MERCADO AUTÊNTICO

Hard Core (Brazil) - - ÍNDICE -

NO 10 PERGUNTAS, AS VISÕES DE MAURICIO FAGUNDES, DA SOUTH TO SOUTH, SOBRE O SURFWEAR NACIONAL

A SOUTH TO SOUTH CELEBRA 30 ANOS DE EXISTêNCIA! FUNDADA EM 1988 NO FERVOR DA EXPLOSãO DO MERCADO DE SURFWEAR NO BRASIL, GA­NHOU CORPO, NOVAS FRONTEIRAS, RECONHECIMENTO, MUITAS HIS­Tó­RI­AS E MUI­TOS AMI­GOS. MAURICIO FAGUN DE Sé OG RAND EMENTO RDA MARCA, QUES EMANTE VELEGí TIMA E FIDELIZADA AO SURF NACIONAL. POR TO­DAS ESTAS TRêS DéCADAS DE áGUA SALGADA, MAURICIO SE ORGULHA DE TER MANTIDO UMA DAS MAI­O­RES EQUIPES DE SURFISTA PROFISSIONAIS NO PERíODO DO SUPER SURF, éPO­CA EM QUE ESPELHOU NOMES CO­MO ADRIANO DE SOUZA E GABRIEL MEDINA, E DE TER FOR­MA­DO A PRI­MEI­RA DUPLA DE TOW-IN BRA­SI­LEI­RA, QUANDO O SURF DE REBOQUE SURGIU COM FORçA NA CENA. DE ITACARé, NA BAHIA, AO FAROL DE SANTA MARTA, EM LAGUNA (SC), OU MES­MO EM FRONTEIRAS DISTANTES CO­MO CORNWALL, NO REINO UNIDO, ON­DE A SOUTH Já TE­VE LOJA, AS CRENçAS DA MARCA FEITA POR SUR­FIS­TAS PA­RA SUR­FIS­TAS SEM­PRE FO­RAM AS MESMAS. CONHEçA A SEGUIR UM POUCO DA HISTóRIA DE MAURICI O FAGUNDES, QUE ACREDITA QUE OS UR Fé A NOS­SA VI­DA.

QUAIS SãO SEUS OBJETIVOS CO­MO SURFISTA E EMPRESáRIO? DE QUE MANEIRA OS 30 ANOS DA SOUTH SãO SIMBOLIZADOS POR ES­TA FRASE QUE ES­Tá NA ASPAS DO TEU SLOGAN: “SUR­FAR PA­RA VIVER, VIVER PA­RA SUR­FAR”?

A South to South co­me­çou em 1986 (ofi­ci­al­men­te em 1988), quando eu ti­nha 16 anos. Na épo­ca, ha­via pou­cas mar­cas bra­si­lei­ras de surf. Muitas de­las ain­da eram “pi­ra­tas”, sem o li­cen­ci­a­men­to das grin­gas pa­ra ope­rar aqui. E o Ins­ti­tu­to Nacional da Pro­pri­e­da­de In­dus­tri­al dei­xa­va vo­cê ser do­no de uma marca sem o co­nhe­ci­men­to do ver­da­dei­ro pro­pri­e­tá­rio. Eu e mi­nha ga­le­ra, com quem eu pe­ga­va on­da, fa­zía­mos par­te da se­gun­da ge­ra­ção que fre­quen­tou o li­to­ral nor­te de São Paulo, um lu­gar en­tão pouquís­si­mo des­bra­va­do. O surf na­que­la épo­ca era pouco de­sen­vol­vi­do no Brasil. Éra­mos pou­cos sur­fis­tas, mas ha­via a mi­nha tur­ma, mais no­va, e ou­tra mais ve­lha. Já exis­tia aque­la história da tri­bo. Os ca­ras mais ve­lhos eram do­nos das mar­cas. A gen­te ti­nha uma cer­ta ri­xa. Éra­mos os mo­le­ques pen­te­lhos da épo­ca. Só que tí­nha­mos que usar as rou­pas dos ca­ras, por­que não ha­via ou­tras mar­cas. In­co­mo­da­do com aqui­lo e com uma per­so­na­li­da­de já for­te, de­ci­di: “Qu­er sa­ber? Não vou usar mais a marca dos ca­ras”.

Em um fim de se­ma­na des­ses, quando di­vi­día­mos um li­neup em que achá­va­mos que 15 pes­so­as era o maior crowd do mun­do – e es­tres­sa­do com is­so –, to­mei a de­ci­são de ir a uma loja de te­ci­dos, com­prei al­guns e pe­di pa­ra mi­nha avó cos­tu­rar umas ber­mu­das pa­ra pe­gar on­da, com a mo­de­la­gem de uma ber­mu­da grin­ga que um ami­go trou­xe­ra da Ca­li­fór­nia. Um te­ci­do su­per­du­ro de al­go­dão. Eu fiz es­sa ber­mu­da e, no ou­tro fim de se­ma­na, che­guei em Ma­re­si­as to­do or­gu­lho­so na praia, com meus ami­gos, e dis­se que da­li pa­ra fren­te só usa­ria as mi­nhas ber­mu­das. Era to­da tor­ta, tos­ca, es­tou as­sa­do até ho­je, mas aqui­lo re­al­men­te foi uma mu­dan­ça na mi­nha vi­da. Meus fiéis ami­gos fa­la­ram: “Pô, que­re­mos tam­bém”. E na­que­le fim de se­ma­na eu vol­tei com en­co­men­da pa­ra oi­to ber­mu­das. Era uma tur­ma mui­to es­pa­lha­da por São Paulo – Per­di­zes, Pa­ca­em­bu, zo­na nor­te, Mo­rum­bi… Na­que­la épo­ca, os mo­le­ques sur­fis­tas de 16, 17 anos eram “os ca­ras” na es­co­la. E os ami­gos dos ami­gos pas­sa­ram a pe­dir, e meus ami­gos vi­ra­ram meus re­pre­sen­tan­tes. Em épo­ca de gra­na cur­ta, eles me pe­di­am: “Faz dez ber­mu­das que vou ven­der na es­co­la”. Quando vi, es­ta­va fa­zen­do 50. De­pois pas­sei a fa­zer ca­mi­se­tas. Foi bem na­que­le período no

qual pre­ci­sa­mos to­mar uma de­ci­são na vi­da, por pres­são da fa­mí­lia. De­ci­di me agar­rar a is­so e fa­zer uma marca de surf.

CO­MO SE DEU O PROCESSO DE OFICIALIZAR A MARCA?

Na épo­ca, eu usa­va pran­chas do Mar­cio Do­min­gues, da Tub­ba. Ele fa­zia as pran­chas South to South. Eu ti­nha 17 anos, a gen­te se ali­nhou, por­que pre­ci­sa­va ter uma marca de rou­pas. De­pois ele aca­bou se­guin­do a vi­da de­le, com ou­tras pran­chas. A South era na mi­nha ca­sa. Eu cor­ta­va te­ci­do no meu quar­to, fa­zia as ca­mi­se­tas. De­pois pe­guei uma ca­si­nha; em se­gui­da, ou­tra maior. Ago­ra es­ta­mos con­cluin­do 30 anos co­mo em­pre­sa for­ma­li­za­da, de CNPJ, mas an­tes ti­ve­mos dois anos na in­for­ma­li­da­de. Ho­je te­nho 48 e nun­ca fiz ou­tra coi­sa na mi­nha vi­da além de rou­pa pa­ra surf, sem­pre fis­su­ra­do.

Do que mais me or­gu­lho nes­sa história é de não ter me “pros­ti­tuí­do”. Em 30 anos, as coi­sas mu­da­ram. Ve­nho de uma épo­ca em que nem mercado ti­nha. São Paulo de­via ter três ou qua­tro lo­jas de surf. Em cer­to mo­men­to, ex­plo­diu, e ho­je es­tá se re­no­van­do. Nun­ca nos pros­ti­tuí­mos no sen­ti­do de tro­car­mos nos­so con­cei­to, no que acre­di­ta­mos, por um pu­nha­do de di­nhei­ro.

“South to South” é uma gí­ria que co­nhe­ci atra­vés de uns ca­ras da Ca­li­fór­nia. Era uma frase que, pa­ra nós, se­ria co­mo “vai en­trar um swell de sul”. Sul, pa­ra eles, era um swell que vi­ria do Mé­xi­co pa­ra San Di­e­go, no sul da Ca­li­fór­nia. Aí pe­ga­mos es­se no­me, de­pois cri­a­mos um sím­bo­lo do in­fi­ni­to, em uma re­lei­tu­ra de “do Sul pa­ra o Sul”. É o lo­go até ho­je.

O QUE MAIS CHAMA SUA ATEN­çãO NA HISTóRIA DA SOUTH?

São muitas his­tó­ri­as bo­as. A South to South foi uma das mar­cas com a maior equi­pe de atle­tas brasileiros na épo­ca do Super Surf. Che­ga­mos a ter 18 – Pe­dro Mul­ler, Ja­no Be­lo, John Junior… Gen­te pra ca­ram­ba. Tam­bém sem­pre apoi­a­mos as ca­te­go­ri­as de ba­se.

Já o Ale­mão de Ma­re­si­as en­trou na equi­pe em uma épo­ca em que o fre­e­surf e o big surf não eram va­lo­ri­za­dos. Pen­sa­mos fo­ra da cai­xi­nha. Co­mo tí­nha­mos que bri­gar com gi­gan­tes, pre­ci­sá­va­mos pen­sar em for­mas al­ter­na­ti­vas. E o Ale­mão foi um gran­de par­cei­ro. Na épo­ca, o Car­los Bur­le cor­ria o cir­cui­to da Abrasp, quando fa­lei pa­ra o Ale­mão: “Ca­ra, va­mos pe­gar on­das gran­des”. De­pois dis­so, te­ve uma pas­sa­gem ba­ca­na com a en­tra­da do Ro­meu Bru­no, sal­va-vi­das já con­sa­gra­do no Hawaii. Tal­vez a South es­te­ja en­tre as pri­mei­ras mar­cas do mun­do a ter uma dupla de tow-in. Co­mo é um es­por­te de con­fi­an­ça, a dupla ge­ral­men­te era for­ma­da por atle­tas mui­to ami­gos, mas um de marca X, ou­tro de marca Y.

Pa­ra ser autêntico, pa­re­cia ne­ces­sa­rio ter uma ban­dei­ra do Hawaii, fa­lar in­glês nas cam­pa­nhas, em sua coleção. Eu as­su­mi a coi­sa de ser bra­si­lei­ro. Por que não res­pei­tar a história do surf ha­vai­a­no, co­mo pi­o­nei­ros, e res­pei­tar a história dos mer­ca­dos de mar­cas nor­te-ame­ri­ca­nas e aus­tra­li­a­nas, mas ao mes­mo tem­po ter or­gu­lho de ser uma marca au­tên­ti­ca bra­si­lei­ra? Fa­zer cam­pa­nhas e es­tam­pas com fra­ses em por­tu­guês, ban­dei­ra do Brasil na eti­que­ta. Uma coi­sa iné­di­ta na épo­ca. Ti­nha um slogan no fim dos anos 1990: “In­dús­tria bra­si­lei­ra – le­van­te es­sa ban­dei­ra”. Foi um mo­men­to de mui­ta re­per­cus­são da South. Es­ta­va sem­pre pen­san­do em al­gu­ma for­ma de apa­re­cer, sem ter o or­ça­men­to e in­ves­ti­men­to que os ca­ras ti­nham em mar­ke­ting. E ser di­fe­ren­te. Es­sa é uma coi­sa que mar­cou bas­tan­te a história da South e que ins­pi­rou ou­tras mar­cas a va­lo­ri­zar

“South to South” é uma gí­ria que co­nhe­ci atra­vés de uns ca­ras da Ca­li­fór­nia. Era uma frase que, pa­ra nós, se­ria co­mo “vai en­trar um swell de sul”. Sul, pa­ra eles, era um swell que vi­ria do Mé­xi­co pa­ra San Di­e­go, no sul da Ca­li­fór­nia.

nos­sos atle­tas, cui­dar das nos­sas prai­as. Pas­sar pa­ra o nos­so con­su­mi­dor que, se ele com­pras­se de uma marca ge­nui­na­men­te bra­si­lei­ra, aque­le in­ves­ti­men­to vol­ta­ria pa­ra nós mes­mos.

Lem­bro tam­bém que, em 2010, fi­ze­mos um WQS 5 es­tre­las no Farol de Santa Marta. Na épo­ca, fui cha­ma­do de ma­lu­co. Por que não faz no Gu­a­ru­já? Na Praia Mo­le? Em Ma­re­si­as? Ba­ti o pé, que­ria fa­zer em um lu­gar mui­to ro­ots, di­fe­ren­te, a ca­ra da marca. Lá não ti­nha nem in­ter­net, en­tão a le­va­mos pa­ra o Farol. Deu um swell gi­gan­tes­co. O pa­lan­que fi­cou de um la­do. Os juí­zes da ASP fo­ram jul­gar as ba­te­ri­as da sa­ca­da de uma ca­sa em um con­do­mí­nio. Foi em ju­nho, e te­ve uma gran­de sa­fra de tai­nha bem na épo­ca do cam­pe­o­na­to. Fi­ze­mos chur­ras­co ao mes­mo tem­po. A ci­da­de fi­cou em fes­ta.

AQUI­LO NO FAROL DE SANTA MARTA NãO é NEM UM RESGATE DE FEELING, é UM FEELING MES­MO, Né?

É, não foi um resgate. Em 2010, o que era co­mum? Ro­lar os WQS em prai­as su­per­po­pu­lo­sas, com maior vi­si­bi­li­da­de. E fo­mos na con­tra­mão. Já em 2017 e nes­te ano ti­ve­mos a opor­tu­ni­da­de de fa­zer o QS em Itacaré, que é ou­tro lu­gar ro­ots de­mais e com o qual te­nho mui­ta história.

Em 1986, eu e dois ami­gos saí­mos de São Paulo. Eu ti­nha 16 anos, um de­les ti­nha car­tei­ra de mo­to­ris­ta e um Fus­ca. E nós fo­mos sur­far

a len­dá­ria on­da de Oli­ven­ça, na épo­ca mui­to fa­la­da pe­la as­cen­são do Jo­jó. Era o “Back­do­or bra­si­lei­ro”, di­rei­ta de fun­do de pe­dra. De­pois de qua­tro, cin­co di­as na­que­la aven­tu­ra, com car­ro que­bran­do no ca­mi­nho, che­ga­mos com aque­la ex­pec­ta­ti­va cri­a­da na men­te de um surfista jo­vem, na épo­ca sem in­ter­net nem te­le­vi­são. E nos de­pa­ra­mos com me­nos de meio me­tro me­xi­do, ven­to ma­ral, chu­va. Um mon­te de mo­le­que en­chen­do o sa­co na água. Ro­lou aque­la pu­ta de­prê. “O que nós vi­e­mos fa­zer aqui?” Um olhou pa­ra a ca­ra do ou­tro, e de­ci­di­mos es­pe­rar. Nes­sas, lem­bro que apa­re­ceu um co­roa que co­men­tou que, mais pa­ra fren­te, ti­nha um lu­gar com on­das bo­as, que cha­ma­va Itacaré. Não exis­tia a es­tra­da que a li­ga a Ilhéus. Pre­ci­sá­va­mos pe­gar a Rio-Bahia, en­trar em uma ci­da­de­zi­nha de ter­ra que chama Ta­bo­qui­nhas. O ca­ra in­di­cou pa­ra a gen­te em um pa­pel de pão. Eu con­ven­ci os dois ami­gos e fo­mos. Lem­bro co­mo se fos­se ho­je. Di­ri­gi­mos por mais de qua­tro ho­ras, em uma tri­lha que não pas­sa­va nem car­ro de boi. E a ga­so­li­na aca­ban­do. Os ca­ras me xin­gan­do, di­zen­do que es­tá­va­mos per­di­dos. Che­ga­mos no fim de tar­de. De ci­ma do mor­ro, avis­ta­mos aque­le pôr do sol. Tu­do de ter­ra, não ti­nha na­da na­que­la vi­la de pes­ca­dor. Tí­nha­mos di­nhei­ro pa­ra fi­car dez di­as, mas fi­ca­mos 70. Não da­va pa­ra ir em­bo­ra. Só três sur­fis­tas na ci­da­de na épo­ca. Fi­ca­mos ali no li­to­ral com a mo­le­ca­da, com o úni­co car­ro na ci­da­de. De ma­nhã, pa­ra pe­gar on­da, tí­nha­mos que dar uma vol­ta, se­não 50 cri­an­ças ro­de­a­vam o car­ro... Nes­sas, a gen­te co­nhe­ceu o Orí­ge­nes Araú­jo, en­tão com 9 anos de ida­de e nos­so guia. Ele le­va­va a gen­te pa­ra os pi­cos, tu­do por tri­lha. Eu cri­ei uma re­la­ção de amor com aque­le lu­gar. Fui pa­ra lá des­de en­tão, em to­dos os anos, pa­ra pas­sar mi­nhas fé­ri­as.

O Orí­ge­nes vi­rou atle­ta da South quando ti­nha 18 anos. Qu­e­bra­va as on­das, foi cam­peão bai­a­no pro­fis­si­o­nal. Aí nas­ceu o Ya­gê, que en­trou na South com 5 anos. Ho­je ele con­ti­nua na equi­pe e cor­re o QS. Fi­quei mui­to pró­xi­mo da fa­mí­lia Araú­jo, fi­lhos de uma mãe su­per­guer­rei­ra que ama­va o surf. Fi­ze­mos cam­pe­o­na­tos lo­cais cu­ja ins­cri­ção era com ali­men­tos não pe­re­cí­veis, de­pois dis­tri­buí­dos pa­ra fa­mí­li­as ca­ren­tes. Fo­mos cri­an­do uma li­ga­ção gi­gan­tes­ca com a ci­da­de – eu e, por con­sequên­cia, a South. De­pois fi­ze­mos os WQS lá, cir­cui­to lo­cal, lim­pe­zas de praia. Sem in­te­res­se co­mer­ci­al. Ho­je a ci­da­de vi­ve em tor­no do surf e, de cer­ta for­ma, aju­dei a plan­tar es­sa se­men­te.

SE PEGARMOS O FAROL DE SANTA MARTA E ITACARé, TEMOS UMA AMOSTRAGEM MUI­TO FIEL DE CO­MO O SURF FOI SE DESENVOLVENDO. NES­SA SUA HISTóRIA, CO­MO VO­Cê FOI PLANTANDO ESSAS SEMENTES DE MERCADO COM A SOUTH?

Uma coi­sa ba­ca­na que não foi pla­ne­ja­da é que, co­mo sou surfista de al­ma, ver­da­dei­ro, com es­pí­ri­to de vi­a­jar e bus­car a on­da per­fei­ta, eu sem­pre fin­quei mi­nhas raí­zes pe­lo li­to­ral. En­tão a marca aca­bou se

so­li­di­fi­can­do nes­ses lu­ga­res de on­da. Ao mes­mo tem­po que ti­nha es­sa história com Itacaré, eu pa­tro­ci­na­va o cir­cui­to de Im­bi­tu­ba, em Santa Ca­ta­ri­na; as­sim co­mo fa­ço o cir­cui­to de Mo­çam­bi­que, em Flo­ri­a­nó­po­lis – on­de há mais de 12 anos te­nho um pro­je­to de lim­pe­za de praia. Ti­ve um tra­ba­lho no Farol da Santa Marta. Pa­tro­ci­nei o Sa­rai­va, pri­mei­ro surfista a des­bra­var a Ilha dos Lo­bos, em Tor­res (RS). Es­sa co­ne­xão com o Ale­mão de Ma­re­si­as e com o li­to­ral nor­te, Cam­bu­ri… Sem­pre pe­guei on­da por lá. O Ale­mão de Ma­re­si­as, e atle­tas de re­no­me do Rio de Ja­nei­ro, co­mo o Pe­dro Mul­ler e o Da­da­zi­nho. Acon­te­ceu na­tu­ral­men­te es­sa co­ne­xão da South es­tar com bons em­bai­xa­do­res em pi­cos de qua­li­da­de. Ti­ve uma ba­se for­te no Tom­bo, no Gu­a­ru­já, com o Pi­ai, na épo­ca em que o Ya­gê mo­ra­va lá com ou­tros que par­ti­ci­pa­ram da equi­pe. O Lu­ci­nei Ma­las, de São Vi­cen­te, vi­rou atle­ta pro­fis­si­o­nal da marca e, quando pa­rou de com­pe­tir, o trou­xe­mos pa­ra ser che­fe da equi­pe ama­do­ra. Nos cam­pe­o­na­tos, res­ga­ta­mos aque­la cul­tu­ra dos anos 1980 de che­gar em um car­ro com a equi­pe or­ga­ni­za­da, uni­for­mi­za­da. Um sen­ti­men­to que exis­tia nos fes­ti­vais e se per­deu no tem­po. Os ir­mãos do Tom­bo, que eram da Town & Coun­try; o Pi­cu­ru­ta e o Al­mir Sa­la­zar da Light­ning Bolt… Uma marca po­de pa­gar uma for­tu­na de sa­lá­rio pa­ra um atle­ta mas, se ele não se iden­ti­fi­ca com a marca, não vai ves­tir a ca­mi­sa do jei­to cer­to. Ti­ve­mos sem­pre o cui­da­do de es­co­lher atle­tas que não ape­nas que­bra­vam nas on­das, mas que tam­bém fos­sem se­res hu­ma­nos bons, com ca­rá­ter, ín­te­gros.

IS­SO ACA­BOU FORTALECENDO A SOUTH NA CAPITAL DE SãO PAULO, ON­DE MAIS OCORRE ES­SE FLUXO DE GIRO EM RE­LA­çãO à CONCORRêNCIA?

É uma coi­sa que mu­da con­for­me a li­nha do tem­po. Te­ve um mo­men­to em que foi mui­to bom, que aju­dou. Ain­da tí­nha­mos um mercado nas ca­pi­tais que le­va­va o surf a sé­rio, no sen­ti­do de que pre­ser­va­vam o feeling. En­tão che­gou um mo­men­to ali, prin­ci­pal­men­te en­tre 2006 e 2010, que a South se so­li­di­fi­cou co­mo uma marca de surf re­al­men­te bra­si­lei­ra. Al­gu­mas lo­jas en­ten­de­ram que era im­por­tan­te ter um mix de mar­cas. En­tão tra­ba­lha­vam com as in­ter­na­ci­o­nais, mas, de al­gu­ma for­ma, com res­pei­to de ter mar­cas bem po­si­ci­o­na­das no li­to­ral. Até que o Brasil en­trou em cri­se, as­sim co­mo a pró­pria iden­ti­da­de das lo­jas de surf. Fi­cou aque­la coi­sa do lu­cro, do giro rá­pi­do. Vi­rou mais im­por­tan­te a marca mais barata, sem história, com des­con­to…

Nes­se mo­men­to, sen­ti­mos que re­al­men­te de­mos pas­sos pa­ra trás. Mas, de qual­quer for­ma, as raí­zes do li­to­ral con­ti­nu­a­ram for­tes em es­ta­dos co­mo Santa Ca­ta­ri­na, São Paulo, Bahia, Pa­ra­ná… Es­ses lu­ga­res man­ti­ve­ram a South vi­va e com su­as de­vi­das for­ças pa­ra con­ti­nu­ar den­tro de seu con­cei­to. Ho­je, pas­sa­do to­do es­se tem­po, o sen­ti­men­to que te­nho – va­li­da­do pe­lo que a gen­te es­cu­ta e tem de re­tor­no – é de reconhecimento por par­te dos for­ma­do­res de opi­nião e do co­re do nos­so es­por­te-re­li­gião-li­festy­le-mercado e cha­ma­do surf. Sem­pre acre­di­ta­mos que, pri­mei­ro, pre­ci­sa­mos fa­zer um bom tra­ba­lho, fiéis ao con­cei­to, com pro­du­tos de pri­mei­ra qua­li­da­de e cri­te­ri­o­sos no de­sign, res­pei­tan­do nos­sos co­la­bo­ra­do­res, nos­sos atle­tas, as po­lí­ti­cas co­mer­ci­ais. Sem­pre acre­di­tei que, se tu­do is­so es­ti­ver bom, as ven­das e o su­ces­so fi­nan­cei­ro se­ri­am con­sequên­cia, e não o con­trá­rio.

En­tão tra­ba­lho ho­je acre­di­tan­do que o mercado no Brasil, as­sim co­mo no mun­do, é mui­to no­vo. Es­ta­mos fa­lan­do de qu­a­se

Ho­je, pas­sa­do to­do es­se tem­po, o sen­ti­men­to que te­nho – va­li­da­do pe­lo que a gen­te es­cu­ta e tem de re­tor­no – é de reconhecimento por par­te dos for­ma­do­res de opi­nião e do co­re do nos­so es­por­te-re­li­gião-li­festy­le­mer­ca­do cha­ma­do surf.

qua­tro décadas de mar­cas com pro­du­tos, no es­por­te, com atle­tas pa­tro­ci­na­dos. E ve­jo pes­so­as tra­ba­lhan­do co­mo se o mercado do surf fos­se aca­bar ama­nhã. Eu acre­di­to que, en­quan­to os ma­res não es­ti­ve­rem ex­tre­ma­men­te po­luí­dos e exis­tir on­da, te­rá surf. Quem pe­ga on­da não pa­ra.

NO BRASIL, VO­Cê Vê ES­SE RESGATE DO MERCADO DAS MAR­CAS CO­RE, COM CADA VEZ MAIS EVIDêNCIA DA NECESSIDADE DE OLHAR UM POUCO PA­RA DEN­TRO, EM BUSCA DE UM MO­MEN­TO DE SOLIDEZ?

Eu acho que faz par­te de um apren­di­za­do sobre um mercado no­vo. São vá­ri­as fa­ses des­se mercado de 40 anos. Os dez pri­mei­ros anos per­sis­ti­ram. Os dez, 15 se­guin­tes fo­ram de abun­dân­cia. Cin­co anos mais tar­de, tal­vez as pes­so­as que es­ta­vam nes­se meio não sou­be­ram ex­plo­dir o ne­gó­cio, ad­mi­nis­trar o co­re, o sen­ti­men­to, e o surf se po­pu­la­ri­zou de­mais. Ho­je a gen­te vi­ve em uma épo­ca em que, tal­vez, es­ses dois pas­sos pa­ra trás se­jam o fu­tu­ro, pa­ra re­al­men­te fi­car quem é co­re. Dar uma pe­nei­ra­da em quem não es­tá com­pro­me­ti­do. E eu acre­di­to nes­sa re­no­va­ção do mercado. Quem re­al­men­te ama o ne­gó­cio não vai aban­do­nar e te­rá es­se re­nas­ci­men­to, com a vol­ta do reconhecimento das lo­jas, dos sur­fis­tas, das pes­so­as que se man­ti­ve­ram no con­cei­to des­de o prin­cí­pio.

Quando is­so acon­te­cer, que não co­me­ta­mos os mes­mos er­ros. Por is­so eu bus­co a união das mar­cas e das pes­so­as en­vol­vi­das com es­se ob­je­ti­vo em co­mum, que tan­to fi­ze­ram pe­lo surf. Pas­sa­mos por um mo­men­to de vo­lú­pia, eu­fo­ria, de­pois de que­da. O amor per­ma­ne­ce pa­ra quem tem o con­cei­to, por­que o di­nhei­ro su­miu. Es­ta­mos res­ga­tan­do o co­re, ten­tan­do pas­sar pa­ra as pes­so­as o que é a ver­da­de do surf. Tal­vez o pró­xi­mo pas­so se­ja, quando is­so co­me­çar, ter mais cui­da­do com a dis­tri­bui­ção, com quem vai ven­der, com os pro­du­tos que va­mos fa­zer, com as po­lí­ti­cas co­mer­ci­ais. En­ten­der o ta­ma­nho re­al do mercado. Sin­to que es­ta no­va ge­ra­ção es­tá se­den­ta e pron­ta pa­ra con­su­mir pro­du­tos com história e con­cei­to.

VO­Cê é UM DOS POU­COS PLAYERS QUE NãO TEM RECEIO DE CITAR NOMES, COLOCAR CA­RAS CO­MO RE­FE­RêN­CIA. NES­SES PAPOS, FICA MUI­TO CLARO O QUE VO­Cê EN­XER­GA CO­MO CO­RE. POR OU­TRO LA­DO, EXISTEM MAR­CAS QUE ESTãO APARECENDO QUE VO­Cê TAM­BéM EN­XER­GA. CO­MO VO­Cê Vê ESSAS REFERêNCIAS, SUA MARCA E COI­SAS NOVAS APARECENDO?

A gen­te tem, ló­gi­co, as referências. In­fe­liz­men­te são pou­cas ho­je. Ti­ve vá­ri­as no pas­sa­do, mas não é fá­cil. Não jul­go as pes­so­as, não é fá­cil pa­ra uma pes­soa man­ter uma em­pre­sa com o mes­mo con­cei­to, ain­da mais no Brasil. Muitas referências mi­nhas do pas­sa­do se per­de­ram no meio do ca­mi­nho. É di­fí­cil até citar. Eu ti­nha uma re­fe­rên­cia mui­to gran­de no Ro­ber­to Va­lé­rio, que fa­zia um tra­ba­lho mui­to ba­ca­na. O pró­prio Al­fio Lag­na­do. E temos que es­tar sem­pre aten­tos. Exis­te mui­ta coi­sa ba­ca­na aparecendo. Eu ve­jo que a re­no­va­ção exis­te. Pre­ci­sa ter um cer­to cui­da­do, por­que per­ce­bo ho­je que he­róis e mar­cas são cons­truí­dos mui­to ra­pi­da­men­te, sem raí­zes pro­fun­das. Essas fon­tes de su­ces­so rá­pi­do ten­dem, na pri­mei­ra tem­pes­ta­de, a mu­dar o ru­mo ou a nau­fra­gar. Mas ve­jo al­gu­mas mar­cas com um tra­ba­lho ba­ca­na, de resgate, de não co­pi­ar, mas, sim, de ter uma iden­ti­da­de pró­pria, de ter pro­du­to de bom gos­to, de cui­dar da dis­tri­bui­ção, de ter uma lin­gua­gem lim­pa e que pas­se o surf co­mo um li­festy­le ba­ca­na. Is­so tem que ser va­lo­ri­za­do. O que ven­de­mos é um es­ti­lo de vi­da. As pes­so­as não po­dem es­que­cer is­so ja­mais. Es­tar em con­ta­to com a na­tu­re­za, pe­gar on­da de ber­mu­da, se di­ver­tir, sair do mar, fa­zer um chur­ras­co, co­mer um pei­xe, ter uma re­se­nha de­pois de um dia de surf. Re­mar no ca­nal e ver seu brother pe­gan­do um tu­bo. É o me­lhor sen­ti­men­to. Pa­ra co­lo­cá-lo em pro­du­tos, em uma coleção no Brasil com ele­va­das ta­xas de ju­ros e im­pos­tos, é di­fí­cil. Tem que es­tar mui­to con­vic­to. To­do dia tem bac­té­ria que­ren­do te con­ven­cer de que vo­cê es­tá er­ra­do. A tei­mo­sia, a per­sis­tên­cia e a con­vic­ção se­ri­am três pa­la­vras-cha­ve pa­ra quem qu­er con­tar uma história por mui­to tem­po. Eu creio nes­sa re­vo­lu­ção. A mo­le­ca­da ho­je es­tá aten­ta, es­tu­dan­do, sa­be o que es­tá ro­lan­do.

“O que ven­de­mos é um es­ti­lo de vi­da. As pes­so­as não po­dem es­que­cer is­so ja­mais. Es­tar em con­ta­to com a na­tu­re­za, pe­gar on­da de ber­mu­da, se di­ver­tir, fa­zer um chur­ras­co, co­mer um pei­xe, ter uma re­se­nha de­pois do surf. É o me­lhor sen­ti­men­to.”

TEM ES­SA DEMANDA ONLINE E TAM­BéM DA EXPERIêNCIA FíSICA, DO TATO, DO CONSUMO NOS LU­GA­RES VERDADEIROS… NESTES 30 ANOS, VO­Cê ES­Tá LANçANDO SUA LOJA, NA ZO­NA NOR­TE DE SãO PAULO, QUE é O SEU BERçO. FALE UM POUCO SOBRE ES­SA EXPERIêNCIA QUE TRANSCENDE A SURF SHOP.

Es­se pro­je­to nas­ceu há mui­to tem­po na mi­nha ca­be­ça e no meu co­ra­ção, por­que a gen­te sa­be pa­ra quem de­sen­vol­ve, pa­ra quem tra­ba­lha. A gen­te va­lo­ri­za o surf e o surfista, e es­tá so­fren­do mui­to nos úl­ti­mos anos com es­sa fal­ta de iden­ti­da­de no va­re­jo, prin­ci­pal­men­te no fí­si­co. Eu, com a ope­ra­ção das pran­chas do Eric Ara­kawa na Amé­ri­ca do Sul há no­ve anos, por se tra­tar de uma pran­cha pre­mium e co­re, es­tou mui­to pró­xi­mo do surfista ver­da­dei­ro. To­do fim de se­ma­na es­tou na praia. O que a gen­te per­ce­beu de um tem­po pa­ra cá? Exis­te uma des­co­ne­xão en­tre o surfista e o mercado que se diz de surf shop e ven­de pro­du­tos de mar­cas do seg­men­to. Com o Bra­zi­li­an Storm e tu­do o que acon­te­ceu no mun­do com­pe­ti­ti­vo, com mais vi­si­bi­li­da­de em mí­dia aber­ta, o fenô­me­no do Medina, de­pois o Mi­nei­ri­nho, a gen­te per­ce­be que o au­men­to de pra­ti­can­tes e de pes­so­as que amam o es­por­te, e até co­mo es­ti­lo de vi­da cres­ceu mui­to, é gigante. E as mar­cas cada vez mais re­cla­mam que ven­dem me­nos.

No en­tan­to cada fim de se­ma­na é mais crowd. En­tão exis­te uma des­co­ne­xão. Ho­je o surfista que pe­ga on­da, que en­ten­de e vi­ve nos­so es­ti­lo de vi­da, e até o ver­da­dei­ro sim­pa­ti­zan­te estão to­tal­men­te des­co­nec­ta­dos do de­se­nho das lo­jas atu­ais. Sem ge­ne­ra­li­zar, mas a pro­por­ção de pra­ti­can­tes que têm su­pe­re­qui­pa­men­tos, que in­ves­tem em vi­a­gens, que amam o surf e não usam mar­cas de surf é gigante. Per­ce­bo is­so em to­dos os fins de se­ma­na e em to­das as vi­a­gens. Aqui ele não en­con­tra lo­jas ou am­bi­en­tes que fa­lam es­sa mes­ma lin­gua­gem. Par­ti nes­se pro­je­to por­que a South to South tem uma demanda e en­fren­ta­va di­fi­cul­da­des em en­trar

nas gran­des re­des de São Paulo. So­mos re­co­nhe­ci­dos pe­lo co­re. Muitas pes­so­as me fa­lam que não sa­bem on­de en­con­trar, além da loja vir­tu­al. Jun­ta­mos tu­do is­so à necessidade de ter es­sa re­se­nha, es­sa par­ce­ria, um es­pa­ço de surf de ver­da­de, on­de se pos­sa tra­ba­lhar com equi­pa­men­tos, fa­lar sobre mar­cas, da história, ter pes­so­as trei­na­das pa­ra aten­der, mis­tu­ra­da a um pro­je­to de loun­ge bar. Um lu­gar pa­ra as pes­so­as ver­da­dei­ras se en­con­tra­rem, pa­ra os par­cei­ros que sen­tem a mes­ma necessidade. En­tão acho que é um pro­je­to que une um am­bi­en­te ba­ca­na, on­de se po­de con­ver­sar sobre surf e tam­bém en­con­trar os me­lho­res equi­pa­men­tos sen­do aten­di­dos por quem re­al­men­te en­ten­de do as­sun­to.

CO­MO é O SEN­TI­MEN­TO DA FA­Mí­LIA COM QUE VO­Cê ENCARA A SUA VI­DA, O SEU TRA­BA­LHO? DE QUE MANEIRA ES­SA RETOMADA DO CO­RE PASSA POR IS­SO TAM­BéM?

Sem­pre acre­di­tei que to­dos os sur­fis­tas e quem tra­ba­lha com o surf são uma fa­mí­lia. Meus atle­tas vi­ram meus ir­mãos. Fun­ci­o­ná­ri­os, meus brothers. Ex-fun­ci­o­ná­ri­os me abra­çam. Sou mui­to fa­mí­lia tam­bém no sen­ti­do de es­tar jun­to nes­sa jor­na­da. Co­la­bo­ra­do­res, atle­tas, re­pre­sen­tan­tes, ex-atle­tas, ex-re­pre­sen­tan­tes, cli­en­tes, for­ne­ce­do­res, pres­ta­do­res de ser­vi­ço – es­ta­mos no mes­mo bar­co. Fa­la­mos a mes­ma lín­gua, com a po­lí­ti­ca de nin­guém ser me­lhor que nin­guém. Temos que re­mar jun­tos, por is­so fa­lo da união do mercado. E te­nho is­so em mim. Sou um ca­ra fa­mí­lia. Ca­sei no­vo, com 24 anos. Es­tou com a mi­nha mu­lher até ho­je, a pes­soa mais im­por­tan­te da mi­nha vi­da. Te­nho três fi­lhas. A mais ve­lha tra­ba­lha co­mi­go, ho­je com 23 anos. Cri­ei mi­nha fa­mí­lia, pu­de dar amor, ca­ri­nho e o má­xi­mo pos­sí­vel às mi­nhas fi­lhas, com o tra­ba­lho e a pai­xão pe­lo surf. Elas têm uma par­ti­ci­pa­ção nis­so, por­que vi­ve­ram a vi­da de­las sa­ben­do da de­di­ca­ção do pai pe­lo surf, pe­los atle­tas. Is­so pas­sou va­lo­res. En­tão não abro mão da mi­nha fa­mí­lia por na­da e tra­to to­dos aque­les que estão co­mi­go co­mo mi­nha fa­mí­lia. Te­nho mui­to or­gu­lho de não ter pro­ble­mas com nin­guém. A South é mui­to is­so. Não é al­go pu­ra­men­te co­mer­ci­al, de in­te­res­se. É co­ne­xão, ener­gia e in­te­gri­da­de. Tu­do o que te­nho de­vo ao surf, e os ami­gos de ver­da­de são o maior pa­trimô­nio que pos­so ter. E vou con­ti­nu­ar a fa­zer de tu­do pa­ra in­flu­en­ci­ar as pes­so­as a sur­fa­rem. Sem­pre acre­di­tei que o surf for­ma pes­so­as me­lho­res. Não é pre­ci­so que­brar nas on­das. Cos­tu­mo di­zer pa­ra os pais dos atle­tas que co­me­ço a pa­tro­ci­nar: “Não sei se vou te dar um cam­peão mun­di­al, mas o tor­na­re­mos uma pes­soa me­lhor”. O surf faz is­so. Dei­xa as pes­so­as mais so­ci­ais, mais res­pei­to­sas, mais hu­mil­des, com ou­tros va­lo­res. Não vou dei­xar de pre­gar o surf nun­ca, as­sim co­mo vou sem­pre in­cen­ti­var o res­pei­to ao meio am­bi­en­te. Surf é nos­sa vi­da.

Nes­ta fo­to, Rob­son San­tos é um dos atle­tas pa­tro­ci­na­dos pe­la South. Surfista lo­cal do li­to­ral nor­te de São Paulo, ele cor­re o WS com o lo­go da marca no bi­co da pran­cha. Na on­da, em In­sa­ni­ti­es, Hawaii.Fo­to me­nor, Mauricio Fagundes com seu brother Adriano “Kahu­nas”, acam­pa­do em Oli­ven­ça (BA) no ve­rão de 1986/87, a ca­mi­nho de Itacaré; ci­da­de que em ele se re­co­nec­ta ano após ano.

Fo­to me­nor, Mauricio acom­pa­nha­do da fa­mí­lia, sua es­po­sa, Ana Lu­cia, e as fi­lhas, Ma­ri­a­na, Ju­lia e Isa­be­la Fagundes.Na maior, Ya­gê Araú­jo e Rob­son San­tos, in­te­gran­tes da fa­mí­lia South to South.

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