O le­ga­do de Ser­gio Mar­chi­on­ne

Motorshow - - Sumário - SER­GIO QUINTANILHA RE­DA­TOR-CHE­FE

Ser­gio Mar­chi­on­ne as­su­miu a pre­si­dên­cia da Fi­at aos 52 anos, em 2004. No dia 25 de ju­lho de 2018, saiu da vi­da e en­trou pa­ra a his­tó­ria da in­dús­tria au­to­mo­bi­lís­ti­ca co­mo um dos mai­o­res exe­cu­ti­vos do se­tor. Mor­to pre­ma­tu­ra­men­te aos 66 anos, o íta­lo-ca­na­den­se trans­for­mou o Gru­po Fi­at em ape­nas 14 anos – pas­sou de um ne­gó­cio qua­se fa­li­do pa­ra a po­de­ro­sa Fi­at Chrys­ler Au­to­mo­bi­les (FCA), com bra­ços ro­bus­tos na Eu­ro­pa, nos Es­ta­dos Uni­dos e na Amé­ri­ca do Sul.

Ho­je a FCA é o sé­ti­mo mai­or fa­bri­can­te de veí­cu­los le­ves do mun­do, pois aca­ba de ul­tra­pas­sar a Hon­da. Se­gun­do um ran­king di­vul­ga­do pe­la con­sul­to­ria Fo­cus2Mo­ve, a FCA ven­deu 2,068 mi­lhões de car­ros de ja­nei­ro a maio deste ano, su­pe­ran­do tam­bém gru­pos co­mo PSA (Peu­ge­ot, Ci­troën e Dong­feng), Mer­ce­des, BMW e Su­zu­ki. Com 5,4% do bo­lo mun­di­al da in­dús­tria au­to­mo­bi­lís­ti­ca, a FCA já se apro­xi­ma da Ford Mo­tor Com­pany, que de­tém 6,4%.

Es­sa for­ta­le­za foi cons­truí­da sob a ba­tu­ta de Mar­chi­on­ne. Sua pri­mei­ra car­ta­da es­pe­ta­cu­lar, ao as­su­mir a Fi­at, foi obri­gar a GM a exer­cer seu di­rei­to de com­pra na­que­la oca­sião (a em­pre­sa ame­ri­ca­na era do­na de 20% das ações). Sem di­nhei­ro pa­ra a aqui­si­ção, a GM não ape­nas de­vol­veu as ações co­mo ain­da pa­gou uma mul­ta de US$ 2 bi­lhões. Cin­co anos de­pois, o pró­prio Mar­chi­on­ne foi às com­pras, ad­qui­rin­do 20% da Chrys­ler. Daí pa­ra a cri­a­ção da FCA foi ques­tão de tem­po.

Mar­chi­on­ne mos­trou gran­de vi­são tam­bém ao apos­tar na Je­ep co­mo mar­ca mun­di­al da FCA e dei­xar a Fi­at fo­ca­da em seus mai­o­res mer­ca­dos, co­mo a Itá­lia e o Bra­sil. Só nes­ses dois paí­ses, a Fi­at ven­deu 375,2 mil car­ros no pri­mei­ro se­mes­tre deste ano. E das ven­das glo­bais da Fi­at, 51,4% são hat­ches e se­dãs. Os SUVs res­pon­dem por ape­nas 12,9% por­que Mar­chi­on­ne dei­xou es­sa ta­re­fa pa­ra a Je­ep. As­sim, con­se­guiu fa­zer su­ces­so nos EUA (495 mil SUVs da Je­ep ven­di­dos no pri­mei­ro se­mes­tre), na Chi­na (82,7 mil) e no Bra­sil (49,6 mil).

Ser­gio Mar­chi­on­ne sai­ria do co­man­do da FCA em 2019. Sua morte pro­vo­cou uma su­ces­são às pres­sas e o no­vo CEO é o in­glês Mike Man­ley, que li­de­ra­va os ne­gó­ci­os da Je­ep e da RAM. Ape­sar de es­sas se­rem as du­as mar­cas mais lu­cra­ti­vas da FCA nos úl­ti­mos anos, ana­lis­tas do mer­ca­do acre­di­tam que Man­ley não vai du­rar um lo­go tem­po no car­go. Afi­nal, subs­ti­tuir Mar­chi­on­ne não se­rá uma ta­re­fa na­da fá­cil.

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