A en­cru­zi­lha­da do Bre­xit

ISTO É Dinheiro - - NEWS - Carlos Jo­sé Marques, di­re­tor edi­to­ri­al

A pri­mei­ra-mi­nis­tra da In­gla­ter­ra, Te­re­sa

May, es­tá pe­nho­ran­do seu pró­prio des­ti­no na ma­lo­gra­da ex­pe­ri­ên­cia do

Bre­xit. Des­de que foi sur­pre­en­den­te­men­te apro­va­da em um ple­bis­ci­to aper­ta­do, que con­tou com mui­tos vo­tos con­ser­va­do­res e o des­ca­so da mai­o­ria da po­pu­la­ção so­bre o as­sun­to, a ideia da re­ti­ra­da do Rei­no Uni­do da União Eu­ro­peia só tem ge­ra­do do­res de ca­be­ça e al­tos pre­juí­zos a seus de­fen­so­res. A co­me­çar pe­la pró­pria May. Nos úl­ti­mos tem­pos, ela foi tri­pu­di­a­da por chan­ce­le­res lí­de­res da UE, des­pre­za­da em Bru­xe­las e des­pres­ti­gi­a­da por seus con­ter­râ­ne­os. Con­se­guiu fa­zer pas­sar o pro­je­to de re­ti­ra­da do blo­co no Con­se­lho da UE, mas ago­ra tem pe­la fren­te um parlamento in­glês ar­re­dio, des­cren­te nas be­nes­ses da pro­pos­ta e com uma cer­ta dis­po­si­ção à vol­tar atrás. A pre­miê bri­tâ­ni­ca cor­re con­tra o tem­po e pro­mo­ve fa­vo­res por vo­tos. Se sair der­ro­ta­da se­la­rá uma re­nún­cia ine­vi­tá­vel do car­go e co­lo­ca­rá o seu par­ti­do em des­van­ta­gem na “Hou­se of Lords”. Os ter­mos do Bre­xit são cla­ra­men­te es­po­li­a­do­res e pre­ju­di­ci­ais à po­pu­la­ção. Um es­tu- do ela­bo­ra­do pe­lo Na­ti­o­nal Ins­ti­tu­te of Eco­no­mic Re­se­ar­ch apon­ta que o Bre­xit cus­ta­rá per­to de 100 bi­lhões de li­bras — R$ 505 bi­lhões — em 10 anos pa­ra a eco­no­mia na­ci­o­nal. Su­ge­re o mes­mo es­tu­do que até 2030 a Grã-Bre­ta­nha te­rá per­di­do 3,9% em cres­ci­men­to do PIB. Des­de o ple­bis­ci­to em 2016, a eco­no­mia da In­gla­ter­ra vem de­sa­ce­le­ran­do, com fu­ga de em­pre­sas e que­da do pres­tí­gio na ban­ca in­ter­na­ci­o­nal. Até me­a­dos de de­zem­bro o as­sun­to en­tra na re­ta fi­nal na Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos. Do re­fe­ren­do ao acor­do na se­ma­na pas­sa­da foi aber­ta uma bre­cha pa­ra a per­ma­nên­cia bri­tâ­ni­ca na UE. O tem­po é o prin­ci­pal fa­tor nes­se sen­ti­do. O tra­ta­do ain­da de­ve re­tor­nar ao Con­se­lho Eu­ro­peu de­pois dos ar­ras­ta­dos de­ba­tes no Parlamento e tu­do pre­ci­sa es­tar pron-

to pa­ra a saí­da do País do blo­co até 29 de mar­ço do ano que vem. É um pra­zo exí­guo. E as cláu­su­las, ne­go­ci­a­das por May, são de­cer­to in­di­ges­tas. Den­tre elas fi­cou es­ta­be­le­ci­do que o Rei­no Uni­do de­ve­rá ar­car com US$ 50 bi­lhões em com­pro­mis­sos fi­nan­cei­ros da operação de de­sem­bar­que. Pra­ti­ca­men­te as­su­mi­rá a con­ta so­zi­nho. Ao mes­mo tem­po, se­gui­rá ata­do a al­gu­mas re­gu­la­ções do blo­co em di­ver­sas áre­as e por anos à fio, ten­do en­tre ou­tras res­tri­ções uma ca­pa­ci­da­de li­mi­ta­da pa­ra ne­go­ci­ar acor­dos co­mer­ci­ais com ou­tros paí­ses. No pla­car de pre­juí­zos, a lis­ta só cres­ce. E na mes­ma pro­por­ção a au­to­ri­da­de e o res­pei­to de May vêm cain­do de ma­nei­ra im­pla­cá­vel. Pa­ra os bri­tâ­ni­cos de uma ma­nei­ra ge­ral, se hou­ves­se al­gu­ma chan­ce de ar­re­pen­di­men­to, es­que­cen­do o que acon­te­ceu e re­tor­nan­do ao mo­de­lo ori­gi­nal, eles não iri­am he­si­tar nes­se sen­ti­do. Pe­na que es­tá é uma op­ção re­mo­ta.

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