PA­TRIMÔ­NIO CUL­TU­RAL EM RUÍ­NAS

Fa­mí­lia de Mário Cra­vo Jú­ni­or aguar­da po­si­ci­o­na­men­to do go­ver­no so­bre re­vi­ta­li­za­ção de obras

Jornal da Metropole - - Bahia - Fo­tos Tá­cio Mo­rei­ra Tex­to Ga­bri­el Nas­ci­men­to ga­bri­el.nas­ci­men­to@me­tro1.com.br

Há pou­co mais de uma se­ma­na, a Bahia se des­pe­dia do ar­tis­ta plás­ti­co Mário Cra­vo Jú­ni­or. Du­ran­te os 95 anos de história, o es­cul­tor, gra­va­dor, pin­tor, de­se­nhis­ta e po­e­ta fez da vi­da uma obra de ar­te e es­pa­lhou seu tra­ba­lho pe­los qu­a­tro can­tos de Sal­va­dor. Ape­sar da gran­di­o­sa tra­je­tó­ria, Cra­vo foi tes­te­mu­nha de uma das mai­o­res vi­o­lên­ci­as con­tra as su­as fa­ça­nhas: o des­ca­so do Po­der Pú­bli­co.

As ima­gens fei­tas re­cen­te­men­te pe­lo Jor­nal da Me­tró­po­le no Par­que de Pi­tu­a­çu, lo­cal que reú­ne 3 mil obras do ar­tis­ta, pro­vam o des­lei­xo com par­te do acer­vo do­a­do ao Es­ta­do em 1994. A falta de ma­nu­ten­ção fez com que as pe­ças es­pa­lha­das na área ex­ter­na fos­sem cor­roí­das pe­la fer­ru­gem — agra­va­da por cau­sa da sa­li­ni­da­de na re­gião. Pa­ra pi­o­rar, não há qual­quer si­nal de re­vi­ta­li­za­ção.

Em ju­lho de 2016, o pró­prio ar­tis­ta fez um desabafo e la­men­tou a de­te­ri­o­ra­ção das es­cul­tu­ras. “Há de­pre­da­ção to­tal e ab­so­lu­ta de um bem que não é mais meu. Quan­do vo­cê faz al­go que vo­cê ama, vo­cê es­tá con­tri­buin­do pa­ra o en­ri­que­ci­men­to da al­ma humana, do es­pí­ri­to”, de­cla­rou em en­tre­vis­ta à TV Bahia.

Ago­ra, fa­mi­li­a­res e admiradores per­gun­tam: se na­da foi fei­to pa­ra pre­ser­va­ção das obras en­quan­to Mário Cra­vo Jú­ni­or es­ta­va vi­vo, qual o fu­tu­ro de­las no es­pa­ço que, iro­ni­ca­men­te, foi fei­to pa­ra ho­me­na­ge­ar o au­tor?

Mário Cra­vo mor­reu no iní­cio do mês, aos 95 anos

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