Em MG e no RJ, 111 são pre­sos por cri­mes con­tra mu­lhe­res Se­na­do tor­na ‘im­por­tu­na­ção se­xu­al’ cri­me; lei vai a san­ção

Ação policial nos dois es­ta­dos foi re­a­li­za­da no dia em que a Lei Ma­ria da Penha com­ple­tou 12 anos. No Bra­sil, fo­ram aber­tos 2.643 ca­sos de fe­mi­ni­cí­dio no ano pas­sa­do, se­gun­do o CNJ

Metro Brazil (Campinas) - - Brasil -

“Em bri­ga de ma­ri­do e mu­lher to­dos de­vem me­ter a co­lher”: a afir­ma­ção, que des­mis­ti­fi­ca um dos mais co­nhe­ci­dos di­ta­dos po­pu­la­res, é da ti­tu­lar da De­am (De­le­ga­cia de Aten­di­men­to à Mu­lher) do Rio de Ja­nei­ro, Ga­bri­e­la Von Be­a­vais, e foi fei­ta jus­ta­men­te no dia em que a Po­lí­cia Ci­vil fez uma gran­de ope­ra­ção pa­ra pren­der autores de cri­mes con­tra mu­lhe­res no Rio e em Mi­nas Ge­rais.

Po­li­ci­ais cum­pri­ram mais de 200 man­da­dos de pri­são con­tra acu­sa­dos de violência con­tra a mu­lher – no Rio, fo­ram de­ti­dos 46 acu­sa­dos que ti­nham man­da­dos em aber­to. Em Mi­nas, mais 65. Os cri­mes vão des­de le­são cor­po­ral, es­tu­pro e ten­ta­ti­va de fe­mi­ni­cí­dio. Na mai­o­ria dos ca­sos, con­tra a pró­pria com­pa­nhei­ra.

No ca­so mais re­cen­te no Rio, o pin­tor Anderson da Sil­va se en­tre­gou após ma­tar por es­tran­gu­la­men­to a mu­lher, Si­mo­ne da Sil­va, 25, que es­ta­va grá­vi­da de três me­ses. O cri­me acon­te­ceu no Com­ple­xo do Ale­mão, na zo­na nor­te, na fren­te do fi­lho de 3 anos. Ele con­fes­sou que co­me­teu o cri­me por achar que o fi­lho que ela es­ta­va es­pe­ran­do não era de­le. A fa­mí­lia con­tou que, ape­sar das agres­sões se­rem fre­quen­tes, não fo­ram de­nun­ci­a­das.

Na ação de on­tem, mui­tos pre­sos che­ga­ram à de­le­ga­cia sor­rin­do. Especialistas afir­mam que es­te é um com­por­ta­men­to tí­pi- co en­tre os agres­so­res, já que a mai­o­ria não se vê co­mo cri­mi­no­so e en­ca­ra a mu­lher co­mo pro­pri­e­da­de de­le.

Fe­mi­ni­cí­dio pe­lo Bra­sil

Re­la­tó­rio pro­du­zi­do pe­lo CNJ (Con­se­lho Na­ci­o­nal de Jus­ti­ça) afir­ma que fo­ram aber­tos no Bra­sil, só no ano pas­sa­do, 2.643 no­vos pro­ces­sos por fe­mi­ni­cí­dio. O ano de 2017 ter­mi­nou com 10.786 pro­ces­sos por es­se cri­me des­de a cri­a­ção da Lei do Fe­mi­ni­cí­dio em 2015.

O le­van­ta­men­to mos­tra que o es­ta­do com mais pro­ces­sos foi o Pa­ra­ná: 743. Mi­nas Ge­rais apa­re­ce em se­gui­da, com 372 no­vas ações, e o Rio Gran­de do Sul é o ter­cei­ro, com 258. São Paulo te­ve a aber­tu­ra de 179 pro­ces­sos pe­lo cri­me no ano pas­sa­do – o que o con­se­lho clas­si­fi­cou co­mo sub­no­ti­fi­ca­ção.

Quin­to país do mun­do

San­ci­o­na­da em 7 de agos­to de 2006, a lei Ma­ria da Penha es­ta­be­le­ceu pu­ni­ções mais ri­go­ro­sas pa­ra ca­sos de agres­são con­tra mu­lher, co­mo a pri­são em fla­gran­te por le­são cor­po­ral. Ape­sar das me­di­das mais du­ras, o Bra­sil tem a quin­ta mai­or ta­xa de fe­mi­ni­cí­dio do mun­do, se­gun­do a Or­ga­ni­za­ção Mun­di­al da Saúde. São 13 as­sas­si­na­tos por dia. O ple­ná­rio do Se­na­do apro­vou no iní­cio da noi­te de on­tem a cri­a­ção de três no­vos cri­mes: im­por­tu­na­ção se­xu­al, pa­ra ca­sos de mas­tur­ba­ção em pú­bli­co; vin­gan­ça por­no­grá­fi­ca, divulgação de re­gis­tros se­xu­ais sem anuên­cia; e a divulgação de ví­de­os ou fo­tos que re­tra­tem es­tu­pros. Pa­ra to­dos os cri­mes, a pu­ni­ção vai de 1 a 5 anos de pri­são. O pro­je­to de lei ago­ra aguar­da san­ção pre­si­den­ci­al.

O mes­mo pro­je­to en­du­re­ceu as pe­nas pa­ra o cri­me de es­tu­pro coletivo. Con­si­de­ra­do um agra­van­te do cri­me de es­tu­pro, a con­du­ta era punida com um au­men­to de um quar­to da pe­na es­ta­be­le­ci­da – que vai de 6 a 10 anos de re­clu­são. Ago­ra o agra­van­te pas­sa a adi­ci­o­nar até dois ter­ços da pe­na. O mes­mo va­le pa­ra o es­tu­pro de ges­tan­tes, idosos ou pes­soa com de­fi­ci­ên­cia e pa­ra o “es­tu­pro cor­re­ti­vo”, que vi­sa mol­dar o com­por­ta­men­to se­xu­al da ví­ti­ma.

“Aque­le an­ti­go di­ta­do po­pu­lar de que ‘em bri­ga de ma­ri­do e mu­lher nin­guém me­te a co­lher’ pre­ci­sa ser to­tal­men­te des­mis­ti­fi­ca­do. Me­te-se a co­lher, sim. Um vi­zi­nho que ou­vir uma mu­lher gri­tan­do por so­cor­ro de­ve li­gar pa­ra a po­lí­cia, sim. Ele es­tá sal­van­do uma vi­da e evi­tan­do um fe­mi­ni­cí­dio.”

D E L EGADA GABR I E L A VON BEAVA I S , T I T U L A R DA D EAM-R J

| RE­PRO­DU­ÇÃO/BAND

Al­guns dos 46 de­ti­dos no Rio che­gam à de­le­ga­çia

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