Dó­lar vai a R$ 4,651 ape­sar de ação do BC

Im­pac­to do co­ro­na­ví­rus e ex­pec­ta­ti­va de ju­ros bai­xos pres­si­o­nam a co­ta­ção da mo­e­da

Metro Brasil (Brasília) - - PRIMEIRA PÁGINA -

Os mer­ca­dos glo­bais vi­ve­ram mais um dia de ten­são por per­sis­ten­tes te­mo­res re­la­ci­o­na­dos aos im­pac­tos do co­ro­na­ví­rus so­bre a economia.

O dó­lar su­biu pe­la 12ª ses­são con­se­cu­ti­va e fe­chou em al­ta de 1,54%, a R$ 4,651 na ven­da, no­va má­xi­ma his­tó­ri­ca no­mi­nal. É a mai­or sequên­cia de va­lo­ri­za­ções des­de ja­nei­ro de 1999, qu­an­do o Ban­co Cen­tral en­cer­rou a po­lí­ti­ca do câm­bio fi­xo.

Ape­nas em mar­ço a mo­e­da ame­ri­ca­na sal­ta 3,79% e dis­pa­ra 15,90% no acu­mu­la­do de 2020 – o pi­or com­por­ta­men­to qu­an­do com­pa­ra­do a uma ces­ta de 34 di­vi­sas.

O avan­ço on­tem ocor­reu mes­mo com in­ter­ven­ções do BC, que ofer­tou US$ 3 bi­lhões di­vi­di­dos em três lei­lões de 20 mil con­tra­tos de swap cam­bi­al ca­da um.

Com o cres­ci­men­to ain­da fra­co do PIB bra­si­lei­ro e ex­pec­ta­ti­vas de on­da de re­du­ções de ju­ros pe­los prin­ci­pais ban­cos cen­trais de­vi­do ao co­ro­na­ví­rus, ana­lis­tas am­pli­a­ram as su­as apos­tas de cor­tes mais agres­si­vos na Se­lic, a nos­sa ta­xa bá­si­ca.

Se­gun­do Ra­fa­el Be­vi­lac­qua, es­tra­te­gis­ta-che­fe da Le­van­te In­ves­ti­men­tos, a Se­lic po­de ser re­du­zi­da em até 0,5 pon­to per­cen­tu­al, pa­ra 3,75% ao ano na reu­nião do BC de mar­ço. E par­te dos pro­fis­si­o­nais já vê um no­vo cor­te em maio, le­van­do a ta­xa a 3,5% ao ano.

“Man­ti­da a pro­je­ção de 3,20% da in­fla­ção, es­sa Se­lic dei­xa­ria os ju­ros re­ais mui­to per­to de ze­ro, re­du­zin­do bas­tan­te a atra­ti­vi­da­de das apli­ca­ções de ren­da fi­xa e di­mi­nuin­do o flu­xo de dó­la­res pa­ra o país. Por is­so, a ta­xa de câm­bio vem en­ga­tan­do re­cor­de atrás de re­cor­de”, afir­ma Be­vi­lac­qua.

Bol­sa des­pen­ca 4,65%

O avan­ço do co­ro­na­ví­rus ele­vou a ten­são nos mer­ca­dos aci­o­ná­ri­os. Nos EUA, o Dow Jo­nes caiu 3,58%, o S&P 500 per­deu 3,39% e a Nas­daq te­ve que­da de 3,1%.

“O im­pac­to do ví­rus pe­lo mun­do ain­da con­ti­nua. A Ca­li­fór­nia, nos EUA, de­cre­tou es­ta­do de emer­gên­cia após a pri­mei­ra mor­te cau­sa­da pe­la do­en­ça, e o Ja­pão es­ta­be­le­ceu qua­ren­te­na pa­ra os vi­a­jan­tes da Chi­na e Co­reia do Sul”, afir­ma Gus­ta­vo Ber­tot­ti, eco­no­mis­ta da Mes­sem In­ves­ti­men­tos.

No Bra­sil, o Ibo­ves­pa des­pen­cou 4,65%, a 102.233 pon­tos. En­tre os des­ta­ques estão as ações das com­pa­nhi­as aé­re­as Gol (-17%) e Azul (-14,5%), além dos pa­péis da em­pre­sa de tu­ris­mo CVC, que caí­ram 9,8%. As pre­fe­ren­ci­ais da Pe­tro­bras de­sa­ba­ram 6%, en­quan­to as or­di­ná­ri­as re­cu­a­ram 5%. A Va­le fe­chou em que­da de 6,5%.

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