La­va Ja­to che­ga a ‘bra­ço’ in­ter­na­ci­o­nal

Metro Brazil (Espirito Santo) - - BRASIL -

A ope­ra­ção La­va Ja­to che­gou on­tem a três gi­gan­tes do co­mér­cio mun­di­al que atu­am na área de com­mo­di­ti­es. Jun­tas, a Glen­co­re, a Vi­tol e a Tra­fi­gu­ra pa­ga­ram US$ 31 mi­lhões em pro­pi­na pa­ra fun­ci­o­ná­ri­os da Pe­tro­bras, en­tre 2009 e 2014, em tro­ca de van­ta­gens, se­gun­do o MPF (Mi­nis­té­rio Pú­bli­co Fe­de­ral).

De­no­mi­na­da “Sem Li­mi­tes”, a 57ª fa­se da La­va Ja­to foi de­fla­gra­da on­tem pa­ra cum­prir 11 man­da­dos de pri­são e 26 de bus­ca de apre­en­são ex­pe­di­dos pe­la juí­za subs­ti­tu­ta da 13ª Va­ra Fe­de­ral em Curitiba, Ga­bri­e­la Hardt. Qu­a­tro pes­so­as es­tão fo­ra do país, in­cluin­do um fun­ci­o­ná­rio da Pe­tro­bras no es­cri­tó­rio de Hous­ton, nos Es­ta­dos Uni­dos, e ti­ve­ram seus no­mes ins­cri­tos na lis­ta da In­ter­pol. Um dos sus­pei­tos não foi pre­so por­que es­tá hos­pi­ta­li­za­do.

O es­que­ma

De acor­do com o MPF, a Pe­tro­bras com­pra­va pro­du­tos de­ri­va­dos do pe­tró­leo des­sas em­pre­sas por va­lo­res aci­ma dos de mer­ca­do. Qu­an­do es­sas em­pre­sas, co­nhe­ci­das co­mo tra­dings (que com­pram ações ou ma­té­ri­as-pri­mas) eram as com­pra­do­ras, os pre­ços eram abai­xo dos pra­ti­ca­dos. Em tro­ca, os agen­tes de Pe­tro­bras re­ce­bi­am van­ta­gens in­de­vi­das.

“É o prin­ci­pal ata­que da La­va Ja­to na área co­mer­ci­al e fim da Pe­tro­bras”, dis­se o pro­cu­ra­dor Athay­de Ri­bei­ro Cos­ta. Ele lem­brou que o fa­tu­ra­men­to das em­pre­sas é su­pe­ri­or ao da Pe­tro­bras, que foi de US$ 88 bi­lhões em 2017. A Glen­co­re, com se­de da Suí­ca e no Rei­no Uni­do, fa­tu­rou US$ 205 bi no ano pas­sa­do; a Vi­tol com sedes na Ho­lan­da e na Suí­ça, US$ 181 bi; e a Tra­fi­gu­ra, com sedes na Suí­ça e em Sin­ga­pu­ra, US$ 136 bi.

Se­gun­do o de­le­ga­do da PF ( Po­lí­cia Fe­de­ral) Fil­li­pe Hil­le Pa­ce, fo­ram iden­ti­fi­ca­das 80 ope­ra­ções de tra­ding da Vi­tol en­tre 2011 e 2014, que ge­ra­ram de US$ 4,5 mi­lhões em pro­pi­na. A Tra­fi­gu­ra es­ta­ria en­vol­vi­da em 88 ope­ra­ções de 2009 a 2013, so­man­do US$ 6 mi­lhões em pro­pi­nas. Com o en­vol­vi­men­to de ou­tras tra­dings, em ou­tras ope­ra­ções, o vo­lu­me che­ga­ria a US$ 31 mi­lhões. As em­pre­sas ci­ta­das não se ma­ni­fes­ta­ram on­tem.

“Exis­tem evidências de que es­se es­que­ma já de­mons­trad0, que ocor­reu até 2014 pe­lo me­nos, po­de ain­da es­tar acon­te­cen­do nos di­as atu­ais”

JERUSA VIECILI, PRO­CU­RA­DO­RA DO MI­NIS­TÉ­RIO PÚ­BLI­CO FE­DE­RAL

| RE­PRO­DU­ÇÃO/YOU­TU­BE

Se­de suí­ça da Glen­co­re, uma das em­pre­sas sus­pei­tas

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.