Se­ven Se­as of Rhye.

As in­fluên­ci­as da obra fi­cam por con­ta do rock pro­gres­si­vo, hard rock e he­avy me­tal. Além dis­so, al­gu­mas fai­xas co­mo My Fairy King e Je­sus abor­dam te­mas co­mo fol­clo­re e re­li­gião, con­se­cu­ti­va­men­te.

Es­se lan­ça­men­to foi o pon­ta­pé ini­ci­al de uma banda que fi­ca­ria pa­ra sem­pre na his­tó­ria e vi­ria a tor­nar-se um ex­po­en­te no mun­do do rock.

1975 – O es­tre­la­to

A Night at the Ope­ra, quar­to ál­bum do quar­te­to, foi lan­ça­do em 1975, na Eu­ro­pa e nas Amé­ri­cas. O tí­tu­lo foi uma ho­me­na­gem a um fil­me com os ir­mãos Marx ao qual o gru­po as­sis­tiu e amou.

A par­tir des­se ál­bum, a banda apre­sen­tou ou­tra so­no­ri­da­de se com­pa­ra­da aos seus dis­cos an­te­ri­o­res. Com for­tes in­fluên­ci­as ope­rís­ti­cas, in­se­ri­ram pi­a­no e mui­tos ou­tros ins­tru­men­tos que nun­ca ha­vi­am ex­pe­ri­men­ta­do.

Os des­ta­ques fo­ram as mú­si­cas You're My Best Fri­end e Bohe­mi­an Rhap­sody, que é a fai­xa mais ino­va­do­ra. A mú­si­ca, que mes­cla rock e ópe­ra, a prin­cí­pio não foi bem vis­ta pe­la gra­va­do­ra do gru­po, por apre­sen­tar, além de seus qua­se seis mi­nu­tos de du­ra­ção, uma es­tru­tu­ra di­fe­ren­ci­a­da: di­vi­di­da em três par­tes, sem re­frão. Mas, as­sim que lan­ça­da, foi um su­ces­so e tor­nou-se a mar­ca re­gis­tra­da da banda.

O ál­bum che­gou ao to­po da UK Al­bums Chart, do Rei­no Uni­do, e atin­giu o quar­to lu­gar na Bill­bo­ard 200 dos Es­ta­dos Uni­dos. Com mais de cin­co mi­lhões de có­pi­as ven­di­das nos anos 1970, a obra tam­bém agra­dou à crí­ti­ca que o apon­ta, fre­quen­te­men­te, co­mo um dos me­lho­res dis­cos da mú­si­ca em ge­ral. Com to­do es­se su­ces­so, o Que­en con­quis­tou po­pu­la­ri­da­de mun­di­al e se con­sa­grou no ce­ná­rio mu­si­cal.

1975 – O ví­deo pro­mo­ci­o­nal de Bohe­mi­an Rhap­sody

Um dos mai­o­res su­ces­sos da car­rei­ra do Que­en te­ve o lan­ça­men­to acom­pa­nha­do de um ví­deo pro­mo­ci­o­nal, prá­ti­ca que se tor­nou co­mum na in­dús­tria mu­si­cal após o su­ces­so de Bohe­mi­an Rhap­sody, ape­sar de al­gu­mas ban­das – in­clu­si­ve o Que­en – já te­rem fei­to vi­de­o­cli­pes pa­ra acom­pa­nhar a es­treia de al­gu­mas mú­si­cas.

O lan­ça­men­to, que foi apon­ta­do co­mo mar­co ini­ci­al da era da MTV, per­mi­tiu que os sin­gles pu­des­sem ser di­vul­ga­dos em pro­gra­mas de te­vê, sem que os ar­tis­tas ti­ves­sem de se des­lo­car até os es­tú­di­os.

O cli­pe, di­ri­gi­do por Bru­ce Gowers e gra­va­do em ape­nas qua­tro ho­ras com efei­tos es­pe­ci­ais sem edi­ção, foi exi­bi­do pe­la pri­mei­ra vez no pro­gra­ma do ca­nal BBC, Top of the Pops, em no­vem­bro de 1975.

1977 – “We will, we will rock you…”

Em mais um mo­men­to de mu­dan­ças pa­ra a banda, News of The World foi o sex­to ál­bum do gru­po a ser lan­ça­do e não se pa­re­cia em na­da com as pro­du­ções re­ple­tas de mar­cas ope­rís­ti­cas das obras an­te­ri­o­res.

Es­se dis­co trou­xe We Are the Cham­pi­ons e We Will Rock You, su­ces­sos ines­que­cí­veis que mar­ca­ram a car­rei­ra do quar­te­to. A úl­ti­ma é uma com­po­si­ção ex­pe­ri­men­tal de Bri­an May. A mú­si­ca tor­nou-se um hi­no com rit­mo e me­lo­dia con­ta­gi­an­tes, mar­ca­do pe­lo fa­mo­so “pi­sa­da, pi­sa­da, pal­ma, pau­sa”, o que pro­por­ci­o­na­va ao pú­bli­co mai­or in­tei­ra­ção com o show. Am­bos os hits tor­na­ram-se mui­to fa­mo­sos ao re­dor do mun­do, prin­ci­pal­men­te no am­bi­en­te es­por­ti­vo, sen­do en­to­a­do em es­tá­di­os e are­nas.

Ou­tro des­ta­que des­se ál­bum é o en­car­te, que cha­ma aten­ção por apre­sen­tar um robô ar­re­pen­di­do após as­sas­si­nar os in­te­gran­tes da banda. A ima­gem foi fei­ta pe­lo ilus­tra­dor Frank Kelly Fre­as, ba­se­a­da na ca­pa de uma re­vis­ta ci­en­tí­fi­ca em que um robô tra­zia um ho­mem mor­to com a le­gen­da “Ple­a­se, fix it, Daddy?” (em por­tu­guês, “Por fa­vor, con­ser­te is­so, pa­pai?”), obra do mes­mo ilus­tra­dor.

1980 – No to­po das pa­ra­das de su­ces­so

Su­pe­ran­do News of The World, o oi­ta­vo ál­bum da banda, The Ga­me, foi o úni­co dis­co a al­can­çar o pri­mei­ro lu­gar nas pa­ra­das de su­ces­so dos Es­ta­dos Uni­dos - es­ti­ma-se que as ven­das fo­ram de 12 mi­lhões de có­pi­as ao re­dor do mun­do, com qua­tro mi­lhões e meio ape­nas nos Es­ta­dos Uni­dos.

Se­guin­do os pas­sos de Jazz, ál­bum an­te­ri­or e pri­mei­ra obra gra­va­da fo­ra do Rei­no Uni­do, The Ga­me foi pro­du­zi­do em Mu­ni­que, na Ale­ma­nha. Não por ques­tões es­té­ti­cas ou téc­ni­cas, mas pa­ra fu­gir dos al­tís­si­mos im­pos­tos que pa­ga­vam por con­ta da ar­re­ca­da­ção.

The Ga­me se di­fe­ren­cia de Jazz qu­an­do o as­sun­to é o es­ti­lo: o dis­co de 1980 tem uma le­va­da mais pop do que seu an­te­ces­sor. Ou­tras di­fe­ren­ças no­tá­veis nes­se ál­bum são o uso do sin­te­ti­za­dor – apa­re­lho que nun­ca ha­via si­do uti­li­za­do pe­la banda – e a di­fe­ren­ça da ca­pa do dis­co em re­la­ção aos an­te­ri­o­res. Mú­si­cas co­mo Another One Bi­tes The Dust, fa­mo­sa por seu riff de bai­xo, e o roc­ka­billy Crazy Lit­tle Thing Cal­led Lo­ve, são des­ta­ques do dis­co que foi re­lan­ça­do, em maio de 2003, num DVD-áu­dio.

1984 – Um re­nas­ci­men­to

The Works é o dé­ci­mo pri­mei­ro ál­bum da banda e trou­xe al­guns hits da car­rei­ra do gru­po, co­mo I Want to Break Free, Ra­dio Ga Ga e Ham­mer to Fall. O dis­co foi pro­du­zi­do e gra­va­do em um pe­río­do de cri­se que a banda pas­sou de­vi­do ao fra­cas­so do ál­bum an­te­ri­or, Hot Spa­ce.

As gra­va­ções des­se dis­co fo­ram con­tur­ba­das, de acor­do com o re­la­to do gui­tar­ris­ta Bri­an May, em 1985, re­gis­tra­do no li­vro Fa­la Rock, de Car­mem Cac­ci­a­car­ro. "Du­ran­te as gra­va­ções de The Works, che­ga­mos ao pon­to de nos odi­ar uns aos ou­tros. A ten­são ge­ra­da pe­la gu­er­ra de egos foi tan­ta que eu mes­mo saí e vol­tei pa­ra a banda di­ver­sas ve­zes", co­men­tou.

O dis­co te­ve um mo­des­to 23° lu­gar nas pa­ra­das de su­ces­so dos Es­ta­dos Uni­dos, mas ga­ran­tiu a se­gun­da po­si­ção no Rei­no Uni­do e o dis­co tri­plo de pla­ti­na. O Bra­sil não fi­cou de fo­ra e tam­bém foi ter­ri­tó­rio de su­ces­so pa­ra o quar­te­to, on­de The Works

ven­deu mais de 100 mil exem­pla­res.

1985 – Me­lhor show ao vi­vo

Pa­ra uma pla­teia es­ti­ma­da em 82 mil pes­so­as, em 13 de ju­lho de 1985, o Que­en apre­sen­tou-se no pal­co do Li­ve Aid, um con­cer­to pa­ra ar­re­ca­dar fun­dos pa­ra Etió­pia re­a­li­za­do no es­tá­dio de Wem­bley, em Lon­dres e no Es­tá­dio John F. Ken­nedy, na Fi­la­dél­fia. Ar­tis­tas co­mo U2, David Bowie e Paul McCart­ney fo­ram al­gu­mas das ou­tras atra­ções.

A banda abriu o show com Bohe­mi­an Rhap­sody en­quan­to era in­ten­sa­men­te aplau­di­da. Pal­mas que con­ti­nu­a­ram em unís­so­no du­ran­te a can­ção Ra­dio Ga Ga, ao mes­mo tem­po em que o jei­to ir­re­ve­ren­te do vo­ca­lis­ta Fred­die Mer­cury le­va­va to­da a pla­teia a se en­vol­ver com o show e can­tar jun­to We Will Rock You e We Are The Cham­pi­ons. An­tes que as apre­sen­ta­ções aca­bas­sem, Fred­die Mer­cury e Bri­an May ain­da su­bi­ram ao pal­co e emo­ci­o­na­ram com Is This The World We Cre­a­ted...?

A apre­sen­ta­ção foi elei­ta co­mo o “me­lhor show ao vi­vo da his­tó­ria” por uma pes­qui­sa que en­vol­veu mais de 60 ar­tis­tas, jor­na­lis­tas, e exe­cu­ti­vos da in­dús­tria mu­si­cal e foi exibida pe­lo Ca­nal 4 de uma te­vê bri­tâ­ni­ca, em 2005.

1985 – Que­en no Bra­sil

A se­gun­da edi­ção do fes­ti­val Rock in Rio, re­a­li­za­do en­tre 11 e 20 de ja­nei­ro de 1985, foi tam­bém a se­gun­da pas­sa­gem do Que­en pe­lo Bra­sil – a pri­mei­ra ha­via si­do em 1981.

"Alô, Bra­sil. Alô, Rio. Tu­do bem?", sau­dou Fred­die Mer­cury, em por­tu­guês, en­tre as pri­mei­ras mú­si­cas do show, Tie Your Mother Down e Se­ven Se­as of Rhye.

A ver­são acús­ti­ca de Lo­ve Of My Li­fe, can­ta­da por to­da a Ci­da­de do Rock, é lem­bra­da co­mo um dos mais be­los mo­men­tos da his­tó­ria do rock. An­tes de co­me­çar a can­ção, Bri­an May dis­se: “es­sa mú­si­ca é mui­to es­pe­ci­al pa­ra as pes­so­as da Amé­ri­ca do Sul. Obri­ga­do por fa­zê-la tão es­pe­ci­al pa­ra to­das as ou­tras pes­so­as do mun­do”, dis­se com a voz em­bar­ga­da.

1986 – A úl­ti­ma gran­de apre­sen­ta­ção

O show no es­tá­dio Wem­bley, em Lon­dres, fa­zia par­te da Ma­gic Tour, úl­ti­ma tur­nê da banda e, na épo­ca, qu­e­brou to­dos os re­cor­des de pú­bli­co na In­gla­ter­ra e na Eu­ro­pa: es­ti­ma-se que 200 mil pes­so­as com­pa­re­ce­ram à apre­sen­ta­ção.

Uma enor­me es­tru­tu­ra de som e de pal­co foi mon­ta­da pa­ra re­ce­ber o quar­te­to. O sis­te­ma de som pa­ra o es­pe­tá­cu­lo so­mou mais de meio mi­lhão de watts de po­tên­cia e, pe­la pri­mei­ra vez, foi uti­li­za­do um te­lão pa­ra que os fãs pu­des­sem acom­pa­nhar os de­ta­lhes do show de qual­quer lu­gar do es­tá­dio. Pa­ra que is­so des­se cer­to, um re­ser­va­tó­rio de água pre­ci­sou ser ins­ta­la­do atrás do pal­co pa­ra que se equi­li­bras­se com o pe­so enor­me do te­lão.

Es­sa foi con­si­de­ra­da a úl­ti­ma gran­de apre­sen­ta­ção da banda, que in­ter­pre­tou os su­ces­sos de di­fe­ren­tes mo­men­tos da car­rei­ra do Que­en. O dis­co Li­ve at Wem­bley ’86 é pro­du­to des­se show, que só foi co­mer­ci­a­li­za­do em 1992 e ser­viu co­mo me­mó­ria de Fred­die Mer­cury, por ter si­do lan­ça­do de­pois da mor­te do can­tor.

No mes­mo ano, os fãs pu­de­ram com­prar o ví­deo do show em VHS. Já em 2003, o Que­en lan­çou ofi­ci­al­men­te o show com­ple­to em um DVD du­plo com 28 mú­si­cas, ex­tras de bas­ti­do­res e en­tre­vis­tas.

1991 – Des­pe­di­da de Fred­die

Lan­ça­do em fe­ve­rei­ro de 1991, mes­mo ano em que a banda, a mú­si­ca e o rock per­de­ram Fred­die Mer­cury, In­nu­en­do te­ve uma das gra­va­ções mais di­fí­ceis pa­ra a banda, que du­rou de mar­ço de 1989 a no­vem­bro de 1990.

Era pla­ne­ja­do que o dis­co fos­se lan­ça­do no fi­nal de 1990, um bom mo­men­to pa­ra ala­van­car as ven­das por con­ta da épo­ca de na­tal, mas o vo­ca­lis­ta es­ta­va com aids e era ca­da vez mais ní­ti­da sua per­da de pe­so e can­sa­ço. En­tão, as gra­va­ções ti­ve­ram de se­guir em um rit­mo mais len­to, e o lan­ça­men­to fi­cou pa­ra o ano se­guin­te.

Mes­mo com a me­lan­co­lia im­preg­na­da nas le­tras de In­nu­en­do, Fred­die Mer­cury te­ve per­for­man­ces com lar­ga ex­ten­são vo­cal e vi­va­ci­da­de. Pa­ra os fãs, es­se não apa­ren­ta­va ser um ál­bum de des­pe­di­da.

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