‘QUEM NÃO SE COMUNICA, SE TRUMBICA!’

STEPAN NERCESSIAN IM­PRES­SI­O­NA AO INCORPORAR TRE­JEI­TOS DE CHACRINHA NA TELETONA

Metro Brazil (Campinas) - - Primeira Página -

É di­fí­cil as­sis­tir a “Chacrinha”, que es­treia ho­je, sem ima­gi­nar se o his­tri­ô­ni­co per­so­na­gem cri­a­do por Abelardo Bar­bo­sa (1917-1988) te­ria es­pa­ço na te­le­vi­são atu­al com sua pos­tu­ra anár­qui­ca e abor­da­gens po­li­ti­ca­men­te in­cor­re­tas. Mas é jus­ta­men­te no ca­rá­ter sub­ver­si­vo da ale­gria do apre­sen­ta­dor que o fil­me en­con­tra sua for­ça, se­gun­do o di­re­tor An­dru­cha Wad­ding­ton.

“A au­to-es­ti­ma do Bra­sil es­tá mui­to baixa. As pes­so­as es­tão bri­gan­do. O Chacrinha veio do rá­dio, cru­zou a di­ta­du­ra e vi­veu a aber­tu­ra de­mo­crá­ti­ca. Ele é uma fi­gu­ra tão po­de­ro­sa que tal­vez tra­ga um pou­co de ale­gria pa­ra cu­rar a res­sa­ca do se­gun­do tur­no”, afir­ma o ci­ne­as­ta.

O lon­ga é um des­do­bra­men­to do es­pe­tá­cu­lo mu­si­cal di­ri­gi­do por ele, em 2014, e es­tre­la­do por Stepan Nercessian, que vol­ta a en­car­nar o per­so­na­gem em sua fa­se ma­du­ra. O ator im­pres­si­o­na na ca­rac­te­ri­za­ção dos tre­jei­tos e da in­con­fun­dí­vel voz do apre­sen­ta­dor que foi fenô­me­no de au­di­ên­cia da te­le­vi­são bra­si­lei­ra en­tre os anos 1960 e 1980. “Ele in­cor­po­rou o Cha- cri­nha des­de a primeira au­di­ção”, lem­bra Wad­ding­ton.

Cou­be a Edu­ar­do Ster­blit­ch en­car­nar o per­so­na­gem em sua ju­ven­tu­de, apre­sen­ta­da des­de sua mu­dan­ça de Per­nam­bu­co pa­ra o Rio de Ja­nei­ro, on­de vi­veu de bi­cos até des­co­lar uma chan­ce co­mo apre­sen­ta­dor de uma pe­que­na rá­dio. Sem na­da a per­der, ele propôs ino­va­ções que aca­ba­ram des­ta­can­do-o co­mo um co­mu­ni­ca­dor sin­gu­lar.

Um dos destaques do fil­me é tam­bém sua tri­lha so­no­ra, que apre­sen­ta a evo­lu­ção da MPB des­de a era de ou­ro do rá­dio, pas­san­do pe­la Jo­vem Gu­ar­da até che­gar à Tro­pi­cá­lia e o rock bra­si­lei­ro dos anos 1980. Pa­ra is­so, o di­re­tor in­cor­po­rou par­ti­ci­pa­ções de ar­tis­tas de ho­je, co­mo Cri­o­lo e Lu­an Santana, in­ter­pre­tan­do hits de no­mes co­mo Odair Jo­sé e Ge­ral­do Van­dré.

“Foi du­ro fa­zer es­sa cu­ra­do­ria mu­si­cal. O Chacrinha foi um gran­de DJ. To­do ti­po de música ca­bia no pro­gra­ma de­le. Ten­ta­mos re­pre­sen­tar to­dos os gê­ne­ros pe­los quais ele pas­sou. Qui­se­mos ser fi­el ao per­so­na­gem, que trans­cen­deu o pre­con­cei­to e vi­rou tal­vez o mai­or íco­ne pop que o Bra­sil já te­ve”, con­clui Wad­ding­ton.

El­ke Ma­ra­vi­lha (Gi­an­ne Al­ber­to­ni) e Chacrinha (Nercessian) em ce­na do fil­me; no tí­tu­lo, uma das icô­ni­cas fra­ses do Ve­lho Gu­er­rei­ro

| SUZANNA TIERRIE/DI­VUL­GA­ÇÃO

Stepan sur­pre­en­den­te na pe­le do Ve­lho Gu­er­rei­ro

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