O ANO DA ACE LERAÇÃO?

ISTO É - - ARTIGOS - por Ri­car­do Amo­rim A se­guir: Bo­lí­var La­mou­ni­er, Mario Vi­tor Ro­dri­gues, El­vi­ra Can­ça­da

Os úl­ti­mos anos não fo­ram fá­ceis no Bra­sil. Ao lon­go do go­ver­no Dil­ma, mui­tos er­ros de po­lí­ti­ca econô­mi­ca so­ma­ram-se a es­cân­da­los de cor­rup­ção, cul­mi­nan­do com o im­pe­a­ch­ment da pre­si­den­te e nos­sa mai­or cri­se econô­mi­ca. No go­ver­no Te­mer os de­se­qui­lí­bri­os in­fla­ci­o­ná­rio e de con­tas ex­ter­nas fo­ram cor­ri­gi­dos, e uma im­por­tan­te Re­for­ma Tra­ba­lhis­ta foi apro­va­da, mas no­vos es­cân­da­los de cor­rup­ção im­pe­di­ram a apro­va­ção da Re­for­ma da Pre­vi­dên­cia. Com iso, o de­se­qui­lí­brio das con­tas pú­bli­cas con­ti­nu­ou.

Mes­mo com mui­tos cho­ques po­lí­ti­cos e econô­mi­cos — de­la­ções de Marcelo Ode­bre­cht e Jo­es­ley Ba­tis­ta, R$ 51 mi­lhões en­con­tra­dos no bun­ker do Ged­del, gre­ve dos ca­mi­nho­nei­ros, elei­ções, al­ta de juros nos EUA e guer­ra co­mer­ci­al ame­ri­ca­na —, o PIB bra­si­lei­ro cres­ceu em to­dos os úl­ti­mos oi­to tri­mes­tres.

Cres­ceu, mas cres­ceu pou­co. É aí que vem a boa no­tí­cia. Em 2019, a eco­no­mia bra­si­lei­ra tem tu­do pa­ra ace­le­rar.

O fim da in­cer­te­za elei­to­ral e a ex­pec­ta­ti­va de que o no­vo go­ver­no ado­ta­rá uma agen­da mais li­be­ral, di­mi­nuin­do o pe­so do Es­ta­do, vem ge­ran­do oti­mis­mo na clas­se em­pre­sa­ri­al,

O fim da in­cer­te­za elei­to­ral e a ex­pec­ta­ti­va de que o no­vo go­ver­no ado­ta­rá uma agen­da mais li­be­ral, di­mi­nuin­do o pe­so do Es­ta­do, vem ge­ran­do oti­mis­mo na clas­se em­pre­sa­ri­al

que tem anun­ci­a­do in­ves­ti­men­tos sig­ni­fi­ca­ti­vos nos pró­xi­mos anos. Em no­vem­bro, o Ín­di­ce de Con­fi­an­ça do Em­pre­sá­rio In­dus­tri­al (ICEI) da Con­fe­de­ra­ção Na­ci­o­nal da In­dús­tria (CNI) foi o mais al­to des­de 2010, ano em que o PIB cres­ceu 7,5%.

A in­fla­ção es­tá es­ta­bi­li­za­da pró­xi­ma à me­ta, o que in­di­ca que sal­vo uma gra­ve cri­se ex­ter­na que cau­se uma for­te al­ta do dó­lar, a ta­xa Se­lic, que é a me­nor da his­tó­ria, de­ve per­ma­ne­cer on­de es­tá por al­gum tem­po. Com juros bá­si­cos baixos e es­tá­veis, mais a con­fi­an­ça em al­ta, é provável que os ban­cos au­men­tem a ofer­ta de cré­di­to, im­pul­si­o­nan­do in­ves­ti­men­tos e be­ne­fi­ci­an­do par­ti­cu­lar­men­te os se­to­res de bens du­rá­veis, co­mo imó­veis e veí­cu­los, que aliás já ti­ve­ram cres­ci­men­to de ven­das de dois dí­gi­tos em 2018.

Além do cré­di­to, o con­su­mo tam­bém de­ve ser im­pul­si­o­na­do pe­lo cres­ci­men­to do nú­me­ro de pes­so­as em­pre­ga­das, par­ti­cu­lar­men­te dos tra­ba­lha­do­res com car­tei­ra assinada. De ja­nei­ro a ou­tu­bro des­se ano, es­se nú­me­ro já au­men­tou em 790 mil pes­so­as. Com o au­men­to da con­fi­an­ça do em­pre­sa­ri­a­do, a ge­ra­ção de em­pre­gos se ace­le­ra e com ela a mas­sa de ren­da e a ca­pa­ci­da­de de con­su­mo da po­pu­la­ção.

Ca­so as re­for­mas se­jam de fa­to apro­va­das, e uma cri­se in­ter­na­ci­o­nal não se ma­te­ri­a­li­ze — o ris­co que mais me pre­o­cu­pa nes­se mo­men­to — é provável que o cres­ci­men­to do PIB em 2019 su­pe­re não ape­nas o des­se ano, mas tam­bém a ex­pec­ta­ti­va mé­dia dos eco­no­mis­tas, que atu­al­men­te es­tá em 2,5%.

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