Par­la­men­to Eu­ro­peu se­rá ‘mais ver­de’

E ape­sar do cres­ci­men­to de ‘eu­ro­cé­ti­cos’, gru­po pró- União Eu­ro­peia se­gue em mai­o­ria

Metro Brazil (Espirito Santo) - - PRIMEIRA PÁGINA -

As elei­ções de 2019 ao Par­la­men­to Eu­ro­peu en­tra­ram pa­ra a his­tó­ria com um re­cor­de de com­pa­re­ci­men­to às ur­nas nos prin­ci­pais paí­ses do blo­co, co­mo na Ale­ma­nha, on­de mais de 60% elei­to­res vo­ta­ram, o mai­or ín­di­ce des­de a reu­ni­fi­ca­ção, em 1989. Se­gun­do da­dos de Bru­xe­las, a mé­dia eu­ro­peia de afluên­cia fi­cou aci­ma dos 50%, a mais al­ta dos úl­ti­mos 20 anos. A jor­na­da elei­to­ral de on­tem mo­bi­li­zou elei­to­res em 21 paí­ses. Os ou­tros se­te que com­põem a UE (União Eu­ro­peia) pu­de­ram vo­tar de quin­ta a sá­ba­do.

Eu­ro­peís­tas re­cu­am

A gran­de ex­pec­ta­ti­va re­caía so­bre o em­ba­te en­tre os par­ti­dos eu­ro­peís­tas e os na­ci­o­na­lis­tas, em um cli­ma de incerteza so­bre o fu­tu­ro da UE, as­som­bra­do pe­la saí­da do Rei­no Uni­do, o cha­ma­do “brexit” (ler abai­xo). De acor­do com as pro­je­ções e pes­qui­sas de bo­ca de ur­na, o gru­po PPE (Gru­po do Par­ti­do Po­pu­lar Eu­ro­peu), de cen­tro-di­rei­ta, li­de­ra­do pe­lo CDU, da chan­ce­ler ale­mã, An­ge­la Mer­kel, de­ve fi­car com 180 dos 751 as­sen­tos – me­nos do que os 217 que tem ago­ra.

Eu­ro­cé­ti­cos avan­çam

Uni­das em tor­no da ENF (gru­po Eu­ro­pa das Na­ções e da Li­ber­da­de), as le­gen­das na­ci­o­na­lis­tas e de ex­tre­ma-di­rei­ta apre­sen­ta­ram cres­ci­men­to em vá­ri­os paí­ses, co­mo na Fran­ça, on­de o Ras­sem­ble­ment Na­ti­o­nal (Reu­nião Na­ci­o­nal), de Ma­ri­ne Le Pen, des­pon­ta co­mo o mais vo­ta­do. As pro­je­ções in­di­cam que a ENF, com­pos­ta tam­bém pe­la Li­ga Nor­te, de Mat­teo Sal­vi­ni, po­de qua­se do­brar o nú­me­ro de ca­dei­ras e se tor­nar uma for­ça con­si­de­rá­vel no Par­la­men­to Eu­ro­peu, com 57 as­sen­tos (tem 37 ho­je). Po­rém, os blo­cos na­ci­o­na­lis­tas e con­ser­va­do­res (ECR, de­pu­ta­dos, dos 751 to­tais que for­mam a Ca­sa.

Mas cen­tro de­ve pre­va­le­cer

Com o pro­vá­vel re­sul­ta­do des­tas elei­ções, os eu­ro­de­pu­ta­dos do PPE não con­se­gui­rão ter a mai­o­ria ape­nas com os so­ci­a­lis­tas do S&D (Gru­po da Ali­an­ça Pro­gres­sis­ta dos So­ci­a­lis­tas e De­mo­cra­tas no Par­la­men­to Eu­ro­peu), de cen­tro es­quer­da, do es­pa­nhol PSOE e do bri­tâ­ni­co Par­ti­do Tra­ba­lhis­ta, que po­de con­quis­tar 152 ca­dei­ras – tam­bém me­nos do que os 187 que tem ago­ra. Juntos, te­ri­am 332 as­sen­tos.

Eles po­dem, no en­tan­to, man­ter seu his­tó­ri­co con­tro­le se con­se­gui­rem co­op­tar os li­be­rais do Alde (com­pos­to pe­lo mo­vi­men­to En Mar­che, do pre­si­den­te fran­cês, Em­ma­nu­el Ma­cron, e pe­lo es­pa­nhol Ciu­da­da­nos), que sal­tou de 68 pa­ra 105 as­sen­tos, e tal­vez os Ver­des, que apa­re­ce­ram com for­ça e vi­ra­ram os pro­ta­go­nis­tas da ro­da­da.

Na on­da dos re­cen­tes pro­tes­tos da jo­vem su­e­ca Gre­ta Thun­berg, as le­gen­das am­bi­en­ta­lis­tas fo­ram ca­pa­zes de amal­ga­mar o vo­to dos jo­vens, dos pro­gres­sis­tas e dos so­ci­a­lis­tas de­si­lu­di­dos. Os Ver­des po­dem fi­car com 67 da 751 ca­dei­ras. Têm 52 na atu­al for­ma­ção. PPE + S&D + Alde + Ver­des = 504 as­sen­tos, bem aci­ma dos 376 pa­ra ter mai­o­ria. O gru­po de Mer­kel per­ma­ne­ce. Po­rém, mais fra­co.

“Hou­ve en­co­lhi­men­to do cen­tro. Mas não ve­jo mai­o­ria con­tra os li­be­rais, os so­ci­a­lis­tas ou o PPE. De­ve­mos unir for­ças”

MAN­FRED WE­BER, DO GRU­PO PPE

| FABRIZIO BENSCH / REU­TERS

‘Eu vo­tei’, mos­tra, em car­taz, elei­to­ra ale­mã em Ber­lim

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