Câ­ma­ra: ban­ca­das con­ser­va­do­ras ga­nham for­ça

Cres­ce nú­me­ro de evan­gé­li­cos, po­lí­ti­cos li­ga­dos ao agro­ne­gó­cio e de­fen­so­res de pau­tas da se­gu­ran­ça pú­bli­ca

Metro Brazil (Campinas) - - Primeira Página -

Três fren­tes par­la­men­ta­res te­má­ti­cas – a da agro­pe­cuá­ria, cha­ma­da de bancada ru­ra­lis­ta, a da se­gu­ran­ça pú­bli­ca, co­nhe­ci­da co­mo “bancada da ba­la”, e a evan­gé­li­ca – já es­tão en­tre as mai­o­res do Con­gres­so Na­ci­o­nal. Elas têm, res­pec­ti­va­men­te, 260, 299 e 203 mem­bros, en­tre se­na­do­res e deputados fe­de­rais.

Ape­sar do ta­ma­nho, to­das de­vem cres­cer em 2019 com a en­tra­da dos no­vos par­la­men­ta­res elei­tos no úl­ti­mo do­min­go, se­gun­do uma aná­li­se do Di­ap (De­par­ta­men­to In­ter­sin­di­cal de As­ses­so­ria Par­la­men­tar) fei­ta a pe­di­do do Me­tro Jor­nal.

O mo­ti­vo pa­ra o prog­nós­ti­co é o per­fil dos par­ti­dos que ga­nha­ram for­ça em Bra­sí­lia. A Câ­ma­ra, por exem­plo, viu a as­cen­são não ape­nas do par­ti­do do pre­si­den­ciá­vel Jair Bol­so­na­ro, o PSL – que pas­sou de 8 pa­ra 52 deputados fe­de­rais e con­quis­tou seus pri­mei­ros 4 se­na­do­res –, mas também de ou­tras le­gen­das tra­di­ci­o­nal­men­te ali­nha­das às pau­tas con­ser­va­do­ras.

Uma de­las é o PRB. Fun­da­do pe­la Igre­ja Uni­ver­sal do Rei­no de Deus, o par­ti­do é, ao la­do do PDT, o se­gun­do que mais ga­nha­rá deputados (9) em re­la­ção à atu­al le­gis­la­tu­ra. Ou­tras agre­mi­a­ções se for­ta­le­ce­ram na Câ­ma­ra, co­mo o No­vo, que es­treia na Ca­sa já com 8 deputados, e o PRP que vai de ze­ro pa­ra 4 mem­bros. A si­tu­a­ção é se­me­lhan­te no Se­na­do.

“Os nú­me­ros ain­da não fe­cha­ram, mas uma coi­sa dá pa­ra afir­mar com se­gu­ran­ça: es­sas três ban­ca­das (ru­ra­lis­ta, evan­gé­li­ca e da se­gu­ran­ça) vão cres­cer. Elas fo­ram le­gi­ti­ma­das por uma on­da con­ser­va­do­ra nas ur­nas e exis­te a pers­pec­ti­va de o Exe­cu­ti­vo [em ca­so de elei­ção de Bol­so­na­ro] com­par­ti­lhar es­sa vi­são de mun­do”, ava­lia Antô­nio Au­gus­to de Qu­ei­roz, di­re­tor de do­cu­men­ta­ção do Di­ap.

Go­ver­na­bi­li­da­de

Re­pre­sen­ta­dos pe­los con­cor­ren­tes Fer­nan­do Had­dad e Jair Bol­so­na­ro no se­gun­do tur­no da elei­ção pre­si­den­ci­al, o PT (com 56 deputados) e o PSL (52) ele­ge­ram as du­as mai­o­res ban­ca­das da Câ­ma­ra, mas am­bas só re­pre­sen­tam 10% da Ca­sa ca­da uma.

Pe­la afi­ni­da­de ide­o­ló­gi­ca e pro­gra­má­ti­ca, é de se es­pe­rar que Bol­so­na­ro te­ria mais fa­ci­li­da­de que Had­dad pa­ra ne­go­ci­ar a apro­va­ção de pau­tas do Exe­cu­ti­vo. Mas mes­mo a ta­re­fa do can­di­da­to do PSL não se­ria fá­cil, se­gun­do o Di­ap.

“É cer­to que Bol­so­na­ro te­ria um ‘nú­cleo du­ro’, que in-

clui­ria o PSL, o PRB e al­guns par­ti­dos mé­di­os e pe­que­nos. Mas te­rá que con­quis­tar ou­tras le­gen­das, lem­bran­do que ele ado­ta um dis­cur­so que re­cha­ça a ideia de ‘bal­cão de ne­gó­ci­os’ no Con­gres­so”, ava­lia Qu­ei­roz.

Já Had­dad, se­gun­do o ana­lis­ta, par­ti­ria de uma ba­se se­me­lhan­te à que vo­tou contra o im­pe­a­ch­ment da ex-presidente Dil­ma Rous­seff – 137 deputados e 20 se­na­do­res – o que o obri­ga­ria igual­men­te a pro­cu­rar ade­sões.

| ABR

Bancada evan­gé­li­ca pro­tes­ta, em 2011, contra união ci­vil de ho­mos­se­xu­ais

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